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OPINIÃO POLÍTICA

Vaca no brejo

Ivan de Carvalho

Antonio Palocci foi um dos três ministros mais importante da Era Lula, ocupando a pasta da Fazenda. José Dirceu, ocupando a chefia da Casa Civil e Dilma Rousseff, não como ministra das Minas e Energia, mas sucedendo a Dirceu como ministra-chefe da Casa Civil, completaram o trio de ouro do governo Lula.

Como certamente todos sabem, Dirceu foi derrubado do cargo pelo formidável Escândalo do Mensalão e não concretizou ainda condições para voltar a exercer mandatos eletivos ou cargos no Executivo. É, no entanto, um político com fortíssima influência em seu partido, o PT.
Quanto a Dilma Rousseff, superando pelo menos duas crises na Casa Civil – uma quando estava nela e a outra, mais grave, quando nela estava Erenice Guerra, sub-chefe indicada por Dilma para sucedê-la no cargo – está na Presidência.

E Antonio Palocci? A este a roda da fortuna pode ter ajudado a multiplicar por vinte seu patrimônio, estimativa que não contestou, recusando-se a falar sobre “valores”. O destaque que a política lhe deu terá sido essencial para a multiplicação do patrimônio – ele mesmo confessou que “um ex-ministro da Fazenda vale muito no mercado” –, mas a sorte lhe tem faltado quando se trata de manter-se nos poderosos ministérios que lhes são destinados.

Assim é que saiu às pressas, em 2006, do Ministério da Fazenda, por causa de suas inexistentes visitas a uma alegre mansão brasiliense, testemunhadas pela língua solta do caseiro Francenildo, e sobretudo por causa da vergonhosa quebra de sigilo bancário do caseiro, graças ao que lançaram sobre a testemunha a falsa acusação de ter recebido suborno para dar falso testemunho.

Mas Antonio Palocci é como o José de Carlos Drummond de Andrade. “Você é duro, Antonio”. E assim, voltou. Como deputado bem votado pelo PT de São Paulo, revelou-se um consultor de empresas de primeira linha. Extraordinário, performático. E daí saltou para ministro-chefe da Casa Civil da presidente Dilma Rousseff, um primeiro-ministro informal em sistema presidencialista.

Palocci (e grande parte do PT, mas não todo, que o PT tem lá os seus mistérios, o ex-ministro José Dirceu que o diga) ansiava pelo momento em que trocaria a Casa Civil de Dilma pela candidatura ao governo de São Paulo. Mas foi revelado o “milagre” da multiplicação do patrimônio e ele preferiu deixar a Casa Civil e o plano de governar São Paulo a explicá-lo.

Milagre, afinal (é o que dizem), por definição, é inexplicável.
Então a candidatura petista ao governo paulista, mais uma vez, sobrava para Aloizio Mercadante, ex-senador, agora ministro da Ciência e Tecnologia. Mas no fim de semana a vaca rumou decididamente para o brejo, onde parece considerar que é o seu lugar.

É da revista Veja a responsabilidade inicial pela orientação da vaca. Lembra a revista o Dossiê dos Aloprados, do qual o maior beneficiário, segundo considerava a Polícia Federal, era o petista Aloísio Mercadante, adversário do tucano José Serra em 2006 na disputa pelo governo paulista. “Às vésperas do primeiro turno das eleições, a Polícia Federal prendeu em um hotel de São Paulo petistas carregando uma mala com 1,7 milhão de reais”. O dinheiro era para comprar documentos falsos que ligariam Serra a um esquema de fraudes no Ministério da Saúde, que já ocupara.

No fim, a PF indiciou Mercadante, mas a acusação foi anulada por falta de provas. Agora a revista teve acesso a gravações de conversas de um dos acusados do crime, Expedito Veloso. Ele confirmou à revista “o teor das conversas”, mas admirou-se que tenham sido gravadas: “Era um desabafo dirigido a colegas de partido”, comentou.

O ministro (Mercadante) e o PT, segundo o desabafo (as conversas gravadas), acreditavam que envolver Serra em um escândalo garantiria ao candidato petista os votos necessários à vitória. Bem, a história toda o leitor encontrará em outros espaços da mídia. Eu só queria mesmo era anunciar a triunfal entrada da vaca no brejo

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