Mosquito de dengue ganha hábitos
e costumes baianos e brasileiros
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OPINIÃO POLÍTICA

A EPIDEMIA DA DENGUE

Ivan de Carvalho

O Brasil está a um passo de registrar uma epidemia de dengue, já com perspectivas ameaçadoras na Bahia, segundo anunciou ontem a Secretaria de Saúde do Estado, ao relatar quais as providências que vêm sendo e serão adotadas e pedir a atenção e uma atitude ativa da população para o combate ao mosquito transmissor.
O país já está, digamos, acostumado com os tipos 1,2 e 3 de vírus da dengue, mas há três décadas não foi encontrado no país o tipo 4, que é a novidade emergente. As pessoas ficam imunes ao tipo ou tipos de vírus da dengue que já as afetaram, mas não têm seu sistema imunitário preparado para um tipo desconhecido por seu organismo.
Este é o caso do vírus tipo 4, que assim não encontra na população brasileira (e baiana) um freio imunitário e por isto mesmo pode levar a uma situação epidêmica desse tipo de dengue. O complicador é que se uma pessoa já teve a doença com um dos outros três tipos de vírus da dengue, a contaminação pelo tipo 4 pode levar à forma mais grave da doença, a dengue hemorrágica. Esta mistura de uma dengue antecedente com uma nova, causada pelo vírus do tipo 4, pode levar à forma mais grave da doença, a dengue hemorrágica, não raro fatal.
Esta é a ameaça que terá de ser enfrentada na Bahia. Em Salvador já foram detectados dois casos de dengue tipo 4, mas a doença não assumiu forma grave nestes casos, presumindo-se que as pessoas afetadas não experimentaram antes outro tipo de vírus da dengue.
No entanto, independente do vírus tipo 4, já foram confirmados (não significa, portanto, que não hajam ocorrido outros) na Bahia este ano 28 casos de dengue hemorrágica, tendo três dos infectados morrido. Um em Jequié, outro em Porto Seguro e outro em Madre Deus. O número total de casos notificados no ano passado até o dia 12 de março foi de 11.679, enquanto este ano, no mesmo período, foram notificados 9.584 casos de dengue.
Houve, portanto, uma ligeira queda do total notificado, mas a emergência do tipo 4, para o qual a população não tem imunidade, representa alto risco de um aumento exponencial dos casos. Isto, somado ao risco já explicado de contágio de pessoas que já experimentaram outro tipo de vírus da dengue e, portanto, da multiplicação de casos de dengue hemorrágica.
Há ainda um outro fator desfavorável começando a se manifestar no país. O mosquito transmissor, o aedes aegypti, já começa a se adaptar às condições e costumes brasileiros. Ele só punha os ovos e gerava prole em água limpa. Agora, já começa a conviver com águas sujas. Já foram encontradas larvas até em água de esgoto (não foi na Bahia). Se (ou quando) essa mutação evolutiva se generalizar entre os mosquitos, nós dançamos, enquanto eles voam.

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