Nelson Pelegrino: o preferido de Jaques Wagner

=============================================

OPINIÃO POLÍTICA

A sucessão em Salvador

Ivan de Carvalho

Faltando um ano e meio para as eleições municipais e, mais especificamente, para a sucessão do prefeito João Henrique, o governador Jaques Wagner aproveita uma breve entrevista ao programa de televisão “Que Venha o Povo” para avisar que já tem candidato a prefeito da capital, o deputado Nelson Pelegrino, que, aliás, já outras vezes concorreu ao cargo (sem contar as que tentou concorrer e não conseguiu) e mais uma vez pleiteava ostensivamente mais uma chance.

Uma coisa não se pode negar ao ex-líder do PT na Câmara federal – perseverança. No Apocalipse, último livro da Bíblia cristã, afirma-se que aquele que perseverar na fé e no caminho reto até o fim, apesar de todos os percalços, será vitorioso. Parece uma sinalização estimulante para o eterno aspirante petista a prefeito de Salvador e seu histórico de percalços nos esforços para chegar aonde quer chegar.

Além disso, vale assinalar que Antonio Carlos Magalhães recebeu a alcunha de “o prefeito do século”, não cabendo em espaço com as limitações deste questionar quem colou ou como foi tal alcunha colada à sigla ACM. Mas se perseverança for sinônimo de administração eficaz e valer para a política e a administração o que o Apocalipse promete para a esfera espiritual, certamente Pelegrino será eleito e facilmente ganhará a alcunha de “prefeito do século XXI”, uma vez que então se tornará indispensável distinguir do outro, que o foi do século XX, mas não recebeu a numeração na alcunha, já que era, até então, primeiro e único.

Bem, creio já estar passando da hora desta análise reencarnar. Que se faça isso, pois.

O que levou o governador a avisar que, se depender dele, o PT terá candidato a prefeito da capital e este será Nelson Pelegrino? Em primeiro plano, foi uma referência direta a comentário do senador também petista Walter Pinheiro, que admitira a hipótese de uma aliança a que estivesse integrado o PT lançar para a prefeitura candidato não filiado a este partido, justificando que, numa aliança, não se pode começar a conversar impondo a exclusividade do direito de ter o candidato.

Suponho (nem sempre que suponho estou certo, claro) que o comentário feito por Walter Pinheiro introduziu uma boa dose de instabilidade no cenário sucessório da capital, especialmente (e aí está o outro plano por trás do citado primeiro plano) porque na base aliada há uma outra legenda, o PP, que tem o ministro das Cidades, Mário Negromonte e o chefe da Casa Civil do prefeito, o deputado e ex-prefeito de Lauro de Freitas, João Leão. E este não se declara, mas não nega, que possa vir a ser candidato a prefeito de Salvador no ano que vem. Leão é um bicho feroz, inspira cautela e precaução.

Se o PP quiser ter um candidato, que tenha, mas se depender de Wagner, o PT já tem o dele, Pelegrino. Foi o que deixou claro, explícito, o governador, ao ser provocado sobre a questão. Portanto, não vai haver aquela coisa que aconteceu nas eleições municipais de 2008, que começou como realidade, transformou-se em fantasia e até a fantasia foi rasgada – o governador tinha três candidatos “da base” no começo e terminou a campanha com um só, o do PT, suando a camisa por ele.

Entre as coisas evidentes na política baiana, uma delas é a de que o governador não deseja um fortalecimento do já encorpado e “ministeriado” – perdão pelo neologismo – PP da Bahia, talvez escaldado pelo seu tormentoso relacionamento, no primeiro mandato de governador, com o então poderoso, arrojado e arrochado PMDB. Trava uma batalha silenciosa e educada com o PP, na qual a principal peça da artilharia oficial é o PSD liderado pelo vice-governador e secretário de Infraestrutura Otto Alencar.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • Abril 2011
    S T Q Q S S D
    « mar   maio »
     123
    45678910
    11121314151617
    18192021222324
    252627282930