Leão no lugar de João:”se o povo pedir”

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OPINIÃO POLÍTICA

O rugir do Leão

Ivan de Carvalho

Não dá para dizer exatamente quem começou. Mas que está desencadeado, e em público, o processo da sucessão municipal de 2008 em Salvador, disso não há dúvida. Quem quiser fazer tentativas de identificar como tudo começou pode tentar com a candidatura do deputado petista Nelson Pelegrino, de quem já se sabe desde o começo da atual eternidade (Eternidade, embora isso pareça um paradoxo, não é eterna, mas um período muito longo e de duração determinada, segundo filosofias teológicas orientas).

Mas não vamos desencarnar nesse artigo de hoje, ao contrário do que ocorreu no de ontem, quando foi necessário reencarnar para voltar à realidade chinfrim das rotinas.

Assim, no princípio não era o Caos, nem o Verbo, já que o tema é a sucessão do prefeito de Salvador, mas a candidatura de Nelson Pelegrino. No princípio era a candidatura de Pelegrino. Nada mais rotineiro do que isto, tenha-se que opinião tiver sobre tal candidatura, agora ostensivamente apoiada pelo governador e, no que depender dele – quanta modéstia – a candidatura do PT.

Com isto, tenho eu a impressão muito forte, que deixou de existir para 2012 a hipótese da candidatura do senador Walter Pinheiro.

Ele pode estar sendo reservado como uma das alternativas para 2014, não sendo justo esquecer que o PT tem, para esta mesma ocasião, outra saliente alternativa, José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás (a quem, portanto, deveria convir não ficar falando toda hora em aumento dos combustíveis. Droga, inverte os papéis, bota o Mantega pra assustar e o Gabrielli pra agradar).

A possível candidatura da senadora Lídice da Mata não nos livra da rotina, uma vez que quando ela não é candidata a prefeita, é, pelo menos, candidata a candidata. Assim foi e assim tende a ser, apesar da tranquilidade do longo mandato de oito anos de senadora, que apenas começou.

A hipótese da candidatura do democrata ACM Neto, que já disputou em 2008 e, se não venceu, mal não se saiu, provoca grande interesse nos meios políticos e, parece, entre o eleitorado. Ano e meio ainda falta para as eleições e publicar números de pesquisas eleitorais por enquanto é vedado por lei (sabem Deus e os legisladores a razão). Mas há rumores, não confirmados, de que ele teria hoje mais votos do que todos os outros potenciais candidatos juntos. Mesmo sendo grande o interesse, não quebra a rotina.

O que, no momento, estraçalha essas rotinas chinfrins é o leão. Perdão. O Leão, deputado federal do PP e ex-prefeito de Lauro de Freitas. E a breve, mas curiosa reportagem da jornalista Fernanda Chagas, publicada ontem na Tribuna, reportagem onde o Leão ruge que, se o povo pedir, ele será candidato a prefeito da capital em 2012. “Meu domicílio eleitoral está em Lauro de Freitas e só vou transferir se o povo me pedir. Se quiserem que eu seja candidato, comecem a fazer passeata de 50 mil pessoas e pedir: venha Leão”.

Aí, neste caso, ele viria. Mas há um detalhe ainda a assinalar. Passeatas em Salvador – como no Brasil todo – têm tradicionalmente seu público calculado superlativamente. Lembro que, como jornalista, participei de uma, noturna, da Calçada à Baixa do Bonfim. Roberto Santos, Mário Kertész e muitas, muitas outras lideranças. Havia, no máximo, cinco mil pessoas. Os organizadores combinaram com os jornalistas (coisa que nenhum dos dois lados devia fazer) publicar que passearam 50 mil. Era a campanha das Diretas Já.

O Jornal do Brasil, do qual era editor regional na época, quis um cálculo da Polícia Militar. Pensavam que aqui era o Rio de Janeiro. Fazer o que? Fui até a guarita da Vila Militar do Bonfim (era perto), pedi para falar com o oficial de dia, quer dizer, da noite. Não dava. Perguntei aos três soldados que haviam visto a passeata desfilar pelos Dendezeiros. “Quantas pessoas vocês calculam que havia na passeata?”. Dois balançaram as cabeças em sinal de dúvida. O terceiro, mais decidido, atirou: “Acho que uns bem mais de 50 mil”.

Pronto. Mandei para o JB 50 mil, cálculo “por baixo” da PM. Era o que queriam. E coincidia, coisa rara, com o cálculo dos organizadores. O número foi integrado à História do Brasil. Guardei os cinco mil para minha história pessoal.

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Comentários

Carlos Volney on 12 Abril, 2011 at 18:54 #

Parabéns, Ivan, belo artigo.
Agora, cá pra nós, triste – cada vez mais – Bahia. Quando temos João Henrique no presente e a perspectiva futura é Pelegrino, João Leão, Geddel ou ACM Neto, eu jogo a toalha.
Como disse o Vargas Lhosa, é escolher entre o câncer e a aids.


Olivia on 12 Abril, 2011 at 22:21 #

Vocês precisam ler a matéria de Claudio Leal no Terra Magazine, sobre João Henrique e o TCM… Muito bom.


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