Cenas de uma perda irreparavel
para o cinema francês e mundial

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Annie Girardot

Imensa atriz, bela mulher.

Por Sérgio Vaz

Morreu Annie Girardot. Imensa atriz, bela mulher. Faz poucas semanas a revimos, linda, gloriosa, estupenda, em Viver por Viver, que Claude Lelouch fez em 1967, logo depois de Um Homem, Uma Mulher.

A notícia da morte dela está sendo muito comentada no Twitter; foi lá que Mary viu a notícia, e então me avisou. A informação não estava ainda nas primeiras páginas dos sites dos grandes jornais brasileiros. Em breve estará, é claro – o Twitter de fato é muito mais rápido.

Não pensei, a princípio, em fazer uma anotação sobre a morte de Annie Girardot. Mas a demora dos portais, e também o lead, o primeiro parágrafo do Le Monde, me levaram a tentar escrever alguma coisa.

Diz o lead do Monde: “Claude Lelouch, que a dirigiu várias vezes, rendeu homenagem à atriz, ‘talvez a maior atriz do cinema francês do após-guerra’, segundo ele. ‘Ela permanecerá minha mais bela lembrança como realizador e como homem’.”

O Monde ouviu também Bertrand Blier, que a dirigiu em Merci la Vie, em 1990; Blier a lembra como “uma pessoa muito engraçada e dolorosa ao mesmo tempo”. “Era cheia de emoção e sofrimento. Ela desmorona facilmente, como na festa dos Césars.” (O incidente será relatado um pouco abaixo.)

Annie Girardot alternou seu tempo entre o cinema e o teatro; no teatro, depois de se formar com honras no augusto Conservatoire, tornou-se membro da Comédie Française ainda em 1954, com apenas 23 anos – nasceu em Paris, a 25 de outubro de 1931. Depois de ver sua atuação em La Machine à Écrire, em 1956, Jean Cocteau a definiu como “o mais belo temperamento dramático do após-guerra” – interessante, uma expressão parecida com a usada agora por Lelouch, ao ser ouvido sobre sua morte.

No cinema, trabalhou tanto na França quanto na Itália, com alguns dos mais importantes diretores da história – além dos já citados Luchino Visconti, Claude Lelouch e Bertrand Blier, também Marcel Carné, Jean Delannoy, Mario Monicelli (Os Companheiros, lançado em DVD recentemente no Brasil), Marco Ferreri, André Cayatte.

Estreou no cinema em 1955, em Treize à Table, de André Hunebelle. Fez alguns filmes comerciais sem maior importância – o reconhecimento viria com Rocco e Seus Irmãos. Trabalhou muito, alternando grandes papéis e filmes medíocres, melodramas e comédias – o IMDb lista 160 filmes protagonizados pela atriz.

Nos anos 60 e 70, era uma das atrizes mais populares da França. Em 1977, ganhou o César de melhor atriz por Docteur Françoise Gailland. Mas, a partir de meados dos anos 80, enfrentou problemas pessoais e financeiros, e passou um período duríssimo. Sua carreira teve um recomeço quando recebeu mais um César, este como atriz coadjuvante, por seu papel em Os Miseráveis, uma visão extremamente pessoal de Lelouch do clássico de Victor Hugo. Foi na cerimônia de entrega do prêmio que Annie Girardot desatou a chorar, e fez um discurso emocionado e emocionante: “Não sei se fiz falta ao cinema francês, mas para mim, o cinema francês fez uma falta louca, imensa, dolorosa”.

Em 2002, ganharia seu terceiro César, o segundo como coadjuvante, pelo seu papel da mãe em A Professora de Piano/La Pianiste, de Michael Haneke.

“Seu verdadeiro potencial foi revelado como Nadia, a meretriz de Rocco i suoi Fratelli, de Visconti”, diz o livro Actor’s & Actresses, de James Vinson e diversos colaboradores, lançado pela editora inglesa Papermac em 1986. “Sua interpretação como a prostituta reformada mas abusada sexualmente sofrendo sua humilhação é comovente e forte. Outros filmes com importantes diretores italianos se seguiriam.”

Transcrevo um pouco mais do bom texto sobre Annie no livro, assinado por R.F. Cousins:

“A extensão da habilidade de Girardot pode ser vista na sempre crescente diversidade de seus papéis, variando de delicados estudos de mulheres como vítimas, passando por melodramas sentimentais e comédias românticas até a farsa aberta à francesa. Em Proie pour l’ombre, ela interpretou uma mulher de carreira dividida entre o marido e o amante; em Vivre pour Vivre, teve uma atuação dignificante, e pouco reconhecida, como uma mulher enganada que perdoa o marido; em La Vieille Fille, fez um retrato delicado de uma solteirona recatada que se apaixona; e, em Traitement de choc, fez uma mulher vulnerável cuja beleza começa a fenecer e que mata um médico corrupto, um papel que exigia uma atuação mais robusta, mais física.”

