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Postado em 09-05-2011
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 09-05-2011 10:32


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OPINIÃO POLÍTICA

Partidos em crise

Ivan de Carvalho

Há no momento um fenômeno comum pelo menos aos quatro partidos brasileiros que protagonizaram a política nacional em tempos recentes – o PT, o PSDB, o DEM e o PMDB. Todos eles estão em crise, embora o PT esteja no controle do governo federal e, assim, numa situação privilegiada.

Mas, para começar exatamente pelo que está em melhor situação, vale lembrar que, com antecedência, o ex-ministro José Dirceu avisou, não por acaso na Bahia, numa reunião que devia ser secreta, mas não foi – a Bahia tem afinidade com essas coisas absurdas – que o governo de Dilma Rousseff seria muito mais do PT do que o governo Lula.

Ele queria dizer que, não tendo Dilma uma liderança própria (e certamente que olhava também o grau de aparelhamento em que os petistas já haviam posto o Estado brasileiro nos oito anos anteriores), o PT teria condições de livrar-se dos freios que Lula, na Presidência da República, lhe impusera, e ganhar autonomia para buscar a hegemonia na área partidária e um forte controle do governo.

No primeiro round disso que será uma luta de vários, Lula e Dilma foram derrotados por correntes do PT. José Eduardo Dutra, afinado com Lula e Dilma, mas doente, não podia continuar no comando da legenda. Então, Lula e Dilma puseram em campo como candidato o ex-ministro Humberto Costa. Mas outros setores lançaram Rui Falcão, que causou desagrado a Lula e Dilma, mas chegou a ameaçar disputar se estes insistissem com Humberto Costa. Lula e Dilma recuaram, Rui Falcão foi eleito e não esconde o apetite de poder do partido que preside. Além disto, o PT, como partido no governo, está às voltas com a herança maldita que deixou para si mesmo, havida do governo Lula. “Quebrei o Estado, mas ganhei a eleição”, disse, intramuros, o ex-governador paulista Orestes Quércia após eleger seu sucessor. Lula talvez possa dizer algo parecido agora.

Vistas as coisas por outro ângulo, os dois principais protagonistas da política brasileira desde 93 foram o PT e o PSDB. Ambos nascidos na matriz da social democracia, que ideologicamente, em nível internacional, tinha mais afinidade com o PT. Mas evoluiu e, hoje, afina-se mais com o PSDB. De qualquer maneira, o eixo principal da política brasileira, que tem como oponentes, o PT e o PSDB, pode ser visto como falso – ambos nasceram da mesma matriz social-democrata e as diferenças ideológicas estão apenas nas nuanças.

Se o PT está em crise, o mesmo, com mais ênfase, pode-se dizer do PSDB. Uma das principais razões é a teimosia de José Serra, que busca transformar em monopólio seu a condição de candidato tucano a presidente da República.

A falsidade ideológica da polarização PT-PSDB abre espaço para outras legendas se apresentarem como representantes de setores da sociedade que estão hoje órfãos de representação. Mas as duas legendas que poderiam fazer isto, o PMDB e o DEM, também estão em crise. E crise grave.

O PMDB tem dois problemas básicos. O primeiro: depois de conquistar suas antigas bandeiras (anistia, redemocratização, eleição direta para presidente, entre outras menos vistosas), não soube por outras bandeiras no lugar. Sem bandeiras, sem mensagem, não dá. O segundo: corre o mesmo risco que devastou o DEM, ex-PFL – como, depois que abandonou Ulysses e Quércia, nunca mais lançou candidato próprio, apoiando sempre candidatos alheios a presidente, o PMDB começou a definhar. Como diz um experiente peemedebista: “Time que não joga não faz torcida”. O PMDB está examinando essa coisa, já fala em lançar o vice-presidente Michel Temer ou o governador fluminense Sérgio Cabral à sucessão de Dilma em 2014. É esperar para ver, mas me parece improvável que isso ocorra.

Quanto ao DEM, que mudou de nome e tentou mudança que não deu certo, creio que sua chance de permanência e recuperação está em representar os setores liberais da sociedade, defendendo a liberdade econômica, redução da carga tributária, os direitos e garantias individuais e assumir corajosamente certas bandeiras do tipo “contra o aborto”, entre outras. Não para representar a sociedade, mas uma fatia dela.

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