Rio:paisagem da janela do ap de Gilson

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CRÔNICA/SENTIMENTOS

Feijoada carioca

Gilson Nogueira

Dois grandes bolos, um de banana e outro de laranja, sobre a mesa onde Tico, o gato mais misterioso do mundo, resgatado em Santa Tereza , deu para subir durante o almoço da família. Minha netinha, ajoelhada na mesinha de centro da sala, assistindo Ra Tim Bum. O sol aparece entre as nuvens escuras da chuva que deverá cair lá pelas oito horas da noite. Seus raios ultrapassam a vidraça esquentando o pequeno quarto do computador e do toca discos.

Retiro a camisa azul e branca de malha de manga comprida fabricada em Blangadesh que ganhei de presente de minha filha mais velha de aniversário e mergulho na idéia de escrever uma crônica falando de comportamento. Tudo porque acabo de ler Ruy Castro, na Folha de São Paulo, relembrando encontros, como repórter, com atrizes de cinema, na época das reportagens em revista e jornais em que trabalhou.

Meu genro acaba de encontrar-se, casualmente, com o filho do colega Ancelmo Gois, no corredor da Cobal do Humaitá. Não cumprimentei o amigo porque,quando me dei conta, estava falando sozinho, próximo a mesas e cadeiras vazias de uma pizzaria que serve de arquibancada das torcidas cariocas em dias de clássicos transmitidos, ao vivo, por canais abertos e fechados de TV.

Ouço o som do motor do primeiro helicóptero a sobrevoar a cabeça da estátua do Cristo Redentor transportando turistas que pagam nota preta para registrá-la em fotos e filmes.Entram pela janela um cheiro de churrasco e as buzinas e vozes de mais um sábado na cidade do Rio de Janeiro das orquídeas enfeitando troncos de árvores, entre as quais uma de flores amarelas que combinam com o azul do mar e o verde da floresta cariocas.

Tico mia.Pisaram o rabo dele. Minha netinha dá as ordens e indaga: ” Vamos almoçar aonde ? ” Respondo: “ Academia da Cachaça,na Barra da Tijuca!” Aprovação total. E a crônica nascida da idéia de falar das coisas efêmeras?,pergunto-me. Não dá para demorar. São,quase,duas horas da tarde, o estômago ronca feijoada. “ Não esqueçam o CD de João Gilberto,para escutarmos,no carro! ,lembra minha mulher.

Começa a esfriar, de novo, na terra em que verão e inverno dormem juntos.O Rio continua um barato. Cada dia mais maravilhoso!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta

jun
11

DEU NO IG

O governo da presidenta Dilma Rousseff conseguiu manter um bom índice de aprovação mesmo com a alta da inflação e a crise política que levou à demissão do ex – ministro chefe da Casa Civil, Antônio Palocci.

É o que mostra uma pesquisa do Instituto Datafolha que ouviu 2.188 pessoas na última quinta (9) e sexta-feira (10). Entre os entrevistados, 49% consideram Dilma como ótima ou boa.

Em março, o índice de aprovação de 47% já era comemorado por ser a melhor avaliação obtida por um presidente em início de mandato. Superou até Lula, que em março de 2003 começou seu governo com 43% de aprovação.

Apesar da popularidade do governo ter sido mantida, outros índices da pesquisa mostram o impacto negativo da crise. A imagem pessoal de Dilma foi afetada e as expectativas relacionadas à economia, principalmente à inflação, pioraram.

A maioria dos entrevistados afirmou também que espera que o ex-presidente Lula opine nas decisões da presidenta.

jun
11

Dantas: milagre do supremo

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DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Wálter Maierovitch

