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Com J de João Bosco e João Donato e B de Boa Terra e Boa Noite, uma canção para ouvir no travesseiro. E ter bons sonhos.

BOA NOITE!!!

( Gilson Nogueira)

Tecnologia é denunciada por crime ambiental na Paralela

Por Aguirre Peixoto, A Tarde 02/12/2010

O Ministério Público Federal denunciou à Justiça Federal crimes ambientais na construção do Parque Tecnológico de Salvador, na Avenida Paralela. A obra é realizada pelo governo baiano em parceria com as empresas Patrimonial Saraíba e Construtora NM. No processo, o procurador Danilo Cruz pede a prisão dos proprietários das empresas e do ex-secretário de Ciência e Tecnologia Ildes Ferreira, além da aplicação de multa.

Constam como réus, além de Ildes, o proprietário da NM Construtora, Nicolau Martins, e os quatro representantes da Saraíba: Carlos Suarez, Francisco Bastos, André Duarte Teixeira e Humberto Riella Sobrinho.

A denúncia do MPF foi feita em 29 de novembro e baseia-se em investigação realizada pela Polícia Federal. Esta constatou que a construção do Tecnovia, como foi batizado o Parque Tecnológico, devastou vegetação em área de preservação permanente (APP) e espécies típicas da Mata Atlântica, o que é enquadrado como crime pela lei 9.605 (que trata de infrações ambientais).

Licenciamento – O processo ainda diz que a supressão de vegetação desobedeceu aos trâmites de licenciamento ambiental. A obra possuía um alvará, emitido em junho de 2008 pela então Superintendência de Parques e Jardins (ligada na época à Prefeitura de Salvador), que necessitava de uma autorização posterior do Instituto do Meio Ambiente (IMA) para sua efetivação.

A derrubada da vegetação, no entanto, teria começado antes desse aval do IMA, segundo a denúncia. O próprio IMA já havia constatado essa irregularidade, o que gerou uma multa de R$ 40 mil paga pela Secti. A lei de crimes ambientais prevê detenção de um a três anos pelas irregularidades denunciadas, além da aplicação de multa.

A 17ª Vara Criminal da Justiça Federal, onde foi protocolada a denúncia, ainda não notificou os réus. Mesmo assim, procurados pela reportagem, eles afirmaram que a supressão de vegetação só começou após os processos de licenciamentos adequados.

Leia reportagem completa na edição impressa do Jornal A TARDE desta sexta-feira, 3, ou, se você é assinante, acesse aqui a versão digital.

O sinal amarelo acendeu esta terça-feira na Avenida Tancredo Neves e segue piscando intensamente em alerta no endereço onde funciona o jornal A TARDE. A gota d`água , que ameaça entornar o caldeirão fervente em que se transformou ultimamente o diário quase centenário, fundado por Ernesto Simões Filho, foi a demissão do repórter de política Aguirre Peixoto, considerado um dos jovens profissionais mais promissores de redação atual.

A demissão do jornalista, que poderia ser encarada como um acidente de percurso comum na vida de qualquer atividade empresarial privada, ganha contornos graves quando se revela o motivo do corte da cabeça do profissional, que parece desnudar a ponta de um enorme iceberg submerso no Caminho das Arvores. A demissão teria ocorrido por pressão de um poderoso grupo do mercado imobiliário de Salvador, após uma série de reportagens que teria desagradado a empresários da construção civil, tradicionalmente um setor crucial entre os maiores anunciantes do jornal baiano.

Em crise de identidade há algum tempo, agravada recentemente com a perda do primeiro lugar em circulação para o Correio da Bahia – segundo dados do IVC – , A Tarde tenta reconquistar espaços perdidos, mas expõe vulnerabilidades como as reveladas hoje. Por causa das matérias, o jornal vinha sofrendo pressões e teria perdido anunciantes do setor. Alguns deles exigiram a cabeça do repórter e a receberam na bandeja, como está na Carta Aberta dos jornalistas de A Tarde, divulgada há pouco, em meio ao choque e perplexidades causados pela demissão do repórte político e, principalmente, pelo motivo da sua saída.

