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Claudia Andrade

Direto de Brasília

O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), afirmou nesta quarta-feira que, se a convocação do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, pela Comissão de Agricultura estiver conforme o regimento da Casa, será mantida. O requerimento para que Palocci explique sua evolução patrimonial para o grupo foi aprovado na manhã de hoje, em uma reunião controversa.

Maia se esquivou de revelar seu posicionamento sobre o tema, alegando desconhecer o teor do questionamento que a base apresentará em plenário para tentar reverter a convocação. Ele disse, no entanto, que vários pontos podem ser usados no questionamento, sob uma análise do regimento da Casa, inclusive a legitimidade da Comissão de Agricultura para convocar o ministro da Casa Civil.

“Se a votação for de acordo com o regimento e se a questão de ordem que for apresentada em plenário não tiver amparo no regimento, vamos indeferir. Se (a questão de ordem) tiver coincidência com o requerimento, vamos deferi-la”, afirmou.

O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou que tentará reverter a convocação levando a questão para o plenário. “O que aconteceu na Comissão de Agricultura foi um golpe”, disse, repetindo o discurso do ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio. “O presidente (da comissão) anunciou um resultado que era autoritário. Isso nunca aconteceu aqui”, afirmou o líder governista.

Ele anunciou que a decisão será alvo de questionamento no plenário. Um outro requerimento poderá ser votado. “O argumento será para que o presidente da Casa restabeleça a ordem. Deve ser anulado o resultado (do requerimento aprovado) e aí vai ter outra votação, que vai ser nominal, e vocês vão ver o que a maioria quer”, disse.

Um requerimento de convocação de Palocci já foi apresentado no plenário da Câmara e derrubado pela base governista por 266 votos contra 72. Na Comissão de Agricultura, a votação foi simbólica e o governo argumenta que a maioria dos governistas no colegiado era contra a aprovação.

O líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), disse que, se a convocação for revertida, recorrerá ao Supremo Tribunal Federal para garantir o comparecimento de Palocci no Congresso.

Na reunião de hoje da comissão, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) conseguiu aprovar requerimento para que o ministro explique os termos da consultoria prestada pela empresa Projeto a empreendimentos do ramo agroindustrial, o que teria redundado em um aumento de cerca de 20 vezes no patrimônio de Palocci. O texto se baseia em matéria do jornal Folha de S. Paul para justificar a convocação, afirmando que a soma bruta de R$ 974 mil que Palocci teria recebido como parlamentar “seria insuficiente para as aquisições recentes feitas pelo ministro: um apartamento e um escritório, ambos na cidade de São Paulo. O primeiro, ao valor de R$ 6,6 milhões, fica no nobre bairro dos Jardins. Já o escritório, comprado por R$ 882 mil, fica na rua mais cara do País, a Avenida Paulista!”, relata o requerimento.

Segundo o democrata, entre as empresas para as quais a Projeto prestou consultoria “encontram-se algumas do ramo agroindustrial, quais sejam, Sadia Holding e Vinícola Aurora” e que, por isso, “é de fundamental importância” que sua Comissão se aprofunde no assunto para “avaliar qualquer possível favorecimento em razão da posição política ocupada” pelo principal membro do gabinete da presidente Dilma Rousseff.

O ministro afirmou na semana passada, por meio de notas, que seu aumento patrimonial está detalhado na declaração de Imposto de Renda e que a Projeto prestou serviços a clientes da iniciativa privada “tendo recolhido sobre a remuneração todos os tributos devidos”.

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Comentários

João Justiniano da Fonseca on 1 junho, 2011 at 22:11 #

Penso que já passou do tempo de o ministro mostrar à Nação Brasileira – e o lugar melhor para isso é o plenário do Congresso Nacional – como em tão curto espaço tempo na atividade empresarial em um em escritório aparentemente inexpressivo, ganhou tanto dinheiro.
E não é bom esquecer que Cólor foi defenestrado em razão de atividades ditas escusar do coordenador de sua campanha. E que Lula passou maus momentos com atividades também assim referenciadas de seu chefe da Casa Civil e talvez só por ser Lula, com um apoio popular extraordinário se salvasse. Dilma está longe, longe de ter igual apoio. E Lula já está fora do governo e não se sabe se terá para Dilma o apoio que teve para si. pessoalmente. O vice do PMDB está aí cantando de galo, doido para ser Itamar.
Diria do meu humilde recanto que se o ministro não se dispõe a justificar sua fortuna, deixa a entender que pode não ser ilícita. E como tal deverá pedir o chapeu e retornar ao seu fácil ganhar dinheiro. Ou o entregue, se ele não pede, a presidente. Com fogo não se brinca. Mais: dizem os mais velhos do que eu, que quem deve a Deus paga ao diabo.
Uma observaação: eu votei três vezes com Lula e uma com Dilma.


Marco Lino on 1 junho, 2011 at 22:57 #

Perfeito. O pai do grande João Nazareno, meu amigo, “falou e disse”. Subscrevo.


regina on 2 junho, 2011 at 0:18 #

Caro Marco Lino – sendo amigo de João Nazareno, filho do grande João Fonseca ou simplesmente “Seu” Fonseca, nosso tio, pai também do saudoso Dimas, que fazia a moderação desse blog, você está em casa. Isso sem contar na sua generosa contribuição a esse blog, o que o faz leitor/comentarista de carteirinha!
Não é pequeno o mundo?


Marco Lino on 2 junho, 2011 at 8:42 #

Nenhuma dúvida acerca da pequenez do mundo, Regina – apesar de Drummond chamá-lo de vasto (risos).

