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OPINIÃO POLÍTICA

PMDB ameaça projeto de Kassab

Ivan de Carvalho

O PMDB está complicando o projeto político do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que deixou o DEM e acaba de criar o Partido Social Democrático (PSD), instrumento que pretende usar para eleger seu sucessor, em 2012, à prefeitura paulistana e eleger a si mesmo governador de São Paulo em 2014.

Não é que o PMDB não goste de Kassab ou esteja momentaneamente aborrecido com ele. O partido – que chegou ao auge de seu poder da segunda metade da década de 80 até o fracasso do Plano Cruzado, já em meados do mandato presidencial de José Sarney (que deveria ser o mandato de Tancredo Neves, se não viesse a Roda Viva e levasse o destino prá lá) – percebeu afinal, com clareza, que corre risco de morte.

Esta percepção tornou-se realmente clara ante os resultados das eleições de 2010 – principalmente para a Câmara dos Deputados e para os governos estaduais – e está sendo profundamente analisada pela cúpula do partido e nos setores intermediários. Presumo que as bases municipais não ignorem o problema, mas, até onde se nota, ainda não ocorre um debate sério nem mobilização alguma nesse nível.

Nos altos escalões, e nos intermediários, sim. O PMDB está discutindo seu destino, tentando, com as imensas dificuldades de um partido multifacetado em idéias e interesses, costurar uma estratégia de sobrevivência e recuperação. Olha para o DEM, ex-PFL, e exorciza a idéia de que “eu sou você, amanhã”. Mas para realizar exorcismos são necessárias uma fé e uma determinação inquebrantáveis – duas características que o PMDB não tem revelado há mais de 15 anos, pelo menos.

Mas, e o projeto de Kassab, o que tem com o PMDB? Muito. O PMDB, em 2008, apoiou Kassab para prefeito e Kassab esperava ter o PMDB apoiando o candidato do PSD a prefeito nas eleições de 2010. E apoiando ele próprio, Kassab, se Deus quisesse e o PMDB tivesse força para se descolar do PT e do governo federal, nas eleições para governador em 2014.

Mas nas articulações de uma estratégia de reconstrução, o PMDB parece estar considerando seriamente a idéia de que “time que não disputa campeonato não faz torcida”. Daí que já anunciou, certamente com mais de um objetivo, dois possíveis nomes para presidente da República em 2014 – o do vice-presidente da República, Michel Temer e o do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

E em São Paulo? Em São Paulo, o homem que controlava a máquina do partido há décadas, o ex-prefeito de Campinas, ex-senador e ex-governador Orestes Quércia, sempre na oposição ao petismo, morreu. Deixou um vazio. A direção do PMDB trata de preencher esse vazio voltada para o futuro próximo. Daí que Michel Temer convidou o muito bem votado e popular deputado Gabriel Chalita, que já foi do PSDB antes de mudar para o PSB, para ingressar no PMDB e ser candidato a prefeito. Chalita topou e já no PMDB, lançado candidato, mesmo sob risco de perder o mandato parlamentar, para o qual parece estar se lixando.

Mas o PMDB não parou aí. Foi buscar também no PSB (este partido está em evidente maré vazante em São Paulo) o empresário Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, para entrar no PMDB e ser candidato a governador em 2014 (a não ser que haja algum problema com Chalita, caso em que Skaf já concorrerá logo a prefeito em 2012). Skaf foi o candidato do PSB a governador paulista no ano passado. Com Chalita e Skaf, Kassab não pode pensar no PMDB como aliado. Nem o PT. Isto no primeiro turno, claro, porque o segundo turno, se não é outra eleição, é, pelo menos, outra história.

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