Bahia em Pauta publica a íntegra da Carta Aberta e segue acompanhando os desdobramentos deste fato nada alentador para o jornalismo baiano.

O sinal de alerta segue piscando na Avenida Tancredo Neves.

(Vitor Hugo Soares)

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Aguirre: cabeça entregue na bandeja
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CARTA ABERTA

Hoje é um dia triste não só para nossa história pessoal, mas também para A TARDE e, principalmente, para o jornalismo da Bahia. Um dia em que A TARDE, um jornal quase centenário e que já foi o maior do Norte e Nordeste e que tinha o singelo slogan “Saiu n´A TARDE é verdade” se curvou. Cedeu a pressões econômicas difusas e demitiu um profissional exemplar.

Aguirre Peixoto teve a cabeça entregue em uma bandeja de prata a empresas do mercado imobiliário em uma tentativa de atração/reaproximação com anunciantes deste setor. Tentativa esta que pode dar certo ou não. Uma medida justificada por um suposto “erro grosseiro” não reconhecido pela Diretoria de Jornalismo, pelo Editor-Executivo, pelo Editor-Chefe, por secretários de Redação, Editor Coordenador ou editores de Política.

Uma medida, enfim, que só pode ser entendida como uma demonstração de força excessiva, intimidatória à autoridade da Direção de Jornalismo, à Coordenação de Brasil e à Editoria de Política. Uma demonstração de força desproporcional, porque forte não é aquele que age com força contra algo ou alguém mais fraco. Forte seria enfrentar, como o jornalismo de A TARDE estava enfrentando, empresários que iludidos pela promessa do lucro fácil e rápido põem em risco recursos financeiros de consumidores, o meio ambiente da cidade e que aviltam, desta forma, toda a cidadania soteropolitana.

Aguirre era o elo mais fraco da corrente. Acima dele havia editores, coordenador, secretários de redação, editor-executivo, editor-chefe, diretor de Jornalismo. Todos, em alguma medida, aprovaram a pauta, orientaram o trabalho de reportagem e autorizaram a publicação da reportagem. Isso foi feito sem irresponsabilidades, pois não foi constatado nenhum erro, muito menos um “erro grosseiro”. Se algum erro foi cometido, o erro foi o da prática do jornalismo, uma atividade cada vez mais subversiva em época em que propositadamente se misturam alhos e bugalhos para confundir, iludir, manipular a opinião publica, a sociedade, a cidadania. É de se estranhar que uma empresa que se coloca como defensora da cidadania aja de tão vil maneira contra um de seus melhores profissionais.

Recapitulando, Aguirre foi pautado para dar sequência às reportagens que fazia sobre a Tecnovia (antigo Parque Tecnológico). O fato novo era uma liminar concedida pela 10ª Vara Federal em que cassava multa aplicada ao empreendimento pelo Ibama. Era essa a pauta. No dia seguinte, a Tribuna da Bahia publicou matéria em que dizia que a liminar (decisão que pode ser revista) acabava com o processo criminal contra o empreendimento, que envolve Governo do Estado e duas poderosas construtoras. A matéria de A TARDE – dentro do padrão de qualidade que um dia fez deste um jornal de referência – ouviu o MPF e mostrou que se tratavam de dois processos distintos. O da multa, que foi cassada liminarmente e que o MPF afirmava que recorreria da decisão; e o criminal, que continuava em tramitação normal. A matéria de A TARDE estava tão certa que o MPF, posteriormente, publicou nota oficial na qual desmentia o teor da reportagem da Tribuna da Bahia (jornal que serve a interesses não republicanos, para dizer o mínimo). Essa foi a razão suficiente para o repórter ter a cabeça entregue como prêmio a possíveis anunciantes.