Conheci Nazareno há uns cinco ou seis anos no curso de filosofia (eu mudei de curso, ele, felizmente, continuou). João era (e continua sendo) politizado, contestador, incisivo, mas generoso ao extremo com todos. Fiquei muito amigo dele – eu, aliás, minha irmã Marlene e todos do curso. Ele é o tipo que pode ser chamado de “gente boa da melhor qualidade”.

Abraços


vitor on 2 junho, 2011 at 12:13 #

Marco Lino e Regina
Zé Nazareno (Jose Nazareno) é o nome do filho do poeta e escritor João Justiniamo da Fonseca. A ordem dos fatores, porém, não altera o produto. Duas belas figuras da Bahia, ambos . Quanto a Marco Lino, muito bom saber da proximidade


regina on 2 junho, 2011 at 12:34 #

Obrigada Hugo, a distância e tempo me fez fazer a confusão no nome do menino que eu conhecia apenas por Nazareno.
bjs a todos!


Marco Lino on 2 junho, 2011 at 13:08 #

Bom, o Nazareno que conheço, Vitor e Regina, é o João Nazareno Melo da Fonseca, que conheci em São Lázaro, no curso de Filosofia.

Visitando o site do Sr. João Justiniano (visito os sites dos que interagem com o BP), coincidentemente vi algumas fotos do Nazareno, o João, e comentei com ele sobre a coincidência do achado. Em resposta, o mesmo disse-me que, não obstante a idade, o Sr. João continuava bastante lúcido e escrevendo, produzindo.

Abraços!


regina on 2 junho, 2011 at 15:21 #

Marco – familia grande tem disso, muitos Joãos e Josés. O importante é o encontro dos personagens!!!
Abraços!


vitor on 2 junho, 2011 at 16:29 #

Marco Lino

É o mesmo, Lino. José Nazareno Melo da Fonseca, o Zé Nazareno, filho de João Justiniano da Fonseca., o escritor baiano com 90 de idade e em plena forma. Valente e generoso. Nazareno também, como vc conhece pessoalmente. Grande abraço


vitor on 2 junho, 2011 at 16:40 #

Marco Lino

Traição da memória, outra vez. Você está certo. Tem João Justiniano Melo da Fonseca, que a gente chama de Né Justino. Filho de seu João Fonseca, irmão de Zé Nazareno e, como vc descreve com exatidão, “gente da melhor qualidade”. Grande abraço


Marco Lino on 2 junho, 2011 at 22:27 #

Para mim, o mais importante é a beleza desse sertanejo baiano e nordestino. Euclides da Cunha errou no varejo (ao criticar a aparência física), mas acertou em cheio no atacado: “o sertanejo é, antes de tudo, um forte.” Que povo bravo, inteligente e belo! Impossível entender Canudos sem conhecer essa brava gente.


Gracinha on 3 junho, 2011 at 1:16 #

Muito legal os encontros, refresco de memórias e tudo mais que a internet permite através, dentre outros, dos blog, sites etc… mas concordo c/ o escritor João Justiniano , o ministro deve uma explicação à nação


regina on 3 junho, 2011 at 13:29 #

Esse é o cara de quem falava-mos Marco Lino: João Nazareno Melo da Fonseca é Avaliador Judicial da Capital, Idealizador, e ex-diretor fundador do SINPOJUD. Acadêmico de direito na UCSAL, concluinte de filosofia na UFBA e Pós graduando em Direito Cível e Processo Civil na EMAB.
veja-o em:
http://luizfrederico.com.br/blog/?m=201005


Marco Lino on 3 junho, 2011 at 18:05 #

Regina, repetindo a apresentação feita por Pôncio Pilatos do outro Nazareno mais famoso (e que Nietzsche repetiu em um de seus livros), “eis o homem”. Este é o João Nazareno. O homem é só correria. Ele tomava um mel milagreiro e conseguia pegar 4 disciplinas em São Lázaro e 5 na UCSAL – além de suas atividades no TJ e no sindicato. Eu, um pouco mais novo mas com um décimo da disposição dele, pegava 3 e acabava o semestre quase morrendo.

Grande figura, queridíssimo em São Lázaro. Gosto muito dele.
Abraços


regina on 3 junho, 2011 at 18:12 #

RSRSRSRSRS
Quase vira novela…
Abração! Se cuide!


Maria do Socorro M. Fonseca on 5 junho, 2011 at 13:42 #

Bem, so para finalizar a “novela”: o filho de Joao Justiniano (meu pai) eh Joao Nazareno mesmo Vitor, e nao Jose Nazareno; quanto ao “Ne Justino”, o seu nome eh Manoel Justiniano Melo da Fonseca, seria o nome do nosso avo paterno, sem o Neto, porque inserido o sobrenome Melo de minha mae.
Esclarecido? O Marco Lino tem razao…
Parece-me (nao tenho certeza) que ha um Jose Nazareno la de Rodelas que eh medico…


vitor on 5 junho, 2011 at 20:59 #

Maria do Socorro

Vem de Bostom, finalmente, a voz de socorro que o Bahia em Pauta precisava para esclarecer tudo, de uma vez. No caso do editor, confesso que só contribui para aumentar a confusão. Deve ser efeito do antialergico que a dermatologista me passou. Olha aí, Marco Lino, palmas para você.

Obrigado, Socorro, pelo socorro, e boa estada em Boston com as duas Alice (mãe e filha ) Espero não ter errado desta vez. Saudades!


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