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Postado em 17-03-2011
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 17-03-2011 11:19


Tokyo sem neon:racionamento de energia/PÚBLICO
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Deu no jornal PÚBLICO, de Portugal

Em Tóquio, onde a terra voltou a tremer ontem (16), vive-se como se fosse domingo. Como se fosse todos os dias domingo. À superfície, a cidade está calma. Mas “as pessoas estão com medo”.
O pior é não saber a verdade, dizem os habitantes de Tóquio que, uma semana depois do sismo e do maremoto que criaram uma emergência nuclear, não têm dados suficientes para tomar decisões. Ainda ontem o ministro do Comércio, Banri Kaieda, anunciou que deveria ocorrer, hoje, um grande apagão no país e sobretudo em Tóquio. Horas depois, um porta-voz do Governo vinha desmentir e desdramatizar: são poucas as probabilidades de tal apagão acontecer.

Perante as incertezas, os que podem continuam a sair do país. As agências noticiosas dão conta de filas no centro de passaportes da cidade. “Subitamente começámos a ter mais pedidos, 1,5 vezes mais do que o habitual”, disse à Reuters um funcionário, Shigeaki Ohashi. E há quem chegue ao aeroporto sem reserva ou destino escolhido, optando pelo que houver para se afastar da cidade e do país até estar resolvida a crise nuclear nas centrais danificadas pela catástrofe natural – sobretudo Fukushima –, que fizeram subir os níveis de radiação na capital japonesa até três vezes mais do que o considerado normal.

As pessoas estão com medo

Um português acabado de chegar a Osaka ido de Tóquio, que fez chegar o seu depoimento ao PÚBLICO Online via Facebook, confirma os cortes de luz na capital do Japão e que as ruas estão vazias. “As pessoas estão com medo. Os estrangeiros estão apavorados e a tentar sair de Tóquio, muitos deles em direcção a Osaka”.

França e Reino Unidos anunciaram um plano de voos para retirar os seus cidadãos e os Estados Unidos aconselharam os seus a sair do país.

Apesar do desmentido do Governo, os apagões já acontecem. A capacidade da companhia de electricidade foi seriamente afetado com os danos nas centrais nucleares, explicou o ministro Banri Kaieda e ainda há 850 mil de habitações sem electricidade. (Um milhão e meio não tem água potável). A população, incitada a poupar o mais que puder, está perante um dilema: as temperaturas descem a niveis abaixo dos zero graus.

Como medida preventiva, as luzes públicas foram apagadas, transformando a paisagem de Tóquio, que está irreconhecível sem os seus néons. E a energia está sendo racionada, com interrupções de fornecimento rotativas nas províncias que compõem a cidade de 36 milhões de habitantes – a cidade esvaziou, em relação à movimentação habitual constante de milhares de pessoas, pois muitas famílias optam por abastecer-se do máximo de alimentos e ficar em casa; as empresas também permitiram que parte dos seus funcionários trabalhem a partir de casa. O número de comboios foi reduzido.

Muitas escolas forma fechadas e muitas lojas encerraram por estarem sem produtos para vender. Porém, ainda se verifica normalidade, como mostra um vídeo realizado por um espanhol que se identificou nas redes sociais como Marc e que partiu de Tóquio para Osaka por insistência da família. Diz ele que está tudo “normal” e Tóquio e o vídeo mostra uma mercearia com frutas e vegetais à venda, um homem que passa de bicicleta, crianças a caminho de uma escola em funcionamento, uma mulher a passear um cão. Marc mostra ainda a estação de comboios onde compra um bilhete sem filas e viaja num comboio que tem muitos lugares vazios. Pelo caminho, lê a revista que comprou no quiosque da estação e liga o computador.

“É como se fosse domingo”, como disse o taxista Kazushi Arisawa, de 62 anos. Um domingo permanente numa cidade onde, ontem, a terra voltou a tremer e os temores aumentam.

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