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OPINIÃO POLÍTICA

O caso dos Transportes

Ivan de Carvalho

Primeiro ato: a presidente da República, ante denúncias da revista Veja, que demorou, mas acabou sendo pioneira na imprensa em dar sequência a denúncias do governador do Ceará, Cid Gomes, do PSB e irmão do também socialista Ciro Gomes, resolve afastar a cúpula do Ministério dos Transportes, excetuando o secretário-executivo Paulo Sérgio Passos, filiado ao PR somente no ano passado e o ministro Alfredo Nascimento, presidente licenciado do mesmo partido. Um blog baiano, Os Inimigos do Rei, em artigo de Toni Pacheco, resgata a primazia de Cid Gomes na denúncia do descalabro nos transportes.

Segundo ato: os ataques do governador Cid Gomes eram contra o ministro, “inepto, incompetente e desonesto” e contra o Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (DNIT), “antro de roubalheira” cujo diretor-geral era ou é (ia ser exonerado, mas entrou de férias antes, de modo que, formalmente, permanece titular do cargo) Luís Antônio Pagot, um apadrinhado do PR e principalmente do senador e ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi. Mas Alfredo Nascimento, ante novas denúncias relacionadas inclusive com um imóvel de alto luxo que um filho seu estava construindo, foi obrigado a demitir-se.

Terceiro ato: a presidente Dilma Rousseff escolheu o secretário- executivo Paulo Sérgio Passos, nascido na Bahia e economista formado pela UFBa, para responder interinamente pelo Ministério dos Transportes, enquanto ela e o PR escolhiam o novo ministro titular. Mas Dilma deu sinais de que lhe aprazia confirmar Paulo Sérgio Passos no cargo, pois ela e os petistas gostam dele. Mas o PR deixou claro que não é o seu caso – o PR não gosta dele, pelo menos como ministro representando o partido.

Quarto ato: a presidente Dilma Rousseff convidou Blairo Maggi, para suceder o ex-ministro Alfredo Nascimento, como este também senador do PR. Enquanto Alfredo Nascimento reassume a presidência nacional do PR, Blairo Maggi, maior produtor de soja do mundo, além de líder de seu grupo empresarial em vários outros setores de negócios, reúne-se com a família e com dirigentes do grupo. Conclusão: não dava para aceitar o convite da presidente da República, porque isso prejudicaria seriamente os negócios, vários deles relacionados com o Estado. Isso foi durante a semana passada. Esta semana, Maggi está se dedicando a acalmar e amenizar a situação de seu afilhado político Luís Antônio Pagot, que dava sinais de que se fosse deixado às baratas soltaria a língua no depoimento programado para dar hoje ao Congresso, coisa que pareceu deixar muita gente nervosa no governo. Mas parece que Blairo Maggi está sendo convincente.

Quinto ato: a presidente Dilma Rousseff atropela ou passa o trator por cima do PR e convida Paulo Sérgio Passos para ministro. Não passa pela cabeça deste, nem de Dilma, nem de ninguém, que o convite seja recusado. Portanto, ontem já se podia dizer, como nas complicadas escolhas dos sucessores de Pedro, “habemus papam”.

Sexto ato: O PR, que dizia ter pelo menos meia dúzia de nomes para indicar para o Ministério dos Transportes – um dos cogitados foi o ex-senador e ex-governador César Borges – passou a dizer que não tem nenhum. Entenda-se: os que tinha não seriam aceitos, cada um por seus motivos (no caso do baiano César Borges, por objeções do governismo estadual e pelo fato de, mesmo já apoiando o governo, ter mantido sua posição de votar no Senado contra a restauração da CPMF – a maior derrota legislativa do governo Lula, que o ex-presidente não perdoa.

Sétimo ato: informações de fontes que pedem anonimato indicam que há forte insatisfação no PR e uma corrente, liderada pelo ex-presidente da legenda e influente deputado Valdemar Costa Neto, agora presidente de honra (?!) da legenda, pretendendo articular a saída do partido da base do governo. Mas quem vai confessar? Uma nota já foi emitida, desmentindo essas maldosas intenções.

Creio que vale esperar por outros atos. Sete não é um número redondo, embora seja, digamos, cabalístico.

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