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CRÔNICA/Novelas

Jesuíno, Açucena e Palocci

Janio Ferreira Soares

Qual a receita para uma boa novela? Um belo tema de abertura? Atores que parecem nascidos para os respectivos personagens? Maldades desfeitas nos capítulos seguintes? Humor e situações como nos tempos de Dias Gomes? Imagens e paisagens espetaculares? Pois tudo isso – e mais um pouco – está em Cordel Encantado, mais precisamente na fictícia Brogodó, cidade cenográfica construída nos estúdios da Globo, mas que poderia muito bem estar localizada às margens do cânion do São Francisco, entre Paulo Afonso (BA), Canindé (SE) e Piranhas (AL).

É que esta região, repleta de cenários deslumbrantes que serviram de locação para as filmagens dos primeiros capítulos da trama, continua fornecendo belíssimas paisagens que entremeiam suas cenas, a exemplo da Serra do Umbuzeiro, do Raso da Catarina e das pequenas cascatas que se formam nos paredões de granito do cânion de Paulo Afonso, que nestes últimos dias foram ao ar ao som de Maracatu Atômico, na sensacional levada do nosso “guaiamum treloso”, Chico Science. De arrepiar.

A propósito, a trilha sonora de Cordel Encantado é um show a parte, começando pela pequena obra prima que Gil fez para a sua abertura – que remete a um tempo em que princesas e reis pertenciam às fábulas que faziam o sono chegar -, até as velhas canções de Alceu, Zé Ramalho e afins, que parecem complementar a cena, como se ela, se achando meio vazia, dissesse: “eu melhoraria muito se agora entrasse Chão de Giz”. E aí, “… meus vinte anos de boy, that’s over, baby!…” invade e provoca mais um arrepio neste velho telespectador. Freud explica.

Enquanto isso, em Brasília, mais uma novela está no ar. Ela conta a trajetória de um político que autoriza a quebra do sigilo bancário de um caseiro, faz de tudo para desmoralizá-lo, até que o galo canta três vezes. Afastado, transforma-se num poderoso consultor-cyborg, cuja fortuna, em pouco tempo, supera em muito a de Steve Austin (O Homem de Seis Milhões de Dólares), seu irmão biônico. Confuso? Espere só a chegada dos coadjuvantes do reino da língua presa.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio Sâo Francisco

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Comentários

Marcos Vinícius on 27 Maio, 2011 at 21:58 #

Belo artigo! Gostei muito. Parabéns, Janio.


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