grande vencedor da semana foi Daniel Dantas e não Battisti.
Na Justiça brasileira, o verdaeiro milagre da causa impossível foi protagonizado pelo banqueiro Daniel Dantas e não por Cesare Battisti.
Dantas tinha uma causa impossível e demostrou que milagres acontencem na Justiça brasileira.
Dantas conseguiu, perante o Superior Tribunal de Justiça, uma decisão em que o acessório foi mais importante do que o principal. Onde a verdade real, ou seja, a comprovada corrupção ativa, restou desprezada. O STJ passou uma borracha, como se a corrupção ativa acontecida não tivesse relevância.
Vamos aos fatos e a mostrar o quanto nossa Justiça é cega. A balança da Thêmis (deusa da Justiça) está desequilibrada, a precisar de urgente revisão.
Francisco Campos, apelidado de Chico Ciência, apresentou, em 1941 e quando era ministro da Justiça, o novo código de processo penal brasileiro. Na exposição de motivos que preparou, e ao tratar do capítulo das nulidades, Francisco Campos frisou não deixar a nova legislação oportunidades para se “espiolhar nugas”, ou seja, catar quinquilharias.
Pela nova lei, alertava o ministro Francisco Campos, nenhuma nulidade processual poderia ser reconhecida se não tivesse causado prejuízo real, efetivo e concreto para a defesa ou a acusação.
Como se sabe, o banqueiro Daniel Dantas, conforme uma enxurrada de provas, interceptações telefônicas com autorização judicial e gravações feitas com o acompanhamento da equipe da rede Globo, procurou, por interpostos agentes, corromper policiais em apurações na denominada Operação Sathiagraha. Na casa de um dos enviados de Dantas, o professor Hugo Chicarini, a polícia federal apreendeu R$1,1 milhão.
O imputado mandante do crime, banqueiro Daniel Dantas acabou condenado, em 2008, por consumado crime de corrupção ativa. Então, o banqueiro impetrou habeas corpus a fim de anular as provas colhidas na Operação Satiagraha e, por conseguinte, desconstituir a condenação por corrupção ativa prolatada pelo juízo da 6ª.Vara Criminal Federal e lavra do juiz Fausto De Sanctis.
Por 3 votos contra 2, a 5ª.Turma do Superior Tribunal de Justiça concedeu a ordem de habeas corpus para anular a mencionada Satiagraha e o processo condenatório da 6ª.Vara Criminal Federal.
Para os ministros julgadores, exceção a Gilson Dipp e Laurita Vaz, a participação de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão subordinado ao gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, foi ilegal e contaminou toda a apuração.
Decisão de pasmar. Nenhuma dúvida pairava sobre a consumação de um grave crime a mando de um poderoso banqueiro. Para os ministros Adilson Macabu, Napoleão Maia e José Mussi, o importante era “espiolhar nugas”. A verdade real era secundária.
Os agentes da Abin, que são servidores públicos do mesmo poder Executivo ao qual se subordina a polícia federal, em nada interferiram na consumação do crime de corrupção. E a nulidade mal decretada gerou impunidade. A decisão condenatória tinha sido, bem antes do habeas corpus que a anulou, confirmada no Tribunal Regional Federal da 3ª.Região que não considerou ilegal a participação de agentes da Abin na Satiagraha.
Como as imagens falam por si, vale a pena conferir o vídeo da Rede Globo, quando consumou-se a corrupção ativa (não existe no d.brasileiro tentativa de corrupção).
http://www.conversaafiada.com.br/video/2011/06/09/o-video-bomba-dantas-suborna-no-jn-stj-e-gilmar-ignoram/

Wálter Fanganiello Maierovitch, advogado

Geddel: “Não temos nenhuma dificuldade em
conversar e, se for o caso, chegar a coligações
com essas legendas (PSDB, DEM e PPS).

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OPINIÃO POLÍTICA

PMDB da Bahia sem amarras

Ivan de Carvalho

Um telefonema do ex-deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima, ex-presidente e principal liderança do PMDB da Bahia, veio mostrar que mesmo este repórter, que nos últimos dias múltiplas vezes chamou a atenção para o fato de que as aparências frequentemente enganam, conseguiu escapar a esta realidade.

Na quinta-feira, afirmei, entre outras coisas, que as maiores dificuldades para uma aliança ampla das oposições, envolvendo PSDB, PMDB, DEM, PR e PPS, pelo menos, já no primeiro turno das eleições para a prefeitura de Salvador e, depois, para as eleições majoritárias de 2014 estão no PMDB e no PR.

Tais dificuldades residiriam no fato de que as duas legendas, ao contrário das demais acima citadas, integram a aliança que dá sustentação ao governo Dilma Rousseff, um governo basicamente do PT. Afirmei ainda que as duas legendas poderiam sem problemas lançar candidatos próprios nas eleições municipais e estaduais baianas (ou se coligarem, acrescentaria agora), mas seria difícil se aliarem, apoiando, na Bahia, candidatos de partidos que fazem oposição não só ao governo estadual como ao federal. O problema se agravaria pelo fato de estarem atualmente sem mandato eletivo tanto Geddel quanto o presidente estadual do PR, ex-senador e ex-governador César Borges.

“Não temos nenhuma dificuldade em conversar e, se for o caso, chegar a coligações com essas legendas (PSDB, DEM e PPS). Aprendemos isso com o governador Jaques Wagner, quando apoiou a candidatura de Antonio Imbassahy a prefeito, indo mesmo à convenção e fazendo discurso de apoio, sendo o candidato Imbassahy do PSDB, principal partido de oposição ao governo federal, então chefiado pelo ex-presidente Lula”.

