deu no site do blogueiro Chico Bruno:

( http://www.chicobruno.com.br/ )

Direto da Varanda: Chico Bruno
Trocando as bolas

O noticiário da imprensa traz claras demonstrações que o país está de ponta cabeça.

O “Samba do Crioulo Doido”, paródia composta pelo jornalista Sérgio Porto, sob pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, em 1968, está mais atual do que nunca.

A coisa está tão sem pé nem cabeça que até brilhantes jornalistas políticos andam trocando as bolas.

Adriana Vasconcelos, Gerson Camarotti e Vivian Oswald, no Globo, de hoje (16), por exemplo, abrem uma matéria com a seguinte afirmação:

“A presidente Dilma Rousseff determinou ontem aos governadores do Norte e do Nordeste que fechem um acordo com Rio de Janeiro e Espírito Santo para evitar a derrubada do veto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à redistribuição total dos royalties do petróleo, aprovada no ano passado por parlamentares.”

Os jornalistas usam o verbo determinar, grifado em negrito acima, ao invés de pedir.

Onde já se viu em uma democracia um presidente dar ordens a governadores eleitos. Isso é praxe em regimes de exceção, onde os governadores são nomeados pelos ditadores.

Em uma democracia, o presidente da República não manda em governadores eleitos pelo voto direto dos eleitores. Ele usa o verbo pedir.

Talvez, os jornalistas estejam contaminados pela versão de que a presidenta Dilma Rousseff não é dada a solicitar nada, mas a ordenar.

Essa versão é que faz a paródia de Sérgio Porto estar tão atual.

Aliás, a coisa anda tão destrambelhada, que a jornalista Renata Lo Prete reproduz no Painel da Folha, de hoje, o pito passado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, na nova ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, justamente pelo tratamento dispensado por ela a um grupo de governadores.

E olha que Ideli, apenas quis tirar uma lasquinha, mostrar serviço.

Ela disse ao grupo de governadores que, desde segunda-feira (13), “pedia a Dilma Rousseff que os recebesse”.

O governador de Pernambuco não gostou do que ouviu e repreendeu Ideli.

– Com todo o respeito, a senhora sentou nessa cadeira agora. Nós somos governadores eleitos. Não precisamos de ajuda para falar com a presidente.

Resumo da ópera.

A coisa anda tão fora dos conformes neste Brasil varonil, que a toda hora o Supremo Tribunal do país é acionado para interpretar artigos cristalinos da Constituição.

Em alguns momentos fica explicito que ainda falta muito para que o país apague, de uma vez por todas, os resquícios da recente ditadura militar.

Essa resistência ao exercício pleno da democracia ocorre por que muita gente ainda usa os mandatos eletivos de forma torpe em benefício pessoal e não em prol do coletivo.

É por isso que tanta gente troca alhos por bugalhos

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Comentários

Marco Lino on 17 junho, 2011 at 2:19 #

Ideli é a ministra das Relações Institucionais, não? A da Casa Civil é a loura Gleisi.

É claro que isto não muda em nada o enredo do samba.


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