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Viva o Trio Elétrico de Dodô & Osmar 60 anos
Que me perdoem a Família Macedo, principalmente os meus amigos André e Armandinho Macedo, filhos ilustres do maior artista da Bahia, Osmar Macedo, que integrou a dupla com Dodô e juntos inventaram o Trio Elétrico, mas este resgate cultural da musicalidade mais importante da Bahia não poderia estar integralmente de fora do You Tube.

Há anos que eu venho tentando fazer isso; publicar o áudio, pelo menos, da maioria das músicas de Dodô & Osmar sem puder, mas hoje eu comecei este projeto solitário, para que todos da geração que veio depois da minha saibam e ouçam como nasceu o verdadeiro Carnaval da Bahia, aquele carnaval que jamais sairá das cabeças e cucas bacanas dos baianos e de quem teve a honra e o privilégio de ter estado lá, curtindo atrás do trio elétrico; e como já dizia Caetano Veloso, só não vai quem já morreu…!

Para quem não sabe, este ano o Carnaval da Bahia fez oficialmente 60 anos de existência com Trio Elétrico!
Espero que curtam bastante e divulguem estas jóias inesquecíveis!

Das Minas Gerais, da Embaixada da Bahia em Belo Horizonte,

Carlos Henrique Mascarenhas Pires
www.irregular.com.br

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BOA TARDE, FOLIÕES OU NÃO, QUE UM FREVO COMO ESTE DE MORAES MOREIRA É PARA FAZER PULAR E CANTAR O MUNDO INTEIRO.
PARABÉNS CARLOS HENRIQUE, PELO SEU NOTÁVEL TRABALHO DE RESGATE DESTA MARAVILHA DO CARNAVAL DA BAHIA.

(VHS)

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Comentários

regina on 3 Março, 2011 at 15:32 #

Amei!!!!!!! Aqui, rebolando nos poucos metros quadrados da minha sala, pensando que tô na Praça Castro Alves… haja imaginação!!!!


gilson on 3 Março, 2011 at 18:52 #

Saudade do CarnáVat
O silêncio da cidade permitia ouvir o ruído das moedas sacudidas na palma da mão do cobrador do bonde com estribo. E o trocar de marcha do motorneiro.
Havia galos cantando, cachorros latindo e guardas-noturnos comunicando-se através de apitos, assim que noite e madrugada se misturavam para acolher o sono tranqüilo dos soteropolitanos que deitavam sem os pesadelos de hoje. De uma hora para outra, mudou tudo. Até o silêncio!
Era uma sinfonia animal, no grande quintal de casa chamado Salvador. Ruídos de motores de ônibus e automóveis não atrapalhavam o bate-papo em suas esquinas. Escutava-se, por isso, os apitos todos, até dos navios, e os gritos de gol na Fonte Nova, na saída para Feira de Santana.
Zoada, mesmo, só no Carnaval e em dias de feira no Largo Dois de Julho.
As serenatas faziam-se escutar, nos soluços apaixonados de amantes, vários, fãs de Sílvio Caldas, Orlando Silva, Nélson Gonçalves e outros astros do rádio AM. Não existiam circuitos de Carnaval, só aqueles que o diabo inventou para acender a chama do desejo, ao invés de apagá-la. A eletricidade que iluminava corpos em delírio em becos, largos, ruas, praças e avenidas, na gandaia geral dos quatros dias da folia de Momo, vinha da simples vontade de cantar, dançar, pular, sorrir, beijar e abraçar, e até chorar, em louvor aos deuses da alegria, sabendo que a festa não permitia violência alguma, ainda que a estupidez, em escala bem menor que a atual, levasse tristeza onde só imperava a felicidade.
A polícia prendia e não soltava. E a Justiça não atrapalhava.As serpentinas, coloridas, fininhas e frágeis, como os confetes, davam o toque que distinguia a cena comum do cotidiano. Havia uma fragilidade no ar. Um perfume sem culpa. E todo mundo amparava os beijos de papel com gratidão, no Carnaval. Amava-se. Não havia a fantasia sem razão. O bloco era síntese de união. A batucada, fileira de elegância, ordem e ritmo de bambas do samba.
Os dias de festa e faz de conta, quando passavam, parecia que o céu havia caído sobre as cabeças dos que, antes, sonhavam acordado. A ressaca era abençoada. O Carnaval era Carnaval. Não era isso, esse troço sem graça, sem povo, sem espontaneidade, cheio de medo, sem alegria, esse espetáculo mercadológico–midiático-apartaidizado que divide a capital do berimbau entre os que gostariam de ser vistos e tratados como gente e, não, não, mesmo, como pipocas, tangidos como boi brabo do resto do rebanho.
São indesejáveis nos espaços que, ainda que não admitam, contribuem, fortemente, para a grande segregação mundial ao ritmo de tambores e guitarras. Sinto saudade de você, CarnáVat!
Gilson Nogueira


