DEU NO PORTAL IMPRENSA

Por Eduardo Neco/Redação

O editor-chefe do jornal baiano A TARDE, Ricardo Mendes, enviou, na tarde desta terça-feira (29), nota ao Portal IMPRENSA em que rebate as acusações da jornalista Emanuela Sombra ao afirmar que o material cortado da entrevista dela com a cantora Ivete Sangalo “trazia informação inconsistente sobre tema já veiculado pelos jornais do Grupo A TARDE, inclusive com chamadas em primeiras páginas, assim como na mídia nacional”. Na última segunda-feira (28), no entanto, a reportagem entrou em contato por telefone com Mendes, que não quis comentar o assunto.

Na manhã de segunda, Emanuella pediu demissão de A TARDE, após Mendes ter cortado trechos da entrevista com Ivete, referentes à crise da empresa da cantora, a Caco de Telha, e um processo trabalhista movido por um ex-baterista de sua banda, conhecido como Tonho Batera. A repórter conta que não havia recebido qualquer recomendação quanto as restrições de temas com a cantora; sabia apenas que o gancho da matéria seria “o Troféu Dodô & Osmar, promovido e realizado pelo Grupo A Tarde, no qual Ivete Sangalo será mestre de cerimônias”. Emanuella divulgou os motivos de seu pedido demissão em carta endereça à redação do jornal.

De acordo com Mendes, “na avaliação dos editores, não havia novidade” nos trechos suprimidos da entrevista. O jornalista diz ainda que respeita a decisão da repórter de pediu demissão, mas classifica a carta da jornalista como “provocação sem sentido de quem não tinha interesse em permanecer na empresa”.

Procurada pelo Portal IMPRENSA, Emanuella afirmou, por escrito, que “minha iniciativa de pedir demissão não reflete uma vontade de sair da empresa, ao contrário do que sugere Ricardo Mendes. Usar este tipo de argumento em público é querer desviar do assunto e criar especulações sem fundamento, não condizentes com a minha postura de jornalista em quatro anos de A Tarde”.

Emanuella reitera que a “decisão foi tomada diante da impossibilidade de não assinar a entrevista da forma que foi cortada pelo editor chefe” e que a entrevista trazia informações revelantes e inéditas sobre os assuntos acima mencionados.

Leia a íntegra a nota enviada por Ricardo Mendes, divulgada pela assessoria de imprensa do Grupo A TARDE

“O assunto editado na entrevista de Ivete Sangalo trazia informação inconsistente, sobre tema já veiculado pelos jornais do Grupo A TARDE, inclusive com chamadas em primeiras páginas, assim como na mídia nacional. Na avaliação dos editores, não havia novidade. A repórter não concordou e pediu demissão. Respeitamos a posição dela. O desligamento, a pedido da repórter, não merece ser comentado por nós, diante do que parece uma provocação sem sentido de quem não tinha interesse em permanecer na empresa.”

Leia a íntegra da resposta enviada pela jornalista Emanuella Sombra

“Minha iniciativa de pedir demissão não reflete uma vontade de sair da empresa, ao contrário do que sugere Ricardo Mendes. Usar este tipo de argumento em público é querer desviar do assunto e criar especulações sem fundamento, não condizentes com a minha postura de jornalista em quatro anos de A Tarde. Minha decisão, ao contrário, foi tomada diante da impossibilidade de não assinar a entrevista da forma que foi cortada pelo editor chefe. Assinar e continuar trabalhando na empresa seria corroborar uma linha editorial que prefere se anular diante de assuntos polêmicos e não se indispor com interesses maiores. Sem contar que as respostas de Ivete Sangalo eram, sim, relevantes do ponto de vista jornalístico, traziam informação importante – de que seu irmão, Jesus Sangalo, continua à frente da Caco de Telha – e demonstravam o interesse da cantora de falar aberta e calmamente sobre o assunto. Portanto, quero deixar claro que discordo das justificativas utilizadas por Ricardo Mendes em nota emitida hoje”.

O caso Aguirre Peixoto

Recentemente, o jornal A Tarde se envolveu em polêmica que extrapolou os limites do estado da Bahia ao demitir, por suposta pressão de empreiteiras, o jornalista Aguirre Peixoto, que escreveu uma série de matérias sobre crimes ambientais cometidos por incorporadoras com a conivência do governo estadual.

Peixoto acabou readmitido em regime especial após a redação entrar em estado de greve e do jornal perder seu editor-chefe, Florisvaldo Matos, que deixou o A Tarde dizendo que sua decisão era de um profissional com 52 anos de jornalismo. Ricardo Mendes, que antes ocupava o cargo de editor-executivo, assumiu o posto. Já Peixoto, acabou por deixar A TARDE para integrar atual turma de trainees da Folha de S. Paulo.

Prestes a completar 100 anos de fundação, A TARDE convive com os rumores de que as empreiteiras Odebrecht e OAS negociam a compra de sua sede, localizada na avenida Tancredo Neves, centro financeiro de Salvador. A direção do Tarde contratou duas consultorias para reestruturar a empresa depois que o jornal perdeu a liderança histórica em circulação na Bahia para o concorrente Correio, a partir de outubro do ano passado. Relatório do IVC do último mês de fevereiro indica que o jornal da família do falecido Antonio Carlos Magalhães vendeu 54,5 mil exemplares em média, e A Tarde, 45,6 mil.

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