“O compromisso do PMDB da Bahia é com o projeto nacional do PMDB e, neste, o que há é uma aliança com o governo Dilma Rousseff, um apoio e participação neste governo. Não é uma aliança com partidos e esse compromisso (do PMDB com o governo federal) não tem qualquer conotação eleitoral.”

O líder peemedebista poderia ter dito isto e já teria dito o suficiente para esclarecer a questão e mostrar que aparências enganaram (no caso, a este repórter). Mas então ele acrescentou que seu jogo “é aberto”, disse que é claro que se o PMDB da Bahia puder ter candidato próprio (a prefeito de Salvador, por exemplo), não vai ficar com cerimônia, é mais agradável. Mas se convier coligar-se com legendas que fazem oposição ao governo federal (além do estadual, claro), não tem o menor motivo para não fazer isto.

E foi adiante. “Para o PT, receber o apoio de qualquer partido, vale, seja quem for, mas para o PT apoiar não é assim”, disse, para completar no mesmo fôlego: “Eu converso com todo mundo. Não tenho nenhuma dificuldade pessoal ou partidária para costurar as alianças que nós do PMDB acharmos convenientes para o nosso estado e a nossa capital”. E absolutamente explícito: “Vamos conversar com os partidos que fazem oposição ao governador Wagner. Ele mesmo nos ensinou isto quando apoiou Imbassahy, de importante partido de oposição ao governo de Lula.”.

E para completar, referindo-se ao apoio nacional do PMDB (o que inclui a seção baiana) ao governo federal: “Não tenho amarras. O compromisso não é verticalizado”.

Taí. É isso. Acho que por enquanto.

jun
11


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Só agora, quando já passa da meia noite , dei com os olhos cansados na linda mensagem de Fabi, na qual desvenda o aniversário do pai, Gilson Nogueira. Figura tão merecidamente amada por ela e por muita gente mais na Bahia, a exemplo deste editor do BP e toda a sua família.
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Caro Vitor,
hoje, dia em que o mestre Joao Gilberto completa 8 décadas, o meu paizao, um dos maiores admiradores da Bossa no Brasil, Gilson Nogueira, celebra 66 anos de uma vida repleta de gota de orvalho em pétala de flor e plumas que o vento vai levando pelo ar!!!
Parabéns, pai!
Amo-te.
Fabi”
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Gilson foi o primeiro estimulador e colaborador do Bahia em Pauta, com cujos leitores ele segue partilhando generosamente sua imensa sensibilidade e conhecimento musicais – um guardião da Bossa Nova, como assinala Fabi -, seu notável traço de desenhista inimitável, seu texto delicioso de jornalista dos bons e seu imenso amor pela Bahia e paixão pelo Bahia.

Parabéns, Gilson ! Para você vai o hino do seu time amado. A alma do Bahia em Pauta canta em louvor de seu grande e inestimável amigo e parceiro.

(Vitor Hugo Soares)

jun
11

Lula recebe Ollanta Humalla (Peru) em SP…

,,,e no Anhembi só o calo incomoda/AE

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ARTIGO DA SEMANA

BARBA, CABELO E BATTISTI

Vitor Hugo Soares

Em Brasília, na tarde de terça-feira, a nata política e administrativa do governo Dilma se desdobrava em múltiplas caras e bocas. No palco central e no auditório se encenava um espetáculo histórico de malabarismo e dissimulação política. Algo assim à altura dos melhores shows do gênero em tempos republicanos já levados à cena pública no Planalto Central do Brasil.

Era o bota-fora do indecifrável ex-ministro Antônio Palocci, que acontecia no mesmo ato das celebrações à senadora petista Gleisi Hoffmann, nova dona do pedaço na Casa Civil, agora segunda figura mais poderosa da República e personagem mais indecifrável ainda. Isso a avaliar pelo noticiário e análises sobre o fato, associados ao inesgotável “quem ganha e quem perde” tão ao gosto dos jornalões nacionais.

Enquanto isso, no Pavilhão de Feiras do Anhembi, em São Paulo, na mesma data, a chamada grande imprensa comia moscas. Ali, Luiz Inácio Lula da Silva desfilava fagueiro cercado de lindas jovens recepcionistas de um evento de grande empresa patrocinadora de mais uma palestra do ex-presidente da República.

O cenário paulista completava de certa forma a simbologia da cerimônia no Planalto Central. As duas cenas completavam-se como modelo perfeito das relações de poder atualmente no País.

