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Surpreendido com a morte do jornalista e diretor comercial da Tribuna da Bahia , Chico Aguiar, o blogueiro Chico Bruno reflete direto de sua varanda de larga visibilidade no litioral norte de Salvador, sobre um tempo criativo e generoso da imprensa da Bahia, que segue sofrendo baixas como esta do último fim de semana. Confira.
(Vitor Hugo Soares)

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Direto da Varanda: Chico Bruno

O amor de Chico Aguiar a Tribuna da Bahia

Estou tentando me recompor da notícia da perda de Chico Aguiar, que faleceu na tarde de sábado (21), mas da qual só tomei conhecimento hoje pela manhã (23) quando abri o site da Tribuna da Bahia.

Quando cheguei a Salvador em agosto 1975 para trabalhar no escritório regional da Editora Abril, chefiado pelo jornalista Juracy Costa, uma das primeiras pessoas a quem Jura me apresentou foi Chico Aguiar, então diretor comercial da Tribuna da Bahia.

A apresentação aconteceu no restaurante do Rui, no Instituto dos Arquitetos da Bahia, na Ladeira da Praça, onde religiosamente almoçávamos de segunda a sexta-feira.

O restaurante do Rui era o ponto de convergência em que os jornalistas matavam a fome, pois estava próximo à época das sedes de A TARDE, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, Diário de Notícias e das sucursais dos principais veículos de comunicação do eixo Rio/São Paulo.

Chico era uma pessoa agradável, bom de papo e um retado.

Tínhamos em comum a mesma origem: os Diários e Emissoras Associados. Ele na Bahia e eu no Ceará.

Durante os almoços nos divertíamos relembrando, entre outras coisas, que às vezes ao invés de salário em dinheiro, os Diários e Emissoras Associados nos pagavam com vales de permutas, que trocávamos no varejo para adquirir desde gêneros alimentícios até eletrodomésticos.

Chico era um retado por que à época a Tribuna da Bahia, no qual ele trabalhava, e o Jornal da Bahia eram perseguidos pela prepotência do maior anunciante baiano, o governo estadual, cujo chefe ACM, de quebra colocava auditores do Fisco para devassar a contabilidade das empresas que ousassem anunciar nos dois jornais.

Era assim que a lusitana rodava naqueles tempos de ditadura, em que os governadores eram indicados pelos generais-presidentes.

Um dia, fui com Chico a TB, lá ele me apresentou a Walter Pinheiro, que dirigia o jornal de propriedade de Joaci Góes.

Conversa vai conversa vem e Chico lançou-me o desafio de escrever a primeira coluna semanal sobre publicidade na Bahia, haja vista, que a TB havia lançado a edição baiana do “Prêmio Colunistas”, uma iniciativa de jornalistas especializados em propaganda do eixo Rio/São Paulo, como forma de aproximar a TB do mercado publicitário.

Topei a parada. Durante pouco mais de um ano assinei a referida coluna e a TB fez uma série de mesas-redondas com anunciantes e publicitários.

O sucesso foi tão grande, que logo depois A TARDE também lançou a uma coluna especializada sobre propaganda, assinada pelo jornalista José Roberto Berni.

Infelizmente, o Prêmio Colunistas migrou para o concorrente e a coluna na TB foi descontinuada.

Chico era um apaixonado pela Tribuna da Bahia.

Em artigo publicado hoje (23), o diretor de redação da TB Paulo Roberto Sampaio deixa essa paixão de Chico explicita.

Em certo trecho do artigo, Sampaio relembra que em sua volta ao jornal ouviu do jornalista Roque Mendes que “feliz do jornal que tem um Francisco ‘a guiar'”.

A frase de Mendes é a prova cabal do amor que Chico dedicava a Tribuna da Bahia.

Infelizmente, o amigo se foi ao encontro de outros amigos comuns, como os citados Juracy Costa e José Roberto Berni.

Desde que troquei o corre-corre das cidades pela varanda, de onde edito este sítio, vejo pouco os irmãos da velha-guarda do jornalismo e da publicidade baiana.

Infelizmente, por ignorar a notícia da morte, não fui prestar a última homenagem ao Chico Aguiar querido, mas o faço através deste texto.

Chico deixa para as novas gerações de profissionais de comunicação uma história e um legado pelo amor que tinha ao jornalismo, a publicidade e, principalmente, a Tribuna da Bahia.

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Comentários

Ricardo Aguiar on 5 Maio, 2015 at 18:40 #

Meu Pai meu herói simplesmente fantastico


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