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Postado em 07-06-2011
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 07-06-2011 11:17

Img. Folha

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OPINIÃO POLÍTICA

A presidente, o ministro e o tempo

Ivan de Carvalho

Ando lendo coisas interessantes por aí. Uma delas, no domingo, dando conta de que a presidente Dilma Rousseff vai consultar seu antecessor e até recentemente patrono político Luiz Inácio Lula da Silva, além de outras pessoas graúdas do governo e do PT, sobre a substituição de Antonio Palocci por outra pessoa no cargo de ministro-chefe da Casa Civil.

Ontem, por sinal, Hugo Chávez, o incrível ditador-presidente da Venezuela, estimulou Palocci a ter “fuerza, fuerza”, mas não esclareceu se seria força para sair ou para ficar no cargo. Talvez fosse algo assim como “fuerza, compañero>, suporta el tombo”.

Ora, a presidente vai consultar para ouvir opiniões de que o atual ministro deve permanecer ou deixar o cargo e, naturalmente, o governo? Se é isso, ela haverá de descobrir que está perdendo um tempo precioso, ao não fazer logo o que deverá fazer um pouquinho mais adiante, sejam quais forem as opiniões que ouça em suas consultas (não confundir com consultorias que, no caso, são de Palocci e coisa bem diferente).

Também tem sido escrito, como hipótese possível, que a demora em curso no desfecho político (não se pode descartar um posterior desfecho jurídico) levaria em conta a espera de um pronunciamento formal do procurador geral da República, Roberto Gurgel. Ele pediu informações a Palocci sobre seu enriquecimento e as recebeu, só que extremamente sintéticas. As informações que enviou à PGR terão representado muito pouco além das que deu (na verdade, não deu) na entrevista exclusiva ao Jornal Nacional, da Rede Globo.

Como estas últimas não satisfizeram a nação, as que foram encaminhadas a Gurgel, pode-se apenas supor, claro, não o terão deixado satisfeito. Mas aí o caso não é de satisfação ou não, mas de decisão de abrir uma investigação criminal. Uma investigação civil pública para examinar se houve ou não improbidade administrativa já foi aberta pela procuradoria da República no Distrito Federal.

Pode-se admitir, só como hipótese, aliás muito improvável, que a presidente esteja esperando para ver se Gurgel abre ou não a tal investigação. Se não abrir, Dilma manteria Palocci, caso contrário, o dispensaria. Mas, como dito, tal hipótese é muito improvável.

Em relação à decisão de Gurgel, o que talvez mova a presidente seja a esperança de que o procurador geral decida não abrir a investigação. Pouco depois, ela dispensaria Palocci (melhor, Palocci é que pediria para sair), mas contando com essa atenuante da não abertura de investigação criminal pela PGR.

O risco é que Gurgel decida pela abertura da investigação (o que, devido às circunstâncias e ao conjunto dos fatos, parece ser o seu dever). Se Palocci sai depois que isto acontecer, ruim para ele, mas muito pior, feio mesmo, para a presidente Dilma, por não haver se antecipado. A mídia divulga que uma pesquisa de opinião pública já acusa expressivo desgaste da presidente Dilma causado pelo Caso Palocci. Melhor dizendo, pelo Segundo Caso Palocci, pois o primeiro foi o do caseiro Francenildo, sua mansão e sua poupança.

É bom notar: Palocci não pode ser maltratado. Ele foi posto no governo por Lula e sabe quase tudo de tudo deste governo, da recente campanha eleitoral, do governo passado, do PT. É um patrimônio político para ninguém botar defeitos, apesar deles.

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