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OPINIÃO POLÍTICA

A vantagem do novo Estado

Ivan de Carvalho

Está se iniciando um movimento pela criação do Estado do São Francisco, a ser desmembrado do território do Estado da Bahia, principalmente, mas com fortes possibilidades de agregar também territórios hoje integrados ao Estado de Pernambuco.

A idéia medra entre alguns políticos baianos, incluindo parlamentares como o deputado federal Oziel Oliveira, do PR, ligadíssimo ao próspero município de Luís Eduardo Magalhães e à ex-deputada Jusmari Oliveira, prefeita de Barreiras, que poderia ser informalmente chamada de capital do oeste baiano.

Mas o movimento é supra-ideológico, pois tem o decidido apoio da deputada estadual Kelly Magalhães, do PC do B, que ao saudar da tribuna da Assembléia Legislativa os 120 anos de Barreiras, que estão sendo completados hoje, insistiu na “importância de se discutir a criação do Estado do São Francisco”.

Se não existem barreiras (sem nenhuma intenção de trocadilho) ideológicas entre os defensores da criação do novo Estado, também não existem na transposição de divisas estaduais para acumulação de territórios que venham a, eventualmente, compor a futura unidade federada.

Assim é que o São Francisco, generoso como o santo que lhe emprestou o nome, dá suas águas e suas margens férteis aos estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Mas Alagoas e Sergipe são estados demasiado pequenos para que se pense na malvadeza de subtrair-lhes um pouco do pouco território que possuem. E quanto a Minas Gerais, “está onde sempre esteve” e sempre estará, nada tendo a ganhar quem lançar os olhos compridos na direção das Alterosas.

Mas a idéia do Estado do São Francisco não se restringe aos baianos. Também tem trânsito entre políticos de Pernambuco. Os Coelho de Petrolina (aqueles poderosos roedores que um dia estiveram, por intermédio do senador Nilo Coelho (morto há anos), na presidência do Senado e do Congresso) também se mostram interessados.

A proposta deles é de que a capital do futuro Estado do São Francisco seja a cidade pernambucana de Petrolina, talvez unida à baiana Juazeiro. Já os políticos baianos que pregam a criação do novo estado vêm em Barreiras a capital natural. E ambos os lados viam como alvo a região do Médio São Francisco, mas agora já espicham o olhar para o Baixo São Francisco, de modo a tentar colher uma pérola fluvial, a cachoeira de Paulo Afonso – melhor dizendo, a hidrelétrica e a cidade, com a importância econômica que tem, inclusive na possibilidade de exploração turística.

Vale lembrar que, quando a lavoura cacaueira do sul baiano estava em toda sua pujança, antes da bruxa dar suas vassouradas por lá, não eram poucos os políticos da região, incluindo parlamentares liderados pelo então deputado federal Fernando Gomes, plantado em Itabuna e que chegou a apresentar projeto de lei na Câmara dos Deputados visando à criação de um Estado de Santa Cruz, com o território do sul e do extremo-sul baiano.

Dizimada a lavoura do cacau pela vassoura-de-bruxa, não se falou mais no assunto, mas o grande celeiro que surge no São Francisco, com cereais (destacando-se a soja), frutas, produção de vinhos de qualidade, fez ressurgir lá olhares cobiçosos.

Para a Bahia, que tanto teria a perder, há, apesar de tudo, um consolo, se o improvável Estado do São Francisco surgir. Querem incluir nele o município de Rodelas, no Baixo São Francisco. Rodelas está -praticamente escolhida como local para construção de uma das usinas nucleares que a União nos quer enfiar goela abaixo. Pois bem, que se vier o tal novo estado, vá com ele Rodelas e sua maldita usina. É a maneira mais simples da Bahia se livrar dela. Embora só formalmente, pois, infelizmente, Rodelas não sairá do lugar onde Deus a colocou, ressalvado o caso de alguma mágica nuclear.

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