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OPINIÃO POLÍTICA

Os novos homens-bomba

Ivan de Carvalho

O homem-bomba é uma arma revolucionária inventada no fim do século passado pelos inimigos de Israel e da qual derivaram, com o passar dos anos, a variante da mulher-bomba e, bem mais recentemente, a mais nova geração dessa arma, a criança-bomba. A tecnologia da pessoa-bomba ainda tem como alvo principal, mas já não mais exclusivo, o povo de Israel. Tem sido usada em outras situações, como é o caso, por exemplo, no Afeganistão.

A essência do homem-bomba é a decisão de explodir a si mesmo para explodir tudo o que lhe esteja próximo, preferencialmente pessoas. O homem-bomba está preparado para acionar o detonador de si mesmo e, explodindo-se, explodir os circunstantes.

Uma nova geração de homens-bomba está surgindo no meio político brasileiro. Está estruturada numa tecnologia diferente (os brasileiros são muito criativos). Não usa cintos e blusões abarrotados com TNT ou C4, esses explosivos tão ao gosto da Al Qaeda, dos talibãs, do Hamas, do Hezbollah, das Farc de outras organizações terroristas ou até mesmo integradas nas máquinas de alguns (ou muitos) Estados.
O diferencial do homem-bomba brasileiro é que não é de sua tecnologia explodir a si mesmo para explodir os circunstantes, os inimigos, preferencialmente ex-aliados. O homem-bomba brasileiro carrega elementos de alto poder explosivo que nenhuma semelhança objetiva têm com TNT, C4 e essas coisas, mas subjetivamente pode-se identificar a semelhança no binômio “explodir e destruir”. O explosivo do homem- bomba brasileiro é a língua.

Mas o que distingue a pessoa-bomba convencional do homem-bomba brasileiro (aqui ainda não surgiu nenhuma relevante mulher-bomba metida numa burca – Erenice Guerra não usava burca e nem se propôs, justiça se faça, a ser mulher-bomba – e nem a mais inocente criança-bomba), é menos a língua do que a essência de cada um.

O homem-bomba brasileiro não passa por lavagem cerebral que o leve a explodir a si mesmo e ele não carrega um detonador. Ele nunca toma a iniciativa de explodir, somente a de ameaçar explodir. Mas o que ameaça: ele ameaça que, se malvadamente atirarem nele, melhor dizendo, se o explodirem, então ele não esquecerá de cuidar para que a explosão atinja os que atiraram e os que não o defenderam. Único homem-bomba brasileiro que, até hoje, explodiu, foi Roberto Jefferson.

Mudando de assunto, que nem sei como entraram homens-bomba neste espaço, vale repetir, para que não se perca, a memorável frase do senador Alfredo Nascimento, presidente nacional do PR e na semana passada exonerado do cargo de ministro dos Transportes, que ocupou sob Dilma e Lula, frase registrada ontem na coluna Painel da Folha de S. Paulo: “Eles estão pensando que o Pagot sabe das coisas? Quem sabe tudo daquele ministério sou eu”. O ex-ministro estava irritado e avisava que não toleraria continuar sendo “demonizado”. Mas não explodiu. Implicitamente, disse apenas que se explodir…

Antes do ex-ministro insinuar que pode, a depender dos ataques que sofrer, explodir, temia-se que explodisse o diretor geral do DNIT em gozo de férias, Luís Antônio Pagot, que ontem na Câmara já falou abertamente em continuar no cargo depois das férias, o que, definitivamente, desarmaria a bomba que há no homem.

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