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Herivelto Martins, “Odete”, João Gilberto,Teatro Santa Isabel, Recife, Pernambuco, Brasil, 2000, BP(ara) o mundo, Feliz Domingo das Mães!

(Gilson Nogueira)


Lara Loga na CBS: “Só sentia violarem-me com as mãos”

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Deu no jornal Diário de Notícias (Lisboa)

Lara Logan, jornalista da CBS, falou pela primeira vez da forma como foi violentada no Egito durante os festejos da queda de Mubarak. A entrevista , no programa 60 Minutos, da rede de TV americana em que ela trabalha,teve relatos impressionantes.

A violação aconteceu no dia 11 de Fevereiro, na data em que o povo egípcio celebrava na Praça Tahir a queda de Mubarak. Lara Logan, nesta entrevista ao programa “60 Minutos”, quebrou o “código de silêncio” e contou como foi violada com as mãos por dezenas de homens.

“Quanto mais gritava, pior. Sentia a respiração deles no meu corpo. Tiraram-me a roupa interior, tiravam-me fotografias com os celulares. Só sentia a violarem-me com as mãos”, contou, acrescentando que foi violentada durante cerca de 40 minutos e que a tentaram desmembrar e arrancar o couro cabeludo.

Leia mais no Diário de Notícias
http://www.dn.pt

maio
07


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OPINIÃO POLÍTICA

BIN LADEN E A PRIMAVERA ÁRABE

Ivan de Carvalho

A execução de Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, a mais famosa organização terrorista da atualidade, tem vários aspectos importantes. Um deles é o sentimento da maioria da população norte-americana de que, afinal, foi feita justiça em relação ao homem que ordenou, contra os Estados Unidos, o maior ataque terrorista de que se tem notícia.
Os eventos de 11 de setembro de 2001 receberam, com a morte de Osama bin Laden, uma resposta mais simbólica do que prática. Esta deverá prosseguir sendo dada pelos esforços americanos no desmantelamento completo da Al-Qaeda, objetivo que pode ainda estar longe de ser atingido. Aliás, a guerra em que os Estados Unidos se envolveram a partir do 11 de setembro é “contra o terror” e não se limita, portanto, a uma de suas organizações, a Al-Qaeda.
Efeitos da execução de Osama bin Laden pelos Seals da Marinha dos Estados Unidos não se esgotam na comemoração representada pelo desabafo festivo de grande parte da população americana. Nem no imediato ganho de pelo menos dez pontos percentuais na popularidade do presidente Barack Obama, que estava em dificuldades com a opinião pública de seu país devido principalmente a problemas na economia. Nem numa certa afirmação política dos Estados Unidos no âmbito internacional. Nem no severo sinal da determinação americana, enviado aos demais militantes da Al-Qaeda e de outras organizações terroristas espalhadas por pelo menos três continentes – a Ásia, a África e a América do Sul, onde o caso mais relevante é o das Farc.
No outro prato da balança há a emergência de delicados problemas de relacionamento com um importante, mas não confiável (como, aliás, o episódio comprovou) aliado, o Paquistão, que tem algumas bombas atômicas. Há a fissura da Al-Qaeda por uma vingança pela morte de seu líder e fundador, que ao dar a ordem, em 2001, para o ataque aos EUA, devia estar consciente do que esperar em troco.
E há, em parte, creio que bastante minoritária, das populações muçulmanas no norte da África e no sudoeste da Ásia, um sentimento de raiva, tanto espontâneo quanto insuflado por quem quer fazer desse sentimento instrumento político contra os Estados Unidos e contra Israel. Provavelmente este é o mais importante, o mais perigoso dos efeitos da execução de Osama bin Laden.
As circunstâncias e toda a conjuntura criada pela série de revoluções, rebeliões e manifestações a que se deu o apelido de “primavera árabe” fazem que seja assim. A insurgência em vários países árabes veio com a marca da reivindicação de liberdade e democracia. Mas há, infelizmente, que reconhecer que os países árabes pouca ou nenhuma experiência têm de liberdade e regimes democráticos.
Além disso, de início a insurgência veio como um movimento espontâneo, quase sem nenhuma organização. À medida, no entanto, em que ganha corpo – já tendo obtido a vitória na Tunísia e no Egito, mais de meio caminho para uma vitória no Bahrein, uma situação de impasse militar na Líbia, enquanto sofre desumana repressão na Síria –, organizações radicais que viviam na clandestinidade, a exemplo da Irmandade Muçulmana, ou que se formam em função dos novos eventos, tudo farão para controlar e direcionar a insurgência.
Mudar os alvos, das pretensões internas de liberdade e democracia para a hostilidade a “inimigos” externos, basicamente Israel (o inimigo predileto) e Estados Unidos, seria a estratégia lógica dessas organizações, seguindo o modelo iraniano. E a morte de Osama bin Laden pode ser explorada para reforçar uma estratégia assim.

maio
07
Posted on 07-05-2011
Filed Under (Charges) by vitor on 07-05-2011


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Tiago Recchia, hoje na Gazeta do Povo (PR)

maio
07


Lucas Mendes comanda bancada do
Manhattan Conection em Nova Iorque
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ARTIGO DA SEMANA

Do Manhattan Connection à morte de Bin Laden

Vitor Hugo Soares

“Domingo pede cachimbo”, ensina o ditado aprendido no tempo em que na Bahia se amarrava cachorro com linguiça, segundo os versos inspirados de Gilberto Gil em “Ladeira da Preguiça”. Alérgico a fumaça, dispenso o conselho. Viciado em jornalismo, prefiro ligar a televisão para esperar o sono na quase madrugada, mas ainda a tempo de receber impacto demolidor de uma das mais aguardadas notícias em quase uma década: “O terrorista Osama Bin Laden está morto”.