O interesse público? A defesa da cidadania? O histórico ético, de manchetes exclusivas, de boas e importantes reportagens? Nada disso importou a A TARDE. Importou a satisfação a um grupo de empresários, a uma, duas ou três fontes insatisfeitas. Voltamos a tempos medievais, quando fontes e órgãos insatisfeitos mandavam em A TARDE, colocavam e derrubavam profissionais. Tempo em que o jornalismo era mínimo.

“Jornalismo é oposição. O resto é balcão de secos e molhados”. Essa é uma famosa frase de Millor Fernandes. Dispensado o radicalismo dela, é de se ter em mente que Jornalismo é uma atividade que incomoda. Defender o conjunto da sociedade, seu lado mais fraco, incomoda. É preciso que a Direção de A TARDE entenda que a sustentabilidade do negócio jornal depende do seu grau de alinhamento com a sociedade civil (organizada e, principalmente, desorganizada). A força de um veículo de comunicação não está nos números de circulação ou de de anunciantes, mas nas batalhas travadas em prol dos direitos coletivos e individuais diariamente aviltados pelo bruto e burro poder econômico.

Credibilidade é um valor que se conquista um pouco a cada dia e que se perde em segundos. E, graças a ações como esta, a credibilidade de A TARDE escorre pelo ralo a incrível velocidade, assim como sua liderança, assim como seus anunciantes. Sem jornalismo, o jornal (qualquer jornal) pode sobreviver alguns anos de anúncios amigos. Mas com jornalismo, um jornal sobrevive à história.


Italianos protestam contra Berlusconi/Público
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Os procuradores de Milão vão pedir formalmente que o primeiro-ministro italiano Sílvio Berlusconi seja julgado rapidamente por suspeita de prática de sexo com uma prostituta menor e abuso de poder.A informação é do jornal Público, de Lisboa, em uma das manchetes de seu noticiário internacional, na edição on line.

O pedido de julgamento rápido do caso “Ruby” vai ser apresentado esta quarta-feira (9) ao juízado de instrução preliminar, anunciou hojo (8) o procurador Edmondo Bruti Liberati.

Berlusconi alegadamente pagou para fazer sexo com uma jovem de origem marroquina de 17 anos, Karima El Mahroug, de nome artístico Ruby Rubbacuore, nas suas festas na “villa” de Arcore, nos arredores de Milão, onde os magistrados descobriram indícios de uma rede de prostituição.

A certa altura, Ruby foi detida por roubo e o primeiro-ministro telefonou para a polícia, pedindo a sua libertação, dizendo que ela era sobrinha do Presidente egípcio, Hosni Mubarak.

Ser cliente de prostitutas não é crime em Itália, mas se transforma em crime se elas forem menores. É um crime que incorre numa pena de prisão.

O primeiro-ministro italiano considera que a investigação dos magistrados de Milão tem motivações políticas, e que eles não são competentes para o julgar. Admitiu ter telefonado à polícia para pedir a libertação de Ruby, mas diz tê-lo feito por pena.

Maria Olívia recomenda:

“Canções de Exílio – A Labareda que Lambeu Tudo”, série em três capítulos, escrita e dirigida pelo jornalista Geneton Moraes Neto, estréia nesta terça, 8, segue amanhã e termina na quinta-feira, no Canal Brasil (privado), às 22horas.

Os episódios giram em torno de depoimentos do período da prisão, exílio e a volta de Caetano Veloso e Gilberto Gil ao Brasil e Jards Macalé e Jorge Mautner, que chegaram a Londres em seguida. De posse dos depoimentos, Geneton intercalou entrevistas antigas, realizadas por ele em áudio e vídeo desde 1970. O ator Paulo César Pereio faz a locução, imperdível!

