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OPINIÃO POLÍTICA

A luta pela prefeitura

Ivan de Carvalho

Se para governador do Estado nas eleições de 2014 tem o PT no alto da lista – e com uma grande dianteira em relação aos demais aspirantes verdadeiros ou supostos – o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, que já disputou o governo em 1990, mas então só para marcar posição e ocupar espaço para seu partido, para a prefeitura de Salvador, nas eleições do ano que vem, a candidatura que aparentemente (aparências às vezes enganam) vai ocupando os espaços no partido é a do deputado federal Nelson Pelegrino, em mais uma de suas reiteradas tentativas de chegar ao Palácio Thomé de Souza.

Entre as tentativas de Pelegrino para chegar à prefeitura inclui-se a de 2008, abortada com uma apertadíssima derrota nas prévias do partido para o também deputado Walter Pinheiro. Este, então graças ao apoio do governador Jaques Wagner, venceu Pelegrino nas prévias petistas, mas, embora conseguindo classificar-se para o segundo turno das eleições, não conseguiu vencer o surpreendente prefeito João Henrique.
Posto no segundo turno pelo apoio político, eleitoral e administrativo que recebeu do PMDB, sob a liderança do então ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o prefeito aumentou espetacularmente a diminuta distância que o separara de Walter Pinheiro na primeira fase do pleito graças ao apoio integral que recebeu do eleitorado que no primeiro turno votara no democrata ACM Neto. Um eleitorado que não votaria no PT de jeito nenhum.

Agora, Pelegrino é novamente aspirante declarado a candidato a prefeito, contando até com declarações formais de simpatia do governador Jaques Wagner, mas existem no PT dois obstáculos – resistências de quem tem preferência por algum candidato que não seja ele e dúvidas quanto à viabilidade eleitoral de Pelegrino. Áreas petistas que têm essas dúvidas se ampliam na medida em que Pelegrino, segundo se colhe em bastidores petistas, não consegue vencer as resistências e o desinteresse de certas faixas do eleitorado pela candidatura dele.

Partindo de uma ótica diferente, de quem está de fora, o cientista político Paulo Fábio Dantas, entrevistado ontem por Mário Kertész na Rádio Metrópole, numa abordagem que envolvia a candidatura de Pelegrino, deixou claro que, no seu entender, isso pode significar que se desperdice mais uma oportunidade de “retomar” Salvador (numa referência à histórica conquista da prefeitura por Lídice da Mata).
Bem, no PT estão assim as coisas. Nas oposições, o Democratas tem ACM Neto, o PSDB tem Antonio Imbassahy e o PMDB quer ter Mário Kertész, já convidado pelo presidente estadual do PMDB, Lúcio Vieira Lima e pelo principal líder baiano do partido, Geddel Vieira Lima. Não se sabe se Kertész aceita ou não o desafio nem tão cedo se saberá. Mas é possível que, se as circunstâncias apontarem para uma grande chance de vitória, ele aceite.

Mas isso, claro, não é coisa para o futuro próximo. Primeiro, porque só o tempo irá mostrar se as circunstâncias adequadas (incluindo o plantel de concorrentes e alianças do PMDB com o PSDB, o DEM, o PR, dentre outros partidos) se concretizam. Segundo, porque Kertész como já foi prefeito duas vezes e, como tal, dispensa apresentação. É um nome bem conhecido e, a priori, uma candidatura extremamente relevante no processo.

Daí que demorar de revelar uma decisão cria um clima de expectativa que o favorecerá e embaraçará concorrentes. Ao tempo em que impede que passe a ser alvejado pelos adversários, destino de todos os candidatos importantes

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