As moças disputavam, entre empurrões mal disfarçados, uma pose em fotografias ao lado do ilustre palestrante. Em volta, empresários do grupo patrocinador da palestra, assessores, convidados e visitantes presentes no monumental pavilhão paulista de feiras e exposições, mantinham um olho grudado em Lula e outro nos jornalistas que rondavam o lugar.

Estes, obviamente mais interessados em conseguir “umas aspas do ex-presidente” sobre o afastamento de Palocci e a chegada de Gleisi no governo Dilma, que propriamente no evento em si, do qual o palestrante acabara de participar, regiamente pago.

E chega, finalmente, o momento mais aguardado do dia no Anhembi. Enquanto caminha entre beijos, abraços, fotografias e tomadas de imagens para televisões e peças publicitárias (a campanha municipal que vai incendiar São Paulo e o país está chegando), Lula dá uma rápida parada para a foto que as recepcionistas rogavam. Um repórter aproveita para encaixar a pergunta sobre o estado de espírito do ex-presidente diante do que acontecia na capital federal.

A resposta foi emblemática, ao sintetizar o ânimo do mais caro e mais requisitado palestrante brasileiro da atualidade: “Tem algum motivo para eu não estar bem? Tem. Meu sapato está apertando o pé”, brincou.
Em seguida, já com uma máscara mais compungida no rosto, recompôs um pouco as declarações para torná-las mais apropriadas à ocasião. O ex lembra “como é triste afastar um companheiro do governo, como eu já precisei fazer antes e Dilma fez agora, na hora certa”.

Ao falar sobre Gleisi Hoffmann no lugar de Palocci, vem o toque final no melhor estilo do petista sempre com um pé no antigo PSD antes de Kassab: “Eu acho que se a companheira Dilma escolheu, está certo.”

Depois entram em cena no Anhembi os seguranças da empresa patrocinadora do evento (Tetra Pak) para um show à parte de maus modos e brutalidade, enquanto iam abrindo espaço no muque na retirada estratégica de Lula para longe de uma pergunta mais específica e incômoda sobre o ex-ministro Antonio Palocci.

“Que Palocci? Aqui ele só fala sobre embalagens (produto da Tetra Pak)”, grita Paulo Okamotto, sócio e assessor de Lula, enquanto tratava também de bater em retirada do centro de feiras da capital paulista.

Em resumo, o fato é que esta foi uma daquela semanas que os torcedores de futebol na Bahia costumam chamar de “barba , cabelo e bigode”. Sem motivos de fato para queixas do ex-presidente, que segue dando cartas e repetidas demonstrações de que o governo Dilma ainda não aprendeu a caminhar sem a muleta do ex.

E, provavelmente, pelo andar da carruagem nas últimas semanas, nem faz muito esforço para isso, apesar da forte torcida em contrário dentro da própria aliança governista.

Para o lugar do ministro afastado do time principal por falha grave e falta de saída à vista, Dilma convocou no Congresso um nome da mais estrita confiança do ex-presidente. A “advogada de Lula”, como alguns petistas do primeiro time se referem a Gleisi Hoffmann em círculos de bastidores do partido no poder.

Com 22 anos de PT, a respeitada técnica paranaense que já comandou a binacional Itaipu, parlamentar de primeira viagem – mas aparentemente promissora também na política -, a atual comandante da Casa Civil já havia sido convocada antes por duas vezes pelo próprio Lula para compor ao lado de Dilma as duas equipes de transição de seus governos em dois mandatos seguidos. Mais identidade, impossível. O resto é conversa jogada fora. Ou não passam de meras ilações que exigem provas factuais, como se diz em bom jargão jornalístico.

Quatro dias depois de declarado vencedor nas eleições presidenciais do Peru, o esquerdista Ollanta Humalla desembarcava em Brasília, para abraços de agradecimentos e juras de longas e profícuas relações políticas, econômicas e diplomáticas entre o Atlântico e o Pacífico na América Latina.

Não é mais segredo para ninguém – a não ser para desavisados e desinformados completos, que Humalla trocou o venezuelano Chávez pelo brasileiro Lula em sua retórica de campanha para vencer desconfianças do empresariado peruano. Isso está sendo considerado fundamental nas análises de sua vitória sobre a direitista Keiko Fujimori.

E uma lambuja no saldo de Lula, antes da semana terminar. A decisão por seis votos a três no Supremo Tribunal Federal, recusando a extradição do militante italiano Cesare Battisti, posto em liberdade da prisão na Papuda e que já cuida dos papéis para permanecer no Brasil.

Fora o calo causado pelo sapato novo, o que poderia incomodar o ex-presidente? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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Luiz Gonzaga – 50 anos de chão – disco 3

(VHS)

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