Mariana Soares on 3 Março, 2011 at 19:12 #

…E eu, minha irmã, dentro desta sala de trabalho pequenina, abarrotada de problemas a resolver, olhando de longe uma Brasilia vazia de gente e de alegria, quase consigo viajar no meu pensamento, cantarolando bem baixinho para não atrapalhar ninguém…”pra libertar meu coração, eu quero muito mais que o som da marcha lenta…eu quero o bloco do prazer…”Saudade de um carnaval que não existe mais, nem mesmo na querida Salvador….
Que todos curtam o carnaval da melhor maneira possível, eu vou tentar…


regina on 3 Março, 2011 at 19:40 #

Ali na nossa rua do Genipapeiro começava-mos a ensaiar os primeiros passos, nossa rua tinha muitos músicos e muitos mais apaixonados por música. De uma ponta a outra a gente “ouriçava”, armava nossos blocos, enfeitava a rua e a alegria era geral, unindo os sons da Baixa dos Sapateiros ao largo de Nazare, tudo misturado com muita Saúde!!!!!
Lembro-me bem uma vez, antes de deixar o conforto da casa dos pais para ir travar a luta da vida lá fora, caminhando pela Avenida Sete, numa tarde de carnaval, eu me perguntava: “Será que um dia isso vai terminar?”
Isso, era aquela alegria e despreocupação carnavalesca que me embebedava naqueles tempos de juventude. Não tinha outro, senão o desejo de me encontrar com os amigos, ou descobrir outros, naquela confraternização que a cidade de Salvador era o palco. Não havia regras, nem horários, nem cordas, os trios passavam tocando musicas lindas e se saudavam ao cruzar nas avenidas até que, na quarta feira, se encontrarem na praça, que era do povo, na saudação final de encerramento de mais um carnaval, e a gente, sem querer sair dali, já começava a sonhar com o próximo…
Tudo muda, me dizem e insistem em que eu não esqueça, como se fosse possível, ou fui eu quem mudou???????


João Justiniano da Fonseca on 3 Março, 2011 at 21:43 #

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Verdade seu Carlos Henrique Mascarenhas Pires, verdade Vítor, Marianinha! Em 1960 seo João vivia os 30 anos. Ficava em algum cantinho espiando o pula do povo atrás do ca minhãozinho Dodô/Osmar na Praça Castro Alves, balançando as pernas e aplaudindo. Meu temor às multidões e minha timdez não permitiam mais que isto. Hoje aos noventa fico espiando na televisão um povo inteiro no circuto Barra/Ondina sem balançar as pernas nem nada, sentado num caeirão. Louvado seja Nopsso Senhor Jesus Cristo (exatamente com estas palavras meu pai fechava sus crtas) estou inteiro.
João Fonseca


Olivia on 3 Março, 2011 at 22:30 #

Música de primeira, linda… Uma pena, tudo virou memória! O carnaval da Bahia virou “espetáculo” para quem tem grana e acha graça ficar se espremendo nos camarotes ao longo do circuito. Carnaval de rua para o povo, definitivamente, já era. Música? Cadê? Hoje só temos oioioi, aiaiai, abaixa aí, pula alí, levanta acolá… uma tragédia! Triste Bahia!!!!!


vitor on 3 Março, 2011 at 23:05 #

Que belo depoimento , Seô João Justiniano da Fonseca. E que belissimo exemplo de vitalidade , o senhor, escritor e poeta dos bons, aos 90 anos, participando deste encontro de carnaval no Bahia em Pauta. Valeu!!!

Vitor Hugo


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