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Deu no IG

Os 800 servidores do Samu no município de Salvador , entre médicos, socorristas e pessoal de apoio, reivindicam melhoras nas condições de trabalho, como fim de contratos terceirizados, reajuste salarial e manutenção da frota de ambulâncias.

Os primeiros resultados já foram sentidos. A paralisação do Samu pode ter contribuído para a morte de um homem de 49 anos que sofreu um ataque cardíaco na manhã desta quarta em um posto do INSS na capital baiana. Israel Alexandre dos Santos recebeu primeiros socorros de médicos peritos da Previdência, mas já estava morto quando a ambulância do Corpo de Bombeiros chegou. A gerência do INSS em Salvador informou que todas as providências foram tomadas, mas não precisou quanto tempo a ambulância demorou a chegar.

Na central do serviço em Salvador, no Complexo de Saúde César de Araújo, a reportagem do IG flagrou 15 ambulâncias abandonadas em um pátio com mato, lixo e fezes de moradores de rua que vivem no local. Em valores atuais, cada unidade custou R$ 135 mil aos cofres públicos.

Das 71 ambulâncias da Grande Salvador, apenas 33 (46% do total) estão em operação, segundo o sindicato da categoria. O restante está em conserto ou sem condições de rodar.

Com a paralisação, o serviço está sendo mantido a 30% da capacidade – em dias normais, o Samu atende até 3.000 chamadas e faz 350 atendimentos, na capital e em outras sete cidades da região.

O governo da Bahia e a Prefeitura de Salvador também estão direcionando chamadas para o 193 do Corpo de Bombeiros, que recebeu reforço de cinco ambulâncias.
Um funcionário da coordenação do Samu, que pediu para não ser identificado, disse que o serviço estava sendo mantido em 30% mediante um “esforço brutal”. Na noite de terça-feira (21), a categoria decidiu pela paralisação de 100% dos servidores.

A reportagem ligou para o 192 em Salvador às 15h desta quarta (22). Após dois minutos de espera, uma atendente informou sobre a greve e que apenas casos urgentes estavam sendo atendidos.
“Estamos preocupados, porque o serviço está mais precário [durante a paralisação] do que era”, afirmou a médica Maria do Socorro de Campos,que integra a coordenação da greve.

O financiamento do Samu é tripartite, com recursos federais (50%), do Estado (30%) e do município (20%). Em Salvador, a gestão do serviço é responsabilidade da prefeitura, que enfrenta problemas financeiros e paralisação parcial de outras cinco categorias (agentes de trânsito, guardas municipais, servidores de obras e serviços e salva-vidas) somente nesta semana.

Outro lado

A Secretaria da Saúde de Salvador informou que está trabalhando para atender as reivindicações dos servidores do Samu, mas que irá acionar a Justiça para que retomem atividades caso não haja avanço nas negociações.
No entendimento da prefeitura, a paralisação é ilegal porque os funcionários não são contratados sob regime de CLT. Disse ainda ter proposto reajuste em torno de 10% para os servidores, e que a reivindicação de aumento da categoria é inviável, pois supera 100% em alguns casos.

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