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Postado em 09-02-2011
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 09-02-2011 14:11


Cuba:Internet para poucos

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Deu no jornal PÚBLICO, de Portugal, com informações de El Mundo (ES) e Reuters:

(Claudia Daut/Reuters)

Um cabo submarino de fibra ótica chegou esta terça-feira a Cuba e aumentará cerca de 3000 vezes a capacidade de acesso à Internet. Irá aumentar a velocidade de transmissão de dados, imagem e voz e permitirá reduzir os custo de ligação à rede. Mas isso não significará a massificação do acesso em Cuba, onde há apenas 14 cibernautas por cada 100 habitantes. Em Cuba o uso da Internet é restrito e muitas vezes limitado às instituições de ensino e investigação.

Embora Cuba esteja ligada à Internet desde 1996 via satélite, a velocidade é muito lenta e o acesso à rede é caro e tem sido sempre condicionado de acordo com aquilo a que as autoridades cubanas chamam “uso social”. A utlização está reservada a funcionários do Governo, acadêmicos e empresários estrangeiros, sublinhou o diário espanhol “El Mundo”. A rede é usada sobretudo em algumas instituições e universidades.

Após um acordo estabelecido entre Cuba e a Venezuela, de cerca de 70 milhões de dólares, chegou a Santiago de Cuba um navio com 1600 quilómetros de cabo que irá permitir a ligação por fibra óptica entre a costa da Venezuela e o Sudeste da ilha de Cuba, anunciou o ministro cubano da Informática e Comunicações, Ramón Linares. O projeto ficou a cargo da empresa Gran Caribe, de capitais cubanos e venezuelanos, e o seu responsável, Waldo Reboredo, explicou aos jornalistas que “quando estiver operacional, em Julho próximo, o cabo permitirá uma velocidade de transmissão de dados de 640 gigabits por segundo, de imagem e voz”.

O vice-ministro cubano das Comunicações, Jorge Luis Perdomo, disse que “não há nenhum obstáculo político” à abertura do acesso à Internet mas adiantou que a nova ligação não será “uma varinha mágica” que levará a rede a casa dos cubanos por serem necessárias várias mudanças na infra-estrutura da rede. Por isso, adiantou, o acesso manter-se-á reservado ao “uso social” e a prioridade será “continuar a criar centros de acesso coletivo e reforçar o acesso nos centros de investigação científica e médica e universidades”.

Atualmente, grande parte dos cubanos com acesso à Internet só pode consultar o correio eletrônico e algumas páginas sele cionadas pelo Governo. Para acessar o e-mail num cibercafé paga-se entre um e dois euros à hora e alguns hotéis disponibilizam acesso aos clientes por um custo médio de cinco euros à hora. Num país em que o salário médio é de vinte euros mensais, a maioria dos cubanos vê o livre acesso à Internet como uma fantasia.

A censura levada a cabo pelo Governo cubano tem sido contornada por alguns bloguers e dissidentes do regime que, a partir do estrangeiro, vão a tualizando os seus sites.

O Governo cubano vê estas atitudes como tentativas de “subversão” do regime e teme que os Estados Unidos estejam a encorajar a revolta do povo cubano através de redes sociais como o Facebook e o Twitter. Aliás, as autoridades cubanas responsabilizam os EUA pelas limitações de acesso à Internet e dizem que foi o embargo comercial norte-americano que levou à utilização de uma rede de satélite, mais lenta e muito mais cara do que a ligação por fibra óptica que agora irá ser usada, através de um cabo submarino proveniente da Venezuela.

As acusações de Cuba aos EUA intensificaram-se recentemente através de um vídeo, difundido em vários blogues, em que um alegado especialista em Internet faz uma apresentação de cinquenta minutos a responsáveis do Ministério do Interior cubano, afirmando que os Estados Unidos, através do Facebook e do Twitter, estarão a promover dissidências, de um modo semelhante ao que foi utilizado nas revoltas na Ucrânia em 2004 e no Irã no ano passado.

O autor do vídeo, cuja identidade não foi divulgada, defende que “ser um bloguer não é mau” e que “eles [os dissidentes] têm os deles e nós os nossos”, mas garante que ambas as partes irão lutar “para ver quem é mais forte”.

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