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17
Postado em 17-04-2011
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-04-2011 20:38


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Bahia em Pauta abre um espaço de poesia neste final de domingo, 16, para informar um pouco sobre o grande poeta e jornalista Tasso da Silveira , que dá nome à escola pública do bairro de Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, onde aconteceu há duas semanas uma das mais estarrecedoras tragédias da história do País: 12 crianças mortas por um jovem ex-aluno transtornado, que se suicidou em seguida.
(VHS)
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INTRÓITO

Tasso da Silveira

Nós temos uma visão clara desta hora.

Sabemos que é de tumulto e de incerteza.
E de confusão de valores.
E de vitória do arrivismo.
E de graves ameaças para o homem.

Mas sabemos, também, que não é esta a primeira
hora de agonia e inquietude que a humanidade vive.

(…)

A arte é sempre a primeira que fala para anunciar
o que virá.
E a arte deste momento é um canto de alegria,
uma reiniciação na esperança,
uma promessa de esplendor.

Passou o profundo desconsolo romântico.
Passou o estéril ceticismo parnasiano.
Passou a angústia das incertezas simbolistas.

O artista canta agora a realidade total:
a do corpo e a do espírito,
a da natureza e a do sonho,
a do homem e a de Deus,

canta-a, porém, porque a percebe e compreende
em toda a sua múltipla beleza,
em sua profundidade e infinitude.

E por isto o seu canto
é feito de inteligência e de instinto
(porque também deve ser total)
e é feito de ritmos livres
elásticos e ágeis como músculos de atletas
velozes e altos como sutilíssimos pensamentos
e sobretudo palpitantes
do triunfo interior
que nasce das adivinhações maravilhosas…

O artista voltou a ter os olhos adolescentes
e encantou-se novamente com a Vida:

todos os homens o acompanharão!

Publicado no livro Definição do Modernismo Brasileiro (1932).
In: CACCESE, Neusa Pinsard. Festa: contribuição para o estudo do Modernismo. São Paulo: IEB, 1971. p.190-192
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Tasso da Silveira (Curitiba PR, 1895 – Rio de Janeiro RJ, 1968) formou-se bacharel em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, no Rio de Janeiro, em 1818, mesmo ano em que publicou seu primeiro livro de poesia, Fio d’Água. No ano seguinte, fundou e tornou-se diretor das revistas Os Novos, Árvore Nova, Terra do Sol, com Álvaro Pinto, América Latina, com Andrade Muricy e Cadernos da Hora Presente, com Rui de Arruda. Colaborou nos jornais O Momento, Rio-Jornal, A Manhã, e na Revista Sul-Americana. Foi secretário dos jornais Diário da Tarde e O Estado e redator do Diário da Manhã. Em 1927 fundou a revista Festa, com Andrade Muricy, publicada até 1928. Elegeu-se deputado estadual em Curitiba PR, em 1930. Nas duas décadas seguintes foi professor catedrático de Literatura Portuguesa na Universidade Católica e de Literatura Brasileira no Instituto Santa Úrsula, no Rio de Janeiro. Foi também funcionário da Casa da Moeda, entre 1930 e 1960. Em 1956, foi homenageado com o prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras para o conjunto de sua obra. Fazem parte da obra poética de Tasso de Oliveira os livros As Imagens Acesas (1928), Definição do Modernismo Brasileiro (1932), Contemplação do Eterno (1952), Regresso à Origem (1960) e Puro Canto (1962), entre outros. Sua poesia filia-se à segunda geração do Modernismo.

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