Chico, com músicos e técnicos,
à vontade no estúdio/Img.DN

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DEU NO JORNAL “PÚBLICO”, DE PORTUGAL

É o regresso do músico (Chico Buarque de Hollanda), seis anos depois de seu último cd gravado em estúdio, “Carioca”. Na fotografia, tirada durante as gravações por Mario Canivello – seu amigo e assessor de imprensa – Chico ri para o o parceiro de longos anos, o maestro Luiz Cláudio Ramos, enquanto o engenheiro de som Fernando Prado leva a mão à cabeça.

O disco terá poucas parcerias. Uma delas é com João Bosco. É uma canção inédita, “Sinhá”, que o autor de “A Banda” fez com o músico com quem compôs, em 1984, “Mano a Mano” (a canção descrevia uma viagem de dois camionieiros que disputavam a mesma mulher, no final um dos dois morria). João Bosco participa também na gravação desta nova faixa do próximo disco e, com sorte, é até possível que por lá se ouça o som do vento.

No período do Carnaval, Francisco Buarque de Hollanda já andava a ensaiar entusiasmado e, pouco depois, começou as gravações. Numa entrevista que deu a Regina Zappa, a sua biógrafa, publicada na revista Alfa, contou que quando voltou para a música, depois de ter publicado o romance “Leite Derramado”, tudo começou com uma valsa russa a que deu o nome de “Nina”. Essa música vai entrar no disco e, em Setembro, quando estrear nas salas de cinema portuguesas o longa-metragem “Cisne”, de Teresa Villaverde, vamos poder ver a atriz Beatriz Batarda a cantá-la no filme embora esteja dublada pela voz da fadista Ana Moura, que é quem na realidade canta a canção. Quem já a ouviu, diz que a canção é linda.

O disco também terá um blues “dedicado a uma musa que, como diz a canção, se nada der certo, terá servido ao menos ‘para fazer este blues’”, um samba e um samba-canção. “Fico triste se não tiver alguma coisa para escrever, alguma música para compor”, disse o compositor à Alfa.

Por isso não se pense que, durante este tempo, Buarque ficou parado. Participou no DVD de Diogo Nogueira onde cantou com o sambista a música “Sou eu”, composta por Ivan Lins e Chico (“Porém depois que essa mulher espalha/seu fogo de palha no salão/ Pra quem ela arrasta a asa?/Quem vai apagar-lhe a brasa?Quem é que carrega a moça para casa?/Sou eu… só quem sabe dela sou eu…”).

Interpretou a canção “Minha Música”, de Carlos Careca, no CD deste cantor, “Alma minha de lugar nenhum”, lançado este ano. No primeiro disco de Rita Gullo, filha do escritor Ignácio de Loyola Brandão, canta em dueto com ela “A Mulher de Cada Porto”, composta por Chico e Edu Lobo. E para o segundo disco de Thaís Gulin, “ôÔÔôôÔôÔ”, que saiu no mês passado, Chico Buarque compôs “Se eu Soubesse” que também canta em dueto com ela.

A letra é maravilhosa: “Ai se eu soubesse/não andava na rua/perigos não corria/não tinha amigos não bebia/já não ria à toa/ não ia enfim cruzar contigo jamais//(…)Ai se eu pudesse não caía na tua conversa mole outra vez/não dava mole à tua pessoa…” Agora resta-nos esperar que chegue o Verão para sambar sem parar.

(Reportagem de Público indicada a BP pela jornalista e colaboradora Maria Olívia Soares)

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