Fátima com Wagner: “aí é que complica”
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OPINIÃO POLÍTICA

A naturalidade perdida

Ivan de Carvalho

Não é o objetivo destas linhas questionar se, de acordo com a legislação e as interpretações do Tribunal Superior Eleitoral, Fátima Mendonça é ou não elegível para o cargo de prefeito de Salvador enquanto Jaques Wagner, de quem é a mulher, ocupa o cargo de governador do Estado.

O noticiário tem informado que alguns especialistas sustentam a impossibilidade da eleição de Fátima e outros asseguram que, no caso, não existe obstáculo algum. Deixo o tema para os especialistas e poderei abordá-lo, eventualmente, quando tiver conhecimento de certos aspectos que podem ou não – mais provável que não – ser relevantes.

Mas vamos ao aspecto político da suposta e, numa primeira avaliação, inegavelmente simpática candidatura de Fátima Mendonça. Uma hipótese, como hipótese afirmada sem reservas por ela mesma e até admitida, sem afirmações, pelo governador Jaques Wagner, que coloca inteiramente nas mãos de sua mulher – e do partido dela, claro, o PV – uma eventual decisão.

Dessa decisão, a rigor, somente participariam – pelo que se depreende dos comentários inteligentemente descontraídos do governador – Fatinha, a quem não se deve dizer não, porque “aí é que complica” – certamente por provocar reação igual e contrária, conforme conhecida lei da física–, nem sim, porque ela é que toma suas decisões; o Partido Verde, que em entrevista de seu presidente Ivanilson Gomes, publicada ontem neste jornal, não consegue disfarçar o contentamento com a hipótese; e a Justiça Eleitoral.

Mas, da mesma forma que os comentários “inteligentemente descontraídos” do governador, deve haver algum plano “inteligentemente concebido” para que haja sido posto agora o bloco na rua. O fato coincide, aliás, com nota publicada na coluna Raio Laser, deste jornal, edição de ontem, na qual se diz que o senador Walter Pinheiro, do PT, “confessou a correligionários” que deve “começar a botar o bloco na rua esta semana para discutir o que fará em 2012”. Diz a nota que “muita gente ligada a Pinheiro acha que ele deve pensar na prefeitura, ao invés de projetar seus planos apenas para 2014”.

Eu até acrescentaria a tudo isso que a brava ou malcriada reação do senador petista em defesa da permanência das baianas do acarajé nas praias de Salvador, proclamando que é mais fácil a responsável pelo Patrimônio da União sair do cargo do que elas saírem das praias, sugere que o Palácio Thomé de Souza é uma das formas-pensamento mais densas na mente do senador.

Ah, e o deputado petista Nelson Pelegrino, eterno aspirante à prefeitura da capital, que por muitos esteve posto como “candidato natural” à sucessão de João Henrique em 2012? Bem, os bastidores da política dão conta de que Pelegrino considera que, desde as eleições de 2010 e mais especificamente a escolha no PT, campanha e eleição de Walter Pinheiro para o Senado, há um acordo (tácito ou não) para ser ele, Pelegrino, sem contestações, o candidato do PT em 2012.

Mas, com o bloco de Walter Pinheiro na rua e o proclamado “talvez” dito ao repórter Bob Fernandes, do Terra Magazine, a candidatura de Pelegrino, ao que a mim parece, está com a naturalidade perdida. Pois onde “há controvérsias” não pode haver candidatura natural

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