Maria Olívia é jornalista

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Geneton(com Gil):rompimento
amigável com o jornalismo

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Matéria de divulgação sobre a série de Genetton no Canal Brasil:

RIO – Duas semanas depois da decretação do AI-5 e dois dias depois do Natal de 1968, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos por oficiais do 2 Exército. Como jamais souberam o motivo, admite-se que possa ter sido pela participação em passeatas, ou em movimentos estudantis, ou por suas nada convencionais performances em festivais, ou ainda por suas atitudes de rebeldes tropicalistas, que tanto incomodavam civis e militares. Os dois passaram por celas de vários quartéis do Rio, depois ficaram em prisão domiciliar em Salvador, e só em julho de 69, com uma advertência de três estrelas — “Só voltem quando forem autorizados” —, partiram para um exílio forçado que se estenderia por dois anos e meio, até janeiro de 1972.

Mautner e Macalé participam

Os detalhes dessa história, contados pelos dois personagens, já seriam motivo para Geneton Moraes Neto realizar “As canções do exílio — Uma labareda que lambeu tudo”, documentário em três partes de 50 minutos cada, que o Canal Brasil exibirá amanhã, quarta e quinta-feira, às 22h. Mas há pelo menos mais um motivo: Geneton inspirou-se na foto em que, aos 15 anos, aparece entrevistando Caetano para o “Diário de Pernambuco”, e a partir dela se entregou ao que considera uma guinada profissional. Tendo começado a vida como jornalista e caído na TV quase por acaso, esses anos todos ele deixou de lado o que realmente queria fazer: cinema documental.

— Este é o meu rompimento amigável com o jornalismo e a retomada da carreira de cineasta interrompida pela TV — diz Geneton, antecipando que os 150 minutos da série serão reduzidos a 120 para os cinemas.

Na produção, e também na edição do filme, ele contou com a parceria de Jorge Mansur, cujos modernos recursos tecnológicos viabilizaram uma empreitada que, na era pré-digital, seria financeiramente inviável.
Caetano e Gil — mais Jorge Mautner e Jards Macalé, que, por diversos caminhos, foram se encontrar com os amigos no exílio — contam a história cronologicamente. A detenção, o ano-novo passado atrás das grades, os tempos de prisão domiciliar, a proibição de fazer shows e gravar discos, a vinda ao Rio de um chefe de polícia de Salvador para mostrar aos superiores o absurdo da situação. Graças a isso, foi dada autorização (ou ordem) para que saíssem do país. A fim de que os dois conseguissem dinheiro para a viagem, os militares permitiram que fizessem dois shows em Salvador.
Permissões como esta, em tom de favor, fazem da história um retrato do Brasil da época, mistura surrealista de brutalidade com cordialidade. Um episódio narrado por Gil é exemplar: os mesmos homens que o prendiam sem motivo arranjaram-lhe um violão e ainda pediram que fizesse um show para os soldados do quartel. Outro oficial, generosamente, ajudou-o em sua dieta vegetariana.

fev
08


Janete e João Capiberibe: perseguição kafikiana
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Artigo de João Capiberibe publicado hoje (8) no Blog do Noblat

Eu e Janete, minha companheira, vivemos um absurdo pesadelo kafkiano. Como o personagem do romance O Processo, somos acusados de um crime que não aconteceu – esse crime teria sido a compra de dois votos por R$ 26,00 em duas prestações nas eleições de 2002 – e, pior, estamos pagando duas vezes por este suposto delito.

Sofremos a primeira cassação em 2004. Eleitos mais uma vez pelo povo amapaense com votação consagradora, em outubro passado, acabamos impedidos de tomar posse pelo Tribunal Superior Eleitoral, que nos enquadrou na Lei de Ficha Limpa. Isso num país em que políticos acusados de lavagem de dinheiro, corrupção, desvio de verbas públicas e até de envolvimento com o crime organizado escaparam do enquadramento na Ficha Limpa.

Na verdade, estamos pagando o alto preço de ter ousado enfrentar oligarquias impiedosas e retrógadas. A principal delas é chefiada pelo senador José Sarney, o último dos coronéis, áulico da ditadura que pulou do barco na última hora, governou o Brasil como uma sesmaria e depois, não contente com seu feudo no Maranhão, estendeu suas garras sobre o Amapá. Essa história vem de longe e vale a pena ser contada.

