Lula:o dono da festa dos 31 anos do PT

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ARTIGO DA SEMANA

UM TAMBOR PARA LULA

Vitor Hugo Soares

Na festança dos 31 anos de fundação do PT, em Brasília, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou à cena principal da política no País, depois de apenas 40 dias de afastamento do palco. E voltou com toda pinta daquele herói francês citado por Ulysses Guimarães no sexto mandamento do seu famoso Decálogo do Estadista: “Estou cercado. Eu ataco”.

Quando muitos adversários políticos, críticos e analistas já o apontavam como “estrela cadente”, eis que o resistente retirante da seca nordestina que alcançou o posto de comando mais elevado da nação ressurge como astro mais candente da Companhia. Mesmo – é bom não esquecer – estando presente no cenário do espetáculo de luz e cores montado no Planalto Central, ninguém menos que a presidente Dilma Rousseff – na plena força que os votos e a caneta lhe conferem na fase inicial de governo.

Na festa petista, porém, o papel reservado para Dilma foi o de assoprar a vela comemorativa. No resto, praticamente só deu Lula, a começar pelos mimos que ele recebeu. Um deles – mais óbvio, visível e palpável -, a flâmula especial do partido que lhe foi entregue pelo presidente do PT, José Eduardo Dutra, embalado em uma caixa de presente de fazer inveja, amarrada com fita de grife e tudo.

O outro mimo, e seguramente o mais importante, é o cargo de Presidente de Honra do PT, que o recém saído da cadeira de mando no Palácio do Planalto assumiu de fato na quinta-feira, 10. “Posto meramente simbólico”, como se apressam em proclamar adversários políticos e até “companheiros” roídos de inveja.
Honorífico e simbólico sim. No entanto, como se viu já na própria quinta-feira do aniversário do PT, um instrumento como este nas mãos de Lula, tende a se transformar em tambor de ressonância com poder de alcance ainda impossível de prever. Mas, deduzir pela estreia em Brasília , com alcance ainda maior que os famosos tambores de percussão executados pelo artista baiano e internacional Carlinhos Brown nos carnavais de Salvador, ou nas ruas de New York, Madrid, Barcelona e Lisboa.

Belo presente para um “ex” que ainda há poucos dias ao deixar o posto de comando maior do País, sentiu-se na pele de um “cachorro quando cai do caminhão da mudança e fica sem saber para onde ir”. Lula fez a confissão no “improviso” elaborado nos mínimos detalhes, pronunciado na festa de aniversário do partido que ele fundou, fez crescer e ao qual acaba de retornar como militante, com furor de iniciante, vestido de camisa vermelha e tudo a que tem direito.

Antes de Dilma Rousseff pintar no pedaço e abocanhar um naco do bolo de aniversário, Lula aproveitou para usar o tambor que acabara de receber. Mandou sinais para todo lado, dentro e fora do governo, dentro e fora de seu partido. Mas acima de tudo, para dois de seus alvos preferenciais: os críticos mais contundentes na imprensa ao seu governo e ao seu modo de governar e ao seu estilo pessoal, e os adversários políticos pousados principalmente nos ninhos dos tucanos e do DEM.

Avisos aos que tentam “criar uma dicotomia entre governo Lula e Dilma, como se fosse possível, como se fosse crível”, conforme já havia antecipado Dutra, presidente de fato do PT. Lula foi mais direto e contundente no toque: “Eu só não estou no governo, mas eu sou governo tanto quanto outro companheiro que está lá. O sucesso da Dilma é o meu sucesso, o fracasso da Dilma é o meu fracasso”, pontuou.

Criado em São Paulo, o presidente de honra do PT jamais perdeu o estilo do pernambucano nativo que anota tudo na caderneta para não deixar ofensa sem vingança. Uma dessas anotações para cobrança posterior, garantem os mais próximos do ex-presidente, são as recentes declarações do colega Fernando Henrique Cardoso – publicadas até na imprensa estrangeira – considerando que “Lula foi cúmplice com a corrupção em seu governo”.

Lula tratou de ir direto ao ponto na festa do PT esta semana, ao sugerir que os companheiros já estão atrasados em relação ao planejamento para as eleições municipais de 2012. “Aqui não tem aposentadoria. E a campanha para as eleições do ano que vem deve começa agora”, conclamou.

Entendidos em signos lulistas garantem que o aviso aos tucanos tem endereço certo: São Paulo. E guarda muita semelhança com aquele mandado para a Bahia quando ACM chamou o então presidente da República de ladrão e o deputado ACM Neto ameaçou do plenário da Câmara, dar uma surra no presidente.

“Se continuar me ofendendo eu volto na Bahia e acabo com o carlismo”, disse Lula, de Brasília, dias antes de participar dos comícios históricos em Feira de Santana e em Salvador, no Farol da Barra, que definiram a vitória de Jaques Wagner (PT) em seu primeiro mandato, e o ocaso da era ACM na Bahia.

No caso de São Paulo – de FHC, Serra, Alkimin e Kassab – a parada parece mais encardida. Mas, ainda assim, vale a pena dar tempo ao tempo. E conferir depois.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail;
vitor_soares1@terra.com.br

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