Dominique Strauss-Kahn e o seu advogado Benjamin Brafman (Shannon Stapleton/REUTERS)/DN

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DEU NO JORNAL “PÚBLICO” (LISBOA)

Uma guerra entre a acusação e a defesa de Dominique Strauss-Kahn através dos media norte-americanos e franceses: é assim que se pode resumir esta quarta-feira.

A mulher que diz ter sido sexualmente agredida pelo director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, vive num bloco de apartamentos reservado a pessoas infectadas com o vírus da sida, noticiava o tablóide “New York Post” hoje. Nada disso, desmentia ao site da revista “Nouvel Observateur” algumas horas depois, o advogado da queixosa, Jeffrey Shapiro; só alguns dos apartamentos desse prédio estão reservados a soropositivos.

O grande júri convocado pelo estado de Nova Iorque tem de decidir, até sexta-feira, se há provas suficientes para avançar com um processo contra Strauss-Kahn ou não. Defesa e acusação preparam os argumentos como facas afiadas.

A acusação é dirigida pelo gabinete do procurador de Nova Iorque, Cyrus Vance Jr — que, segundo jornal francês “Le Figaro”, é especialista em criminalidade de colarinhos brancos e sensível à violência e discriminação praticada sobre as mulheres. O currículo deste militante do Partido Democrata de 56 anos, filho do secretário de Estado do Presidente Jimmy Carter e eleito procurador de Nova Iorque em 2009, com 91 por cento dos votos, atesta-o.

Vance defendeu 29 mil funcionárias da Boeing que se consideravam discriminadas na empresa, por exemplo, e tem como um dos seus casos mais importantes o do assassinato de Susana Jimenez, assediada e morta pelo seu ex-noivo, conta o “Figaro”. Uma das suas promessas eleitorais é cuidar dos mais desfavorecidos.

Pode também haver a tentação de fazer o caso do diretor do FMI um exemplo: nos últimos cinco anos, diplomatas estrangeiros foram alvo de pelo menos 11 processos civis e um criminal relacionados com o abuso de trabalhadores domésticos, adiantava a Reuters.

Preparando-se para um provável avançar do processo, a defesa de Strauss-Kahn terá de fazer a sua própria investigação. O que transpira para os meios de comunicação é que reconhecerá que houve sexo na suite 2806 do hotel Sofitel de Nova Iorque, mas que foi consensual. “As provas não serão consistentes com um encontro forçado”, disse o advogado Ben Brafman, citado pela AFP.

“Não houve nada de consensual no que aconteceu naquele quarto de hotel”, contrapôs o advogado da acusação, Jeffrey Shapiro à televisão NBC. A sua cliente, assegurou, “está pronta a fazer tudo o que for necessário, a cooperar com a polícia, com o Ministério Público. Ela não tem uma agenda política. Faz isto porque considera que é sua responsabilidade fazê-lo, e vai fazê-lo”.

O “The New York Times” sugeriu um meio de prova que deverá ser analisado: a chave magnética usada no hotel. É possível distinguir se foi usada a do cliente ou a chave mestra da empregada de quartos para trancar a porta da suite 2806, no momento em que é localizado o ataque de Strauss-Kahn — o que ajudará a corroborar ou desmentir a história contada pela queixosa, que diz ter sido aprisionada no quarto contra sua vontade.

A equipe de defesa de Strauss-Kahn — Benjamin Brafman, de Nova Iorque, e William Taylor, de Washington — vai promover a sua própria investigação sobre o caso, e será impiedosa. “A única hipótese é que a queixosa surja como uma pessoa frágil e caprichosa”, disse ao “Le Figaro” Dominique Inchauspé, autor de um livro sobre erros judiciais. Desacreditá-la é então a palavra de ordem. Vão passar a pente fino a sua vida e dos seus próximos, os seus extratos bancários, até a vida da sua filha adolescente — será uma guerra sem quartel, como se vê nas séries americanas, e não será bonito.

(Reportagem de Clara Barata, no PÚBLICO )

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