Se bem me lembro, tudo começou numa manhã chuvosa, em abril de 1995. Estava eu no gabinete de governador, quando, pela segunda vez, recebi em audiência um político provinciano que portava um “ultimato” de um político nacional. O governo “tinha” de quitar uma fatura de R$ 8 milhões a uma empreiteira. Repeti-lhe que os cofres do Estado haviam sido saqueados, que não havia dinheiro para nada e que era preciso saber se aquela dívida existia de fato. O portador não esperou a conclusão do meu raciocínio, levantou-se e com dedo em riste vociferou algumas ameaças: “Você tá perdido, o chefe nunca vai te perdoar!”.

Leia a íntegra do artigo de João Capiberibe “Três vezes cassado: uma na ditadura, duas na democracia” no Blog do Noblat.

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/


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BOM DIA!!!

fev
08


“PMDB de Sarney dançou na Eletrobras”
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OPINIÃO POLÍTICA

Niemöller, a UDN, o salame e o PMDB

Ivan de Carvalho

Muitos dos sites e blogs de jornalistas costumam publicar, com destaque, geralmente no alto de sua principal ou única coluna, a “frase do dia”, na maioria das vezes pronunciada por alguma personalidade importante, melhor dizendo, bastante conhecida.

O site do jornalista Cláudio Humberto publica, embora não no alto, não uma frase, mas um texto, que não é “do dia”, mas de todos os dias. E o texto tem méritos para obter não só a atenção que lhe dá o site mencionado, mas toda a atenção que as pessoas lhe possam dar, pois pode ser considerado um dos constituintes da manutenção da liberdade.
A velha UDN – a União Democrática Nacional, que foi extinta, como os demais partidos de sua época, pelo destrutivo Ato Institucional nº 2, era considerada pela suposta “esquerda” brasileira como “de direita”, sempre a tática do velho rótulo para estigmatizar o adversário quando os argumentos a lhe serem contrapostos são fracos e incapazes de paralisá-lo. Pois a UDN tinha um slogan que poderia ser posto como “frase de todo dia” de qualquer site ou blog – “O preço da liberdade é a eterna vigilância”.

O mesmo caminho apontou, 12 a 13 anos antes da fundação da velha UDN, o que chamei de “texto de todo dia” do site de Cláudio Humberto. O texto foi produzido em 1933 – ano da arrancada de Hitler e do seu Partido Nacional Socialista (Nazista) para a consolidação de seu poder na Alemanha – por Martin Niemöller. Sempre tive vontade de simplesmente copiar esse texto em um artigo meu, com o objetivo de, modestamente, contribuir para sua divulgação. Aí vai:
“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar…”.

Bem, o que pretendia fazer está feito. Estas linhas deveriam terminar aqui. Mas jornalismo tem lá seus cacoetes, entre os quais ocupar o espaço disponível. Então, pelo amor de Deus, não relacione o leitor, de modo inadequado, por falta de imerecida atenção a este repórter, o que já foi escrito com o que será.

É que o texto de Niemöller nos remete, de alguma forma, a uma doutrina geopolítica e militar muito em voga do lado americano durante a Guerra do Vietnam. A chamada tática do salame. A Casa Branca, o Departamento de Estado e o Pentágono sustentavam que, se o Vietnam do Sul caísse, no confronto com o Vietnam do Norte apoiado pela União Soviética (e acabou caindo), cairiam sob domínio comunista, em seguida, um a um, como fatias tiradas de um salame, outros países do sudeste asiático. Laos, Cambodja, Tailândia… Tirando uma fatia do salame de cada vez, o impacto não seria grande e, assim, não geraria reação à altura – até que, num dado momento, já não existiria o salame.

