maio
31

Pelegrino: vontade não falta mas PT
protela decisão sobre candidatura

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OPINIÃO

Correndo atrás do prejuízo

Ivan de Carvalho

Como sempre antes na história desta cidade, o deputado Nelson Pelegrino, do PT, aspira ocupar o cargo de prefeito e, assim, pretende ser candidato à sucessão de João Henrique em 2012. No momento, ele parece aflito, correndo atrás do prejuízo. Mas não está sozinho na aflição nem na correria.

Embora nem todo, mas grande parte do PT, incluindo a grande maioria do Diretório Municipal – que estabeleceu um cronograma para escolha do candidato, na pior das hipóteses até agosto e, na melhor, até o final de junho – está empurrando Pelegrino nessa corrida em busca do tempo perdido. Ou de luta pelo espaço em acelerada ocupação.

Permita o leitor uma breve memória. O deputado Pelegrino aparentava ser (aparências enganam) o aspirante único e natural à prefeitura. E o PT passava a impressão (dele, PT) de que navegava em mar sem escolhos para suceder ao prefeito João Henrique, ora no PP.

Pelegrino planejava seus movimentos para ser o primeiro aspirante a se lançar informalmente. Queria sair na frente. Então o mar da capital ensaiou umas marolas. Primeiro foi o lance de magia política de Fátima Mendonça, mulher do governador Jaques Wagner. Ela admitiu a hipótese de ela ser candidata a prefeita, não pelo PT, mas pelo PV, e Wagner, convidado a se manifestar, o fez para esclarecer que cada qual no seu quadrado. Ele e o PT, um quadrado. Fátima e o PV, outro quadrado. E o livre arbítrio, direito inalienável de todo ser humano, no comando do primeiro casal.

Muita gente ainda continuava justificadamente estupefata com esse lance de magia política (magia a gente tem dificuldade de entender, mas, se é bem feita, produz resultados) quando apareceu o senador Walter Pinheiro e deu declarações que induziam os petistas a avaliarem que não havia candidato natural nenhum e que não se podia dizer que o partido tem um candidato sem conversar antes com os aliados. Uma pedra enorme nos planos de Pelegrino de sair na frente.

Para completar, círculos petistas mais ligados a Pelegrino providenciaram uma pesquisa de opinião pública eleitoral. O PC do B sofrera severa perda de espaço no meio universitário e intelectual. Pois bem, a pesquisa mostrou que o aspirante petista está fraco nessa área, bem como mostrou pouca simpatia por ele na nova classe média lulista e até mesmo petista. Motivos? Sabe Deus. Talvez falta de carisma, ou talvez certas faixas do eleitorado tenham lá os seus caprichos, como a Geni de Chico Buarque. Planos para ações que levassem a uma melhoria nesses dois flancos contribuíram para retardar o lançamento da, digamos, pré-candidatura.

Mas então foram aparecendo aos borbotões outros aspirantes à prefeitura, não petistas, numa velocidade espantosa. O PC do B olhou, notou o espaço vazio, decidiu – “Tô lá”. E lá está a carismática candidata comunista Alice Portugal. E com seu carisma afrodescendente e reconhecimento intelectual, o vice-prefeito Edvaldo Brito, do PTB. E com sua influência no subúrbio, o deputado Marcos Medrado, do PDT. E com sua votação vistosa em Salvador, o deputado Maurício Trindade, do PR. E pelo Democratas, ACM Neto ou José Carlos Aleluia, não se sabe qual dos dois, mas um deles deverá ser, com provável apoio do PSDB. Cada um no seu quadrado. O PMDB está quieto, ainda. Mas até o PSB já respira fundo, meditando se lhe convém mergulhar nesse mar.

Então o PT, diante desse incrivelmente antecipado (para os padrões brasileiros) mexe-mexe, pulou no mar sem colete salva-vidas. Antes que não mais se achasse um quadrado para ele nesse mar. Se não houver prévias, Pelegrino estará escolhido candidato no dia 30 de junho. Mas se a Articulação de Esquerda executar seus planos de lançar para disputar nas prévias o deputado federal Valmir Assunção, a disputa poderá ocorrer em agosto, segundo o cronograma. Gente de outras tendências petistas poderá votar, querendo, no candidato da Articulação de Esquerda.

O governador Jaques Wagner, todos sabem, está com posição favorável a Pelegrino, e, apesar de sua estratégia habitual de dar tempo ao tempo para ver se este resolve os problemas e só entrar nas bolas divididas em últimos caso e momento, é um inspirador da idéia de que o partido se apresse, de modo a deixar as disputas para trás e trabalhar os que votam.

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