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Prefeito Zé das Virgens: Pressão no ar

Passa o tempo, mudam os governantes, sobem e descem partidos no poder. No entanto, velhas e sempre condenáveis práticas de pressão e mandonismo – partam de onde partir – seguem arraigadas na Bahia.

Em “época republicana”, como é comum se dizer agora, não é raro encontrar aqui e ali, atitudes muito semelhantes às das velhas práticas das oligarquias e do tempo da ditadura, exercidas por seus representantes e delegados de proa, ou pelos chefetes de aldeias, em cada ponto do estado.

Sexta-feira passada (18), por exemplo, o radialista Vitor Souza, da rádio 101 News FM, noticiou que médicos do Hospital Regional de Irecê estavam com salários atrasados e que o laboratório do hospital não oferecia condições para realização do exame “hemograma completo”. A informação chegou ao radialista através de uma fonte que pediu para não ser identificada.

Foi o suficiente para o prefeito Zé das Virgens (PT) – visivelmente mais indignado e interessado em descobrir a fonte da notícia, do que enfrentar e resolver as situações denunciadas – partir para dentro do hospital e de lá telefonar para o radialista, que estava no ar apresentando o seu programa informativo e crítico, de grande audiência na importante região baiana.

Ou seja, o radialista fazia denúncia das mazelas dos governantes, o que Zé das Virgens sempre fez quando era oposição em sua cidade e região – mesmo em épocas ditatoriais – até ser eleito prefeito de Irecê e se transformar de pedra em vidraça.

O resto da história é o que o leitor do Bahia em Pauta poderá ver, avaliar e tirar suas próprias conclusões, no vídeo de grande audiência que circula atualmente no You Tube. (viva a tecnologia!)

Lamentável retrato de uma Bahia de absurdos autoritários, que insiste em não mudar.

Impossível não apelar mais uma vez para o poeta Gregório de Matos: Triste Bahia.

(Vitor Hugo Soares)

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Comentários

danilo on 20 Fevereiro, 2011 at 20:54 #

ôxi, mas o PT e a esquerda baiana não diziam que coisas deste tipo eram esclusividade dos modos de fazer política de ACM Malvadeza e da ditadura carlista?

e depois Marco Lino e Jader ficam retadinhos quando afirmo que o PT é igualzinho à velha ARENA e o PDS, só que pintado de vermelho…


Marco Lino on 20 Fevereiro, 2011 at 22:18 #

Ô nego, fico retado contigo não. Ficaria (talvez) se alguém dissesse que eu defendo a política carlista com o denodo que vc defende. Aliás, defende e vota – segundo seu próprio testemunho.

O prefeito citado merece uma condenação pública, que seja pedagógica para outros muitos que também agem assim – e que certamente continuarão, pois cultura não se muda assim facilmente.

Sobre Wagner, disse e repito: mesmo tendo assumido sem um projeto (parece que agora há um rascunho) de desenvolvimento para a Bahia, foi um avanço político numa Bahia tão atrasada – referi-me a fatos como este e outros menos votados como chicote, chute no traseiro de correligionário, grampo (grampinho e grampão) etc, etc.

Claro, há quem pense que a outra realidade era melhor. Normal.

Abs


danilo on 21 Fevereiro, 2011 at 10:36 #

deixe de guéri guéri, Marco Lino. não use o nome do meu “tito de elêtchor” em vão.

Malvadeza nunca teve meu voto. mas hoje, olhando sob a lupa da história não dá pra negar que em diversos aspectos a administração carlista era mais desenvolvimentista que a de Wagareza Cabelo de Q-Bôa.

a Bahia tá atrasada e estagnada, SIM. a não ser que o cidadão acredite na vida cor de rosa da propaganda oficial, no “aqui tem tem tem”.

que acredite nestas propagandas institucionais que utilizam falsos depoimentos testemunhais e RIDÍCULOS feitos por locutores-atores simulando voz de “tabaréu humirde” dizendo “ah, agora tá tchudo uma maravia, bom mermo di si vê”.

isso é verminagem pura marqueteira, e descendente direta da propaganda nazi-fascista, que também era posta em prática por ACM Malvadeza.

só que a esquerda baiana que antes criticava a avalanche da [falsa] propaganda, agora que tomou o poder gasta ainda mais com [falsa] propaganda.

resumo da ópera [ops, desculpe, resumo do forró porque ópera é coisa de zelite]: é tudo a lesma lerda.

antes o povão comia na mão do Cabeça Branca, agora o povão come na mão do Barba Branca.


Marco Lino on 21 Fevereiro, 2011 at 12:22 #

É, meu amigo, chamar ACM de desenvolvimentista… só os mais radicais eleitores do Grampinho.

Desnecessário buscar os índices que desmentem tal afirmativa. Basta lembrar que o grupo liderado por nosso líder maior entregou sua província com índices sociais semelhantes aos de Alagoas, Piauí e Maranhão – províncias mais miseráveis do Nordeste.

O resto é, como vc mesmo diz, “guéri guéri”.
Abs


danilo on 21 Fevereiro, 2011 at 12:58 #

ué, mas o PT e a esquerda baiana não ficou CONTRA a vinda da Ford? não esculhambava com Sarney e a os oligarcas?

os deputados federais do PT e da esquerda baiana quando das sessões parlamentares para votação do valor do sálario mínimo não faziam aquele gesto com os dedos indicador e polegar do Professor Raimundo da Escolinha para ridicularizar como se dissessem “e o salário, ó…”??

e agora? a Ford de Camaçari virou uma estatal companheira, Sarney e os oligarcas se tornaram companheiros progressistas. e no dia da proclamação do salário de $ 545 reais do governo Dilma, os deputados federais do PT e da esquerda baiana aplaudiram e disseram que o valor é um avanço nas lutas do povo trabalhador.

ah, Marco Lino, debater com você tá ficando chato porque toda hora tenho de pegar a tabuada e te mostrar que sua conta tá errada…


Marco Lino on 21 Fevereiro, 2011 at 14:07 #

Pois é, sempre fui ruim em matemática – como no resto.

Mas… desconfio que se houver uma breve comparação do salário mínimo do período do Príncipe com o do período do Sapo… Avacalhação pura!

Está aí na web, os blogs sujos publicam todo dia. Aqui está muito quente e eu estou com preguiça de procurar.

Abs

Ah, a Ford… O bigodudo lá do Sul queria que a cia americana pagasse imposto… Nada mais justo, não? Afinal todos nós pagamos… Mas o do bigode (do Sul, não confunda) endureceu o jogo… e perdeu!

Entretanto, meu caro, lembre-se que não havia nenhum grande projeto por aqui de industrialização. O último, diga-se, foi produto da luta de três mosqueteiros baianos: Rômulo Almeida (que merece estar à frente), Luiz Viana Filho e o Ângelo Calmon de Sá – secretário de alguma coisa na época. Estes três lutaram praticamente sozinhos pelo Pólo e CIA contra estados do centro-sul, enquanto a elite baiana permaneceu na dela. Os jornalões de São Paulo desciam o malho na Bahia, enquanto o nosso glorioso A Tarde ficou caladinho, caladinho… nem uma nota… E o prefeito do século? hahahaha! Estava muito ocupado na administração da cidade e sem tempo de conversar com os “verde-oliva”, de quem, claro, já era amicíssimo.

Pois é, caríssimo, como está proibido falar em acaso, direi que a Ford caiu no colo do nosso grande líder. Claro, não sem a ajuda preponderante do nosso príncipe maior, que tornou-se ligadíssimo ao nosso grande líder – coisas da política, não ignoremos.

Acho que está de bom tom. Abs


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