“Papéis românticos mais tradicionais a se notar foram o da divorciada em La Française et l’Amour, o de Fernande uma ex-dançarina de strip-tease agora levando uma vida mais tranquila (Le Bâteau d’Émile), o de Kay, que está descobrindo o amor em Trois Chambres à Manhattan, e o da vivaz Françoise em Un Homme qui me Plaît. Poderosas performances foram dadas como uma professora de meia-idade que cai no ostracismo e é levada ao suicídio após um caso com um aluno em Mourir d’aimer, e como uma mãe com desejos incestuosos em Le Coeur à l’envers.”

Em 2006, anunciou-se que Annie sofria da síndrome de Alzheimer.

Volto ao site do Le Monde, duas horas depois de saber da notícia da morte de Annie, e vejo que eles fizeram um novo título, depois do simples e direto “Annie Girardot est morte”: “Annie Girardot, la disparition d’une icône du cinéma français”. Ah, melhor assim. Mais digno da estatura da atriz.

Por aqui, o Estadão registra a morte em dois parágrafos, sem chamada na home page. O Globo dá matéria decente, embora sem chamada na capa. Não acho uma linha na Folhaonline. O UOL dá notícia de oito parágrafos, também sem chamada na home.

Annie Girardot mereceria um tratamento muito melhor. Mas talvez sejam os portais brasileiros que não mereçam mesmo Annie Girardot.

fev
28


Mercado do Produtor: sem carroças
Foto: blog Carlos Brito

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GRAZZI BRITO

Direto de Juazeiro

O Mercado do Produtor de Juazeiro, um dos maiores entrepostos comerciais do país, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) o quarto no ranking nacional em movimentação de hortigranjeiros, mais uma vez é alvo de polêmica.

A atual administração municipal vem tentando promover mudanças e modernizar o funcionamento do entreposto de referência no Nordeste, implantando desde o final do ano passado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que inclui além da sanidade dos alimentos, as instalações elétricas e espaço físico apropriado, a partir de termo celebrando entre o Município e o Ministério Público do Estado.

A polêmica gira em torno do uso de carroças no Mercado que foi proibida pela administração a partir de hoje dia 1º março. Não será mais permitida a entrada e circulação de carroças com tração animal em suas dependências, que deverão ser substituídas por carrinhos padronizados.

De acordo com a direção do mercado, essa é uma exigência de adequação com a legislação federal sanitária, sendo que sua desobediência poderá acarretar severo ônus para todos que descumprirem tais comandos normativos, além de graves implicações criminais. “A mudança é uma necessidade detectada pela Vigilância Sanitária e o Ministério Público da Bahia devido a uma questão de sanidade e segurança alimentar. Infelizmente ninguém antes resolveu tomar essa atitude por causa de transtornos políticos, mas a atual gestão com a preocupação de fazer o diferencial trará para cada indivíduo que usa o entreposto alimentos saudáveis, valorização profissional e melhores condições de trabalho”, explicou Justiniano Félix (Tiano), gerente operacional do entreposto.

Como lembrou Justiniano, a atitude trouxe transtornos políticos para atual gestão municipal, sob comando do PC do B, responsável pela administração do entreposto. A oposição pegou a carona dos carroceiros e mandou seu recado “Diante do impasse entre Poder Público e carroceiros, a bancada de oposição da Câmara Municipal de Juazeiro defende a retomada da discussão (…) os benefícios de alguns não devem causar prejuízos a tantos outros. Assim, as melhorias aventadas precisam abranger o entendimento comum, porque assimilados por todos elevam-se as chances de se favorecerem ambas as partes.”, apoiaram os vereadores de oposição, em nota, encabeçados pelo vereador José Carlos Medeiros (PV), ex-líder do governo na câmara, fazendo seu atual papel de oposição.

Grazzi Brito é jornalista, colaboradora do BP, mora em Juazeiro, na margem baiana do Valo do Rio São Francisco.

fev
28
Posted on 28-02-2011
Filed Under (Newsletter) by vitor on 28-02-2011


Discurso do Rei: o grande vencedor
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Quatro estatuetas douradas para a segunda obra do realizador Tom Hooper, que estreou na disputa dos prémios na direção de O Discurso do Rei, o grande vencedor da noite na cerimônia da entrega do Óscar em Hollyood, que invadiu a madrugada de hoje(28)

Além de melhor filme e realizador, O Discurso do Rei bateu os adversários noutras duas das categorias mais importantes, como melhor argumento original e ator. Natalie Portman conseguiu o Oscar para melhor atriz, arrebatando assim a sua primeira estatueta dourada na segunda nomeação.

