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Prefeito Zé das Virgens: Pressão no ar

Passa o tempo, mudam os governantes, sobem e descem partidos no poder. No entanto, velhas e sempre condenáveis práticas de pressão e mandonismo – partam de onde partir – seguem arraigadas na Bahia.

Em “época republicana”, como é comum se dizer agora, não é raro encontrar aqui e ali, atitudes muito semelhantes às das velhas práticas das oligarquias e do tempo da ditadura, exercidas por seus representantes e delegados de proa, ou pelos chefetes de aldeias, em cada ponto do estado.

Sexta-feira passada (18), por exemplo, o radialista Vitor Souza, da rádio 101 News FM, noticiou que médicos do Hospital Regional de Irecê estavam com salários atrasados e que o laboratório do hospital não oferecia condições para realização do exame “hemograma completo”. A informação chegou ao radialista através de uma fonte que pediu para não ser identificada.

Foi o suficiente para o prefeito Zé das Virgens (PT) – visivelmente mais indignado e interessado em descobrir a fonte da notícia, do que enfrentar e resolver as situações denunciadas – partir para dentro do hospital e de lá telefonar para o radialista, que estava no ar apresentando o seu programa informativo e crítico, de grande audiência na importante região baiana.

Ou seja, o radialista fazia denúncia das mazelas dos governantes, o que Zé das Virgens sempre fez quando era oposição em sua cidade e região – mesmo em épocas ditatoriais – até ser eleito prefeito de Irecê e se transformar de pedra em vidraça.

O resto da história é o que o leitor do Bahia em Pauta poderá ver, avaliar e tirar suas próprias conclusões, no vídeo de grande audiência que circula atualmente no You Tube. (viva a tecnologia!)

Lamentável retrato de uma Bahia de absurdos autoritários, que insiste em não mudar.

Impossível não apelar mais uma vez para o poeta Gregório de Matos: Triste Bahia.

(Vitor Hugo Soares)

fev
20


Usina de Paulo Afonso: poder de iluminar
e desligar as luzes do Nordeste
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CRÔNICA/LUZES

Apagão, Ronaldo e estrelas

Janio Ferreira Soares

Passava da meia noite de sexta-feira, 04 de fevereiro, quando as luzes de Paulo Afonso desapareceram. Pensando tratar-se de um problema local, imediatamente abri a janela para ver até onde ia a extensão do breu e calcular o tempo em que a turma da Coelba iria me devolver os compressores que abrandam minha insônia e climatizam meus medos. Porém, ao ver o complexo das usinas da Chesf completamente apagado, percebi que o problema era mais sério que uma simples canela arriada num transformador qualquer, o que foi logo confirmado por uma rádio pernambucana que anunciava todo o Nordeste às escuras, inclusive com algumas tentativas de saques a lojas de Recife. Como aqui é outra onda, coloquei meus óculos de avivar distâncias e fui para o quintal contemplar o lado bom do apagão.

Lembrando uma peneira gigante vazando luzes, lá estava o firmamento qual uma imensa concha acústica reverberando latidos distantes acompanhados de pios de corujas e ruídos de aviões mais além ainda, formando sons perfeitos para ouvidos que até há pouco eram torturados por um “valei-me Deus, é o fim do nosso amor”, mais gritado do que cantado vindo de um clube próximo. Aos poucos, mulher e filhos foram chegando e ficamos um bom tempo desplugados de telas e demais vícios eletrônicos, apenas curtindo os vagalumes, que lembravam pequenos leds diante da imensidão de estrelas e galáxias que quase nunca aparecem por conta dos clarões das cidades, mas que, assim como o outro lado da Lua, continuam lá.

A propósito, uma estrela de admirável grandeza felizmente percebeu que o hidrogênio que habitava seu núcleo rareava cada vez mais e, antes de virar uma simples nebulosa, decidiu não mais iluminar os gramados do mundo. Ronaldo, um dos maiores atacantes que eu já vi jogar, enfim foi vencido pelas dores e pela gravidade, e sabiamente antecipou o seu crepúsculo. Uma pena.

Voltando ao apagão, aqui mesmo neste espaço eu já alertei que se o governo não desse a devida atenção a Paulo Afonso a gente podia apertar um botão e desligar o Nordeste. Viu só o teste?
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Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo da cidade de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco, sede da CHESF, um dos maiores complexos hidrelétricos do País, responsável pelo abasstecimento de energia do Nordeste.

Deu na coluna Poder Online, do IG, editado pelos jornalistas Jorge Felix e Tales Faria
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Se depender da bancada do PDT no Senado, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, permanecerá no cargo.

Primeiro, porque o líder pedetista na Casa, Acir Gurgacz (RO), afirma que todos os quatro senadores do partido votarão a favor da proposta do governo para o salário mínimo: R$ 545.

Depois, porque, se Lupi for demitido, aí sim o líder diz que pode haver uma rebelião.

Veja as explicações de Acir Gurgacz ao Poder Online na entrevista que segue:

Poder Online: Como votará a bancada do PDT?

Acir Gurgacz: Nós já nos reunimos e concluímos que deveremos, todos, votar pela regra atual de reajuste do salário mínimo, ou seja, R$ 545 agora e cerca de R$ 612 no ano que vem.

Poder Online: Por quê?

Acir Gurgacz: Por acreditarmos que isto permitirá ao governo manter ajustadas as suas contas e, com isso, ter mais condições de prestar um melhor serviço à população. A verdade é que uma maior eficência da máquina pública, assim como a manutenção da capacidade de investimento do governo, sobretudo na área social, darão ao trabalhador brasileiro um ganho maior do que eventuais R$ 15 que se dêem a mais agora sobre o salário mínimo.

Poder Online: E quanto às ameaças de demissão que pesam sobre o ministro do partido, Carlos Lupi?

Acir Gurgacz: Não é essa a informação de que dispomos. Para nós do PDT no Senado, o ministro está seguro no cargo. É o que sabemos.

Poder Online: Mas uma parte da bancada de deputados do PDT votou contra o mínimo.

Acir Gurgacz: Votou. Ora, esse é o jogo da democracia. Nós apoiamos o governo porque concordamos com ele nas grandes linhas. Mas não temos compromisso de votar 100% com o Palácio do Planalto. A maioria tem votado a favor e, eventualmente, alguns parlamentares discordam desta ou daquela decisão. Isso se chama democracia.

Poder Online: É… Mas e se houver uma retaliação do Palácio do Planalto contra o ministro Lupi? Vocês vão reagir?

Acir Gurgacz: Claro que vamos. E não se trata de uma ameaça nossa, até porque estamos votando com o governo em peso aqui no Senado. Mas se houver retaliações contra o nosso ministro é porque estaremos vivendo numa ditadura, em que não se aceita que meia dúzia de deputados votem contra o governo. Aí é evidente que o partido reagiria.

Poder Online: De que forma?

Acir Gurgacz: Não vamos especular.

fev
20
Posted on 20-02-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-02-2011


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Humberto, hoje no Jornal do Commercio (PE)

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