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07


Congresso: Mais nomeações só depois de votar salário mínimo
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OPINIÃO POLÍTICA

A fase dos adiamentos

Ivan de Carvalho

A política brasileira está, nesta fase, cheia de adiamentos. Eles podem até ser considerados uma marca do início do mandato da presidente Dilma Rousseff, embora nem todos os adiamentos sejam de iniciativa dela. Um desses casos é o evidente adiamento do começo da ação oposicionista pelos dois principais partidos de oposição, o PSDB e o DEM, que se perdem em desgastantes, às vezes ridículas, disputas internas.

Dois adiamentos são de iniciativa da presidente. Um deles, já ultrapassado, a suspensão das escolhas para o segundo e terceiro escalões da administração federal até que se realizasse a eleição secreta para a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

A preocupação era a de evitar que as escolhas na administração ampliassem insatisfações de parlamentares de partidos aliados ao governo, criando ambiente propício a rebeldias na eleição do novo presidente da Câmara.

O receio maior referia-se a insatisfações no PMDB, o grande partido aliado que está sendo literalmente espancado nas decisões sobre a composição do governo. No fim da história, houve rebeldias, mas o principal rebelde – o único com densidade eleitoral no plenário da Câmara – foi o deputado Sandro Mabel, do PR, que teve mais de 100 votos, mas nem contou com o apoio do seu partido, que se dispõe a aplicar-lhe alguma punição.

Reaberta a temporada de escolhas e nomeações, parte do PMDB tomou logo outra cacetada relacionada com a escolha para o setor elétrico, mais especificamente o comando de Furnas. Houve logo em seguida o apagão no Nordeste – o que seguramente não tem relação com a escolha para Furnas, salvo para os supersticiosos.

E aí, novo adiamento. A presidente da República suspendeu outra vez as escolhas para os segundo e terceiro escalões (talvez até para o quarto e, quem sabe, o quinto) de seu governo até que o Congresso vote a medida provisória do salário mínimo.

A MP editada por Lula fixa o salário em R$ 540,00, o governo já propõe uma elevação para R$ 545,00, mas, segundo políticos experientes, está pronto para aceitar R$ 550,00, pois sabe que o Congresso sempre gosta, para ser simpático, de dar algo além do que o governo sugere.

Duas coisas o governo não quer: 1) muito barulho, com a oposição, até aqui auto-amordaçada a respeito de todos os assuntos, e até os aliados fazendo média com os assalariados e aposentados à custa da avareza do Executivo; 2) uma decisão do Congresso que ponha o valor do salário mínimo além daqueles R$ 550,00 admissíveis, mesmo que não chegue aos R$ 580,00 que as centrais sindicais fingem que exigem ou ao R$ 600,00 que a oposição, na campanha eleitoral, prometeu dar se conquistasse a presidência da República, valor que agora anuncia que defenderá no Congresso.

Sair nomeando gente para os segundo e terceiro e até outros mais modestos escalões do governo antes dessa batalha no Congresso pode aumentar o número de insatisfeitos no Legislativo, criando inconvenientes adicionais para o governo, ainda que sem risco de uma complicação realmente séria – se algum dia os insatisfeitos da base parlamentar governamental em aliança com as fragilizadas oposições impuserem derrotas políticas relevantes ao governo de Dilma Rousseff e/ou ao PT, isso não será agora, não a curto prazo, mas bem lá adiante. E tudo dependendo da avaliação que a população e o eleitorado estiverem fazendo da gestão Dilma Rousseff e da situação da economia nacional.

De qualquer modo, essa fase de adiamentos na composição do governo deixa muita coisa indefinida, em suspenso, retarda muita coisa que deveria ser feita logo e fica, por enquanto, sem fazer.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 7 Fevereiro, 2011 at 9:37 #

Caro Ivan

Enquanto isto, Negromonte avança sem medo ou pejo.

Aqui a Folha de São Paulo:

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PP loteia ministério com aliados da Bahia

Com orçamento de quase R$ 19 bilhões, pasta das Cidades acolhe indicações do governador Jaques Wagner

Atuação do petista foi decisiva para garantir a nomeação do ministro Mário Negromonte, seu apoiador no Estado

SILVIO NAVARRO
DE SÃO PAULO

Com um dos mais poderosos orçamentos da Esplanada (R$ 18,5 bilhões), o PP (Partido Progressista) loteou o ministério das Cidades com ex-congressistas e dois ex-assessores do governador baiano Jaques Wagner (PT) em postos de comando.
Gerenciado desde janeiro pelo deputado baiano Mário Negromonte (PP), o ministério terá Cássio Ramos Peixoto como chefe de gabinete. Ele era diretor da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da gestão Wagner na Bahia.
Ex-deputado estadual, Roberto Muniz (PP-BA) assumirá a secretaria-executiva, posto mais importante da pasta depois do ministro. Ele foi secretário da Agricultura do governo baiano.
Ao contrário do seu antecessor, Márcio Fortes, que era conhecido pelo perfil técnico, Negromonte fez carreira política como deputado e hoje é presidente da seção baiana do PP. No Estado, ele apoia o governo Wagner.
Em troca, o governador ajudou a referendar a indicação do pepista para o ministério diante da pressão do PT para ficar com a pasta.
Wagner fez questão, inclusive, de comparecer à posse de Negromonte no cargo no início de janeiro. O ministro nega interferência.
O PP também escalou o ex-deputado Feu Rosa (PP-ES) para cuidar da relação da pasta com o Congresso.
Rosa chegou a ser citado no primeiro relatório da CPI dos sanguessugas, de agosto de 2006, como um dos congressistas que teriam destinado emendas para o esquema. Quatro meses depois, foi excluído do texto final.
O Ministério das Cidades é um dos destinos favoritos dos parlamentares para direcionar suas emendas devido ao alto potencial de capitalização política com obras como saneamento e habitação.
A pasta tem ainda nomes indicados por outras lideranças, como Rodrigo Figueiredo, que ocupava a secretaria-executiva na gestão de Márcio Fortes. Homem forte no ministério, Figueiredo é da cota do deputado federal Pedro Henry (PP-MT).
Na administração de Negromonte, porém, Figueiredo foi “rebaixado” para uma assessoria especial. O ministro diz que se trata de “readequação”, mas, segundo a Folha apurou, o nome dele não agradava ao Planalto.
Figueiredo também teve histórico de desentendimentos com deputados. Henry é réu no caso do mensalão. Agora, ocupa a Secretaria de Saúde de Mato Grosso.
Também ex-deputado, Leodegar Tiscoski (PP-SC) foi mantido à frente da Secretaria Nacional de Saneamento.
Há uma “cota” alagoana na pasta. O diretor-presidente da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), Elionaldo Magalhães Moraes, é ligado ao senador Benedito de Lira (PP-AL).

Ministro afirma que indicados para a pasta são “técnicos experientes”

DE SÃO PAULO

O ministro Mário Negromonte diz que todos os nomeados por ele para a pasta são “técnicos experientes”.
“Cássio Ramos Peixoto é um técnico com larga experiência no setor público. O Roberto Muniz é um técnico com experiência política”, afirmou o ministro.
Peixoto é o seu chefe de gabinete, e Muniz será o secretário-executivo da pasta. Ambos eram quadros do governo da Bahia na gestão de Jaques Wagner (PT).
Advogado, Negromonte exerceu por quatro vezes o cargo de deputado federal e foi reeleito pelo PP baiano nas eleições de outubro.