Colin Firth também levou uma estatueta para casa. Depois de ter sido batido por Jeff Bridges em 2010, na categoria de melhor ator, Firth virou a sorte a seu favor, ganhando nesta mesma categoria, para a qual Bridges também estava nomeado. “Tenho a sensação que a minha carreira acabou de chegar ao auge”, disse Firth, quando recebeu a estatueta dourada.

O filme em que estava nomeado concorria em 12 categorias e a Academia acabou por se curvar quatro vezes perante a história do rei gago (Jorge VI de Inglaterra) que, em termos de prémios cinematográficos, falou alto e bom som para todo o mundo, este ano.

Outra favorita da noite, a atriz Natalie Portman, conseguiu bater a forte concorrência na categoria de melhor atriz. “Isto é coisa de loucos”, disse, entre lágrimas, quando recebeu o Oscar no palco.

Em termos numéricos, O Discurso do Rei e A Origem ficam empatados e levam quatro prémios para casa. Seguem-se A Rede Social, com três estatuetas e, empatados com dois prémios cada, o Último Round, Alice no País das Maravilhas e Toy Story 3.

PREMIADOS

Filme: O Discurso do Rei
Ator: Colin Firth, O Discurso do Rei
Atriz: Natalie Portman, Cisne Negro
Realizador: Tom Hooper, O Discurso do Rei
Fotografia: A Origem
Atriz Secundária: Melissa Leo, Último Round
Ator Secundário: Christian Bale, Último Round
Argumento adaptado: A Rede Social
Argumento original: O Discurso do Rei
Filme Estrangeiro: Num Mundo Melhor
Curta-Metragem de Animação: The Lost Thing
Longa-Metragem de Animação: Toy Story 3
Banda-Sonora original: A Rede Social
Canção Original: Randy Newman, Toy Story 3
Mixagem de som: A Origem
Montagem de som: A Origem
Maquilagem: O Lobisomem
Figurinos: Alice no País das Maravilhas
Documentário de curta-metragem: Strangers No More
Curta-metragem: God of Love
Documentário de longa-metragem: Inside Job – A Verdade da Crise
Efeitos visuais: A Origem
Cenografia: Alice no País das Maravilhas
Melhor Montagem: A Rede Social

(Informações do jornal PÚBLICO, de Lisboa)


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BOA TARDE!!!


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Vídeo da chamada para a série jornalística sobre o Rio São Francisco,que o Jornal da Record apresenta esta semana, a partir desta segunda-feira, 28. Belo aperitivo. Confira o vídeo e não perca a série.

(VHS)


Erundina: “Kassab socialista?”

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Deu na Folha de S Paulo

A possível chegada do prefeito Gilberto Kassab, que prepara a saída do DEM, ameaça provocar uma baixa histórica no PSB. Desiludida, a deputada Luiza Erundina (SP) promete deixar o partido se o flerte for consumado.

Ela anunciou a decisão à Folha na noite de anteontem. Em tom de desabafo, acusou a direção da sigla de desprezar os ideais socialistas ao negociar a filiação de Kassab, que planeja levar aliados como o vice-governador Guilherme Afif (DEM).

“Eles representam forças claramente conservadoras, de direita. Se forem aceitos, não terei mais espaço no partido. Não terei razão para estar nele”, afirmou Erundina.
Aos 76 anos, a primeira mulher a governar a capital paulista (1989-92) não poupou adjetivos para atacar a aproximação: “absurda”, “inconsequente”, “incoerente”. Prometeu lutar “até o fim”, mas admitiu ter poucas chances de brecá-la.

“Já estou isolada no partido há muito tempo. Se isso acontecer mesmo, não vou mais respirar politicamente no PSB”, sentenciou.

“Não digo que serei um incômodo para eles porque não estarei mais lá. Se for o preço a pagar, não tem importância. Não vou transigir com o que acredito.”

Filiada ao PSB desde 1997, Erundina disse que a negociação ameaça rebaixar os socialistas ao papel de linha auxiliar do ex-presidenciável José Serra (PSDB) na disputa com outro tucano, o governador Geraldo Alckmin.
“O PSB não pode ser barriga de aluguel. Kassab é o plano de Serra para derrotar Alckmin. É um pedaço do PSDB tentando derrubar outro pedaço do PSDB.”

Para ela, os personagens em jogo são “absolutamente incompatíveis” com a história do PSB e não podem militar num partido que “tem o S de socialista no nome”.
“Se admitir isso, o partido vai passar da esquerda para a direita. O DEM sustentou a ditadura militar, que nos impôs tortura, exílio e desaparecimentos. É uma mistura que a química não admite.”
A ex-prefeita também criticou a aposta em candidatos sem identificação com o partido, como o recém-eleito deputado Romário (PSB-RJ).

