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Um carro com a propulsão dos saveiros baianos
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OPINIÃO POLÍTICA

O automóvel revolucionário

Ivan de Carvalho

Reportagem do jornalista César Tralli, exibida pela Rede Globo de Televisão e que foi praticamente ignorada pelo restante da mídia, salvo na Internet, dá conta da invenção do primeiro automóvel movido a ar. Vale notar que, naturalmente, trata-se “apenas” do primeiro automóvel, não do primeiro veículo, pois vários outros tipos existiram ou existem.

Só para lembrar, os europeus fizeram suas viagens inaugurais ao Brasil em caravelas, só recentemente os saveiros deixaram de ser vistos todo o tempo cortando as águas da Baia de Todos os Santos e atracando junto à rampa do Mercado Modelo. Outros tipos de barcos à vela e de balões atmosféricos movidos pelas correntes de ar continuam em plena moda em quase todo o mundo.

Mas automóvel, não. Isso só existe na cidade de Brignoles, na França.
O automóvel que usa como combustível o ar, no estágio de desenvolvimento em que está, tem 80 cavalos de força, velocidade máxima de 150 quilômetros e autonomia de 300 quilômetros, após o que o tanque precisa ser reabastecido.

Mas de graça. É só chegar a uma bomba de ar compromido, daquelas usadas para encher pneus, na garage de casa, no borracheiro ou nos postos nas cidades e estradas e pronto. Nos postos, haveria para se pagar apenas a energia usada pela bomba de ar e o serviço do frentista – uma pechincha, portanto. Mas suspeito que, no Brasil, se algum dia aqui chegar esse veículo, logo o governo cuidará de enviar ao Congresso projeto de lei ou medida provisória, tributando o “ar veicular”. E aí adeus aquele tradicional anúncio que muitos postos e bombas de gasolina usavam – “Água e ar grátis”.

De acordo com a reportagem, algumas cidades já demonstraram seu interesse no automóvel movido a ar. Paris, Cidade do México, Hong Kong, Roma, Cairo. O avanço é enorme sob o aspecto ambiental. O veículo movido a diesel ou gasolina, ou, ainda que menos, a etanol, é altamente poluente. O ar que sai do motor de um automóvel movido a gasolina tem, se o motor estiver bem regulado, nove por cento de oxigênio. O ar que sai da descarga do protótipo do automóvel movido a ar tem 21 por cento de oxigênio – o percentual normal desse gás no ar.

E o automóvel a ar não produz monóxido de carbono nem dióxido de carbono. Além disso, o ar sai livre ou menos carregado de outras impurezas que continha quando entrou no motor, pois há um filtro para cuidar disso. O automóvel movido a ar será lançado inicialmente só como táxi.

Mas o que é que impediria que, uma vez suprida a frota de táxis, seja progressivamente – na medida da produção, que poderia ser assumida pelas grandes montadoras mundiais, e da demanda (poderia ser vedada mundialmente a fabricação de automóveis e outros veículos automotores que não fossem movidos a ar) – substituída toda a frota atual de automóveis e similares?

Ah, sim, uma coisa impediria sim. E vai impedir. O grande, imenso negócio do petróleo, que até dispensa a citação do etanol, mais chamado simplesmente de álcool no Brasil. As empresas de petróleo, orgulho do capitalismo e do “socialismo”, a depender das mãos em que estejam, mas sempre sugismundas. Bem que elas gostariam de vender ar, mas… E as empresas que vendem insumos para as empresas de petróleo. E os acionistas de umas e outras? E os países que vivem de exportar petróleo, com seus governantes. Onde iriam parar Hugo Chávez, Muammar Gaddafi, Mohammad Rafsanjani, entre tantos outros, muitos outros.

O motor do automóvel movido a ar tem apenas dois cilindros. Eles controlam a saída do ar comprimido previamente injetado no “tanque” e o ar que entra espontaneamente do meio ambiente. Quando os dois jatos de ar se encontram, a temperatura vai a 400 graus Celsius. E isso faz o motor trabalhar. Energia barata, limpa e sem os riscos, por exemplo, das usinas nucleares. O que estão esperando?

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Comentários

Jorge Braga on 28 Abril, 2011 at 7:35 #

Eu sou contra esse tipo de análise simplista. Quanta energia se gasta pra comprimir o ar? Será que o balanço energético final é válido? O carro ser movido a ar, por si só, não basta. A vantagem é que, ainda assim, a energia gasta é elétrica. É o mesmo das células de platina para aproveitamento de energia de hidrogênio. Para produzí-las se gasta mais energia do que é gerada durante toda sua vida útil. Então na realidade, uma célula assim não gera energia, ela gasta. O mesmo vale hoje para as placas solares, o ganho energético é muito baixo. Infelizmente o ganho energético do petróleo ainda é monstruoso, e nenhuma dessas alternativas chegam nem perto.
Não sou a favor de uma sociedade baseada em petróleo, mas as pessoas tem de entender que a mudança de matriz tem de ser viável. Não adianta gastar milhoes de kWh agora pra gerar a mesma energia ao longo do tempo. O balanço tem de ser positivo.


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