Rui Costa: de novo aeroporto 2 de Julho

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CLAUDIO LEAL

A data mais importante da história da Bahia, o Dois de Julho, comemorada em desfile cívico no centro de Salvador, pode voltar a nominar o aeroporto internacional da capital baiana, desta vez com o apoio do governador Jaques Wagner (PT). Em 1998, após a morte do ex-presidente da Câmara Luis Eduardo Magalhães, vítima de ataque cardíaco, congressistas resolveram homenagear o filho do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, então poderoso articulador político de Fernando Henrique Cardoso no Congresso.

A troca arranhou o brio dos baianos mais praticantes. Uma campanha articulada pelo PT já tentou retomar, sem sucesso, o antigo batismo do aeroporto, feito em 1955. Luis Eduardo, um dos líderes do PFL (atual DEM), contava com simpatias pessoais e políticas à esquerda e à direita.

Deputado federal próximo ao governador Wagner e ex-secretário estadual de Relações Institucionais, Rui Costa (PT) é o relator do projeto de lei de autoria do colega petista Luiz Alberto. Na comissão de Educação, seu parecer defende a troca do nome do filho de ACM. Agora, a articulação da mudança conta com o aval de Wagner, um dos apoiadores da homenagem ao ex-deputado, em 1998.

– A posição dele é favorável à retomada do nome “Dois de Julho” (…) Todos foram praticamente tomados pela forma abrupta da morte de Luis Eduardo. Hoje, reconhecem que a homenagem é justa, mas não nesse símbolo, na entrada da cidade. O aeroporto deve fazer referência à história da Bahia – afirma Rui Costa.

O deputado ACM Neto, sobrinho de Luis Eduardo, deve ser procurado pelo deputado petista na próxima semana. Para evitar confrontos ríspidos, Wagner sugeriu que o nome do ex-presidente da Câmara batizasse um dos terminais do aeroporto de Salvador, o quinto mais movimentado do País. O projeto de lei precisa passar por três comissões na Câmara e outras três no Senado.

Terra Magazine – Por que trocar somente agora o nome do aeroporto Luis Eduardo Magalhães para Dois de Julho, o nome anterior?
Rui Costa – É o momento. Se no passado houve uma comoção, porque o presidente da Câmara teve uma morte inesperada, a razão e o bom senso devem prevalecer. As histórias da Bahia e do Brasil não podem ser sombreadas por um parlamentar.

O que falta para o projeto ser aprovado?
Já vai votar, até o dia 17 de julho, na comissão de Educação e depois na CCJ (Constituição e Justiça). Sendo aprovado na CCJ, vai pro Senado. Acredito que terá a aprovação. Como eu disse, isso é a história da Bahia e do Brasil. Para a Bahia, isso é muito forte e muito simbólico, até porque Salvador, como a primeira capital, e o aeroporto como a porta de entrada por todos os turistas que visitam a Bahia, ao chegarem no aeroporto já ouvem o piloto relatando o nome do aeroporto que faz referência à história baiana e do Brasil. Portanto, acho da maior importância que esse nome seja retomado. O ex-deputado já está por demais homenageado. Temos aqui os nomes de dezenas de escolas, dezenas de avenidas, até o nome de um município já foi mudado pra homenageá-lo… Homenagem já tem de sobra. A família deve desejar que o nome do aeroporto deve simbolizar a história da Bahia.

O senhor entrou em contato, em algum momento, com família de Luis Eduardo Magalhães?
Já foi feito, não por mim. Outros deputados falaram com ACM Neto. Inclusive, esta semana vou procurá-lo para pedir a concordância e voto favorável dos deputados do DEM. Ele há de reconhecer que homenagem já foi feitas por demais em avenidas, cidades, colégios… Com certeza, ele deve gostar e admirar a data do Dois de Julho.

A permanência do nome do ex-deputado é um resquício de práticas coronelistas?
Eu acho que, pior do que isso, significa apagar a data mais importante da Bahia e uma das mais importantes do Brasil. Aqui se concluiu o processo de Independência iniciado em 7 de setembro. A data do Dois de Julho marca não só a independência da Bahia, mas o fim do processo de luta pela Independência do Brasil, foi o último ato de luta. Isso é mais importante do que qualquer personalidade, independente da natureza política, social ou histórica de quem fosse homenageado. Não se trata de quem foi homenageado. Se trata de valorizar a história e a luta de um povo.

Na época, o atual governador Jaques Wagner votou a favor da mudança de nome…
Na verdade, foi uma comoção e foi um voto simbólico, não foi votação nem nominal. Todos surpresos e comovidos naquele momento, o que é natural, eu não vou condenar ninguém, nem quem foi autor do projeto. No momento de comoção, todos estavam procurando como melhor fazer uma homenagem ao ex-deputado e ex-presidente da Câmara. Esse momento já passou, agora a racionalidade deve prevalecer. Outras homenagens foram feitas, repito, até uma das cidades da Bahia mudou de nome…

Mimoso do Oeste.
É, mudou o nome, passou a ser Luis Eduardo. Colégios, temos vários…

Além do nome do próprio Antonio Carlos Magalhães.
Além dele. Desse eu nem conto… (risos) Treze colégios modelos têm o nome de Luis Eduardo Magalhães.

O senhor já conversou com o governador Jaques Wagner? Qual é a posição dele?
A posição dele é favorável à retomada do nome “Dois de Julho”. Porque ele é da mesma opinião: naquele momento de comoção, todos estavam mais preocupados em fazer uma homenagem e reconhecimento. Todos foram praticamente tomados pela forma abrupta da morte de Luis Eduardo. Hoje, reconhecem que a homenagem é justa, mas não nesse símbolo, na entrada da cidade. O aeroporto deve fazer referência à história da Bahia.

Mas o que o governador lhe disse?
Ele disse que o que estou lhe dizendo: ele próprio, como é do feitio dele de reconhecer e afirmar as atitudes, disse que fora as divergências políticas, ele se considerava um amigo de Luis Eduardo. Diz ele que do ponto de vista pessoal tinha uma amizade com ele, “fiquei também bastante comovido e, naquele momento, alguém lá… ‘vamos mudar o nome do aeroporto’… e, de forma rápida, se votou simbolicamente no Senado”. Ninguém dava pra refletir as consequências e o impacto que isso teria na história da Bahia. Estavam perplexos. Mas, que passado esse momento, todos reconhecem que não foi correto. O governador, recentemente, comentou comigo: O que poderia era pegar uma ala do aeroporto e batizar com o nome do ex-deputado. Terminal Luis Eduardo Magalhães…”. Pra não apagar totalmente, ter alguma área que fosse batizada, mas não o nome do aeroporto.

Leia mais sobre o Dois de Julho em terra Magazine

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