Leia íntegra no jornal Folha de S. Paulo


Leão, espaçoso mas esperto na ocupação
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OPINIÃO POLÍTICA

A noiva da vez

Ivan de Carvalho

O ex-governador e atual vice-governador Otto Alencar é uma das três principais lideranças do PP da Bahia, mas não faz parte do núcleo de comando do partido, do qual, como ele mesmo já deixou claro, sofreu veto quando o governador Jaques Wagner decidiu nomeá-lo secretario estadual de Infraestrutura. O veto não adiantou nada, não foi acatado, mas evidenciou que a seção estadual do PP não tem um comando tripartite que o inclua, mas um comando formado pelo ministro das Cidades, deputado Mário Negromonte e pelo deputado João Leão.

João Leão é o objeto principal destas linhas. Ele foi prefeito de Lauro de Freiras e é influente e muito bem votado deputado federal. Durante a parte final do mandato anterior do governador Jaques Wagner – após o rompimento deste com o então ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima – Leão foi secretário estadual de Infraestrutura.

Wagner trocou o primeiro mandato pelo segundo e, neste, não mais entregou a Secretaria Estadual de Infraestrutura a João Leão. Quando quis entregá-la ao pepista Otto Alencar, o PP, nos bastidores, se manifestou contrário. Preferia que este importante setor da máquina estadual continuasse em mãos de João Leão.

Isto se tornou ainda mais evidente quando o PP, feliz da vida, aceitou em seus quadros o prefeito de Salvador, o no momento popularmente desgastado João Henrique – situação semelhante, significativamente, já aconteceu antes, lembram-se, quando o mesmo prefeito, então em seu primeiro mandato, ingressou no PMDB.

Bem, convertido de peemedebista em pepista, o prefeito convidou o deputado João Leão para ser o chefe de sua Casa Civil. E Leão aceitou, dando o sinal claro de que não o entusiasma voltar tão cedo para Brasília. Quer ficar por aqui mesmo. Com qual intenção? Ah, bom, que tal uma candidatura a prefeito da capital? Uma candidatura firmada em um partido, o PP, que é “da base” federal, “da base” estadual e “da base” municipal”.

João Leão tem um estilo pessoal espaçoso. Ainda não assumiu o cargo de chefe da Casa Civil, mas já o ocupou. Reúne-se com o prefeito e sua equipe. Por enquanto é isso. Com o tempo, restará saber (entre outras coisas, claro) se o prefeito João Henrique vai ou não sentir-se confortável com o estilo espaçoso do chefe de sua Casa Civil e, quem sabe, do possível candidato do PP à sua sucessão. Além do PP estar no comando do Ministério das Cidades com o baiano Mário Negromonte, João Leão já tem uma cabeça de ponte para Salvador, pois sua base política original é Lauro de Freitas, de onde já foi prefeito. Armas de candidato.

Mas Leão é esperto e revela uma faceta de esperteza que Geddel e Lúcio Vieira Lima não usaram. Quando alguém dizia que estes “mandavam” na prefeitura, eles não ligavam. Leão está devolvendo antes mesmo que façam a intriga: proclama que está aí para seguir as ordens de João Henrique. E enquanto proclamar isso, as chances de suas próprias ordens soarem em surdina são grandes.

Tudo junto, o PT já está enciumado. Porque o PT não abre mão de ter candidato próprio a prefeito em 2012. Daí que seu presidente estadual, Jonas Paulo, já procura marcar território – o PP é aliado, mas não é para substituir o PT, adverte. OK. Mas o PP é a noiva da vez: como o PMDB da outra vez, não tinha nada em Salvador e agora tem o prefeito, a máquina da prefeitura e um provável candidato à sucessão de João Henrique. E com o Ministério das Cidades e a aliança com o governo Wagner, tornou-se atrativo para o interior (como o PMDB com o Ministério da Integração Nacional), ao que soma o espaço conquistado na capital.

É, assim, um partido importante, tanto para 2012 quanto para 2014. Em nenhuma dessas ocasiões o PT se conformará (salvo por alguma improvável imposição do comando nacional, como ocorreu em Minas Gerais no ano passado, quando foi obrigado a apoiar o peemedebista Hélio Costa) em não ter candidato próprio. Mas uma base política oficial tão ampla pode até fornecer mais de um candidato a governador.

fev
28
Posted on 28-02-2011
Filed Under (Charges) by vitor on 28-02-2011


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Amarildo foi feita originalmente para A GAZETA (ES)

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