Borges: obstáculo na sucessão de Nascimento
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OPINIÃO POLÍTICA

Corda de caranguejos

Ivan de Carvalho

Calma, gente. Devagar. Assim não dá. Está ficando cada vez mais difícil as pessoas se atualizarem quando se trata de escândalos no governo federal. Mesmo os jornalistas, que têm essa obrigação profissional, passam inquestionavelmente por um grande sufoco, o que também atinge os veículos de comunicação social.

São escândalos demais, uns enganchados nos outros como caranguejos numa corda. Escândalos são quase invariavelmente difíceis de, primeiro, entender, depois, explicar. É que, como os crustáceos citados, eles são cheios de pernas e bocas e quando são enganchados uns nos outros pelo escasso intervalo que não chega a separá-los quanto à permanência em exposição e debate, acabam compondo um impressionante labirinto.

Além disso, como ocorre com os crustáceos mencionados, a imprensa, pela quase simultaneidade de surgimento e pela permanência de uns enquanto novos surgem, fica obrigada a misturá-los na mesma lata, ou, explicando melhor, nas mesmas edições de jornais, telejornais, noticiários de rádio, sites e blogs da Internet. E, como se sabe, caranguejos numa lata fazem um barulho ensurdecedor, que acaba prejudicando a separação, para melhor compreensão, do barulho feito por cada um desses crustáceos tão bem adaptados à lama pelo processo evolutivo.

Mas, por isso mesmo, deixemos por hoje deste espaço excluídos os escândalos de grande monta mais recentes – o que levou à exoneração do ex-ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci e o que a este sucedeu, representado pela espectral ressurreição dos Aloprados, operada por um “companheiro” que atende por Expedito, Aloprados agora já sob suposta liderança do ex-candidato a governador paulista e agora ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

E vamos deixar de lado até mesmo o escândalo mais recente, o das irregularidades financeiras na área do Ministério dos Transportes, que ontem derrubou do cargo o ministro Alfredo Nascimento, senador e que, demitido, está voltando ao Senado e à presidência do nacional do PR.

Vamos só ver como está (estava até as 20 horas de ontem) a questão da substituição do ministro. Mas não sem antes assinalar que o ex-presidente Lula deve estar (é só uma impressão minha) um pouco aborrecido com a má sorte de João Pedro, seu amigo de lazer e “pinga” (a propósito, Lula, da mesma forma que Barack Obama, deixou de fumar. Agora é torcer para que nenhum dos dois tenha alguma recaída).

Na Bahia está se falando que o ex-senador e ex-governador César Borges, presidente estadual do PR – partido que deverá continuar com o controle do Ministério dos Transportes – é um nome com boas chances de ser escolhido ministro. Chances provavelmente existem, mas há obstáculos.

Existem na fila outros nomes e estes constituem um dos obstáculos. Um dos nomes é o do secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, posto neste cargo por indicação de Lula, nascido na Bahia, técnico de carreira, que o noticiário diz contar com a confiança da presidente Dilma Rousseff. Os que, no governo, acreditam nessa alternativa imaginam que as bancadas do PT na Câmara e Senado acabariam se conformando. Outro nome é o do ex-governador do Mato Grosso e maior plantador de soja do mundo, Blairo Maggi, amigo de Lula e de Dilma, para cuja campanha eleitoral contribuiu generosamente.

Na bancada do PR no Congresso um dos nomes mais bem aceitos, segundo o jornalista Cláudio Humberto, é o do senador Clésio Andrade, de Minas Gerais e presidente da Confederação Nacional dos Transportes. Outros dois são o de César Borges e o do ex-líder do PR na Câmara, Luciano Castro, segundo a revista Época.

A conjuntura política baiana pode provocar alguma resistência (do PT) à escolha de César Borges. O PR, que preside na Bahia, é oposição ao governo Jaques Wagner.

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