Agora vamos por partes, que o caso é mesmo de causar insônia das brabas ainda por muito tempo e requer cuidados especiais no tratamento factual e opinativo.

No passado domingo, já na cama, peguei no controle remoto e sintonizei no canal privado “Globo News”. No horário, o jornalista Lucas Mendes comandava de Nova Iorque a sua equipe internacional no programa “Manhattan Connection”, transmitido de um estúdio com vista espetacular para o espaço onde antes se erguiam imponentes um dos principais cartões postais da “Big Apple”: as Torres Gêmeas” (lembra o apresentador, apontando com visível deslumbre para o novo esqueleto das torres em reconstrução diante de seus olhos), destruídas pelo mais medonho, incrível e espetacular ataque terrorista de 11 de setembro, prestes a completar uma década.

“Manhattan Connection”, como se sabe, é uma fonte semanal sempre borbulhante de notícias, opiniões, polêmicas e arrelias desde a origem, no tempo do jornalista Paulo Francis, seu histórico e mais brilhante participante. Dá para esperar quase tudo e sempre algo provocador, a exemplo do que aconteceu há poucas semanas, quando Caio Blinder, em geral um dos mais recatados e ponderados participantes da mesa de Lucas em NY, resolveu chamar a rainha Rania, da Jordânia, de “piranha”.

Confesso que esperava domingo passado algum novo desdobramento do caso, que resultou em grave entrevero diplomático, desde que o governo jordaniano, através de seus representantes em Brasília, segue fazendo carga e sérios reparos éticos e profissionais à condução do programa do canal brasileiro de TV.

Sabe-se que o Rei da Jordânia ainda aguarda pedidos de desculpas formais e oficiais pelas ofensas à rainha, por considerar insuficiente o mero reconhecimento do erro ou da “falha nossa”, como já feito no programa seguinte por Blinder e Lucas Mendes.

Manhattan Connection é um exitoso e prolongado “cult” da televisão brasileira. Amado irrestritamente pela intelectualidade de classe média, mas odiado até o fundo da alma pela poderosa turma da “esquerda do povão”. Domingo, porém, o programa caminhava inseguro sobre palafitas.

Mas seus participantes se esforçavam para segurar a fama e manter a tradição. A impressão era de um programa tocado “por aqueles jornalistas boêmios e fumantes inveterados, de instinto implacável, que povoavam as redações há poucas décadas”.

As aspas são do livro “Periodismo de calidad: debates y desafios”, que traz vários textos de destacados profissionais de imprensa da América Latina, que descobri em uma livraria na mais recente visita a Buenos Aires. Desconheço se existe edição em português, mas o recomendo com ênfase, mais ainda nesta estranha e confusa quadra do jornalismo brasileiro e mundial.

Tendo como universo de análise as redações, o livro assinala que toda redação se debate hoje entre duas forças, que para efeito de identificação são chamadas de “os clássicos” e os “modernos”. Os clássicos são aqueles boêmios, e acreditam que o talento do jornalista de sangue puro e tradição é suficiente para manter aceso o fogo sagrado do ofício. Os modernos acreditam que a tecnologia e o mercado chegaram para aumentar e melhorar exponencialmente o exercício da profissão.

Da teoria para a prática: de frente para o sitio das antigas Torres Gêmeas, a bancada do Manhattan Connection discutia já na quase meia noite de domingo, a qualidade e perfeição do caimento das camisas sociais vendidas em certa loja bacana de Nova Iorque.

De repente, não mais que de repente, o corte brusco que tira do ar o programa comandado por Lucas Mendes. A imagem voa do estúdio na Big Apple para a redação brasileira onde está instalado o comando da Globo News. Aparece então o jovem repórter com a bomba em forma de notícia: “O terrorista Osama Bin Laden está morto”, diz o âncora do horário, sem esquecer de dar o devido crédito pela informação à CNN americana.

Depois é o que se sabe pela repercussão transcendente de um fato jornalístico de tirar o sono e o fôlego, com poder de fogo ainda para muito tempo e desdobramentos ainda imprevisíveis e cercados de dúvidas.

Quanto ao Manhattan Connection, não mais voltou ao ar domingo passado. Mas, como dizia aquele prefeito baiano na publicidade de TV sobre seu município: “Domingo que vem tem mais”.

A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista- E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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Esta vai especialmente para Carlos Wolney, leitor e colaborador do BP , pela lembrança do apelido brasileiro de Granda – O Bigode que Canta -, que o editor do BP nem lembrava mais, mesmo sendo fã de carteirinha do notável intérprete cubano que morreu no México, terra que o acolheu carinhosa e generosamente como um verdadeiro filho.

BOA NOITE!!!

(VHS)

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