As últimas decisões presidenciais no setor elétrico, primeiro sobre o comando de Furnas, depois sobre a presidência da Eletrobrás, me pareceram a aplicação da tática do salame. No primeiro caso, parte do PMDB da Câmara indignou-se, mas o sarneyzismo do PMDB do Senado exultou. Já no caso da Eletrobrás, dançou o PMDB de Sarney, aí o da Câmara nem ligou. Foi a impressão que deram os peemedebistas. Parece que o PMDB precisa atentar para aquele texto de Niemöller. Antes que não haja mais como reclamar. Nem motivo, já que o salame terá sido todo consumido


Natália: canal aberto ao público no Wikileaks/ IG
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DEU NO IG

Após o polêmico vazamento iniciado em novembro de mais de 250 mil documentos diplomáticos americanos, o WikiLeaks passa por um momento delicado com as audiências de segunda e desta terça-feira de extradição de seu fundador, o australiano Julian Assange, do Reino Unido para a Suécia – onde é acusado de crimes sexuais.

Apesar disso, a equipe do site promete continuar seus trabalhos com a divulgação de dados do banco suíço Julius Baer e com o projeto de estabelecer uma estratégia de divulgação específica para o Brasil.
Em vez de publicar informações pré-selecionadas, a ideia é estabelecer um canal aberto no qual o leitor elegerá quais são seus temas de interesse.

“Vamos abrir para o público e ver o que desejam saber”, contou ao iG Natalia Viana, jornalista brasileira responsável pelas traduções para o português das revelações do site fundado por Assange.

“A informação não é totalmente de cima pra baixo. Durante dois meses os brasileiros viram questões levantadas e determinados focos (em relação ao Cablegates, os documentos diplomáticos dos EUA), e agora farão pedidos específicos sobre determinados documentos.” A mediação será feita pela própria Natalia, por meio de um blog que mantém em parceria com o site da revista Carta Capital.

Amiga e fã de Assange – que define como jovem espirituoso e revoltado com as injustiças do mundo-, ela conta que, apesar da ansiedade e do medo em relação ao que acontecerá, o WikiLeaks tem “muitos projetos encaminhados”. “Sei que foi uma perda muito séria quando bloquearam doações com cartão de crédito (ao site), mas não tenho visto excesso de preocupação. O WikiLeaks ganhou uma enorme projeção, e isso é o que vale. As tentativas de miná-lo são claras, mas as pessoas o apoiam”, disse.

A jornalista brasileira conheceu Assange no ano passado, quando o WikiLeaks a procurou para ajudar na divulgação dos telegramas diplomáticos no País. Além de produzir matérias para o wiki do projeto, ela trabalha como freelancer para o site Opera Mundi e estuda a criação de uma agência de notícias, veiculadas por meio da política de cessão de direitos Creative Commons.

Sem titubear, ela diz que o WikiLeaks “veio para ficar”. “Hoje não há mais determinadas cátedras do saber. Tudo é mais fluido, plural e instantâneo”, disse. Depois da iniciativa de Assange e de sites rivais como o OpenLeaks, ela lembrou que veículos como a rede árabe Al-Jazeera e o jornal americano New York Times também buscam estabelecer uma espécie de WikiLeaks dentro de seus serviços.

“Mesmo se nenhum veículo quisesse publicar o conteúdo do WikiLeaks, há respaldo pela qualidade das informações”, afirmou. Para divulgar os documentos diplomáticos, o WikiLeaks fez parcerias com o americano The New York Times, o britânico Guardian, o espanhol El País, o francês Le Monde e a revista alemã Der Spiegel.
Julgamento

Assange – com quem a jornalista conversa todos os dias – e os advogados do australiano estavam extremamente tensos na véspera das audiências de extradição que tiveram início na segunda-feira em Londres, relatou a brasileira. “A situação não é apenas chata e extenuante, mas também deprime quem está ao redor”, afirmou Natalia

fev
08
Posted on 08-02-2011
Filed Under (Charges) by vitor on 08-02-2011


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Sinfrônio, no jornal Diário do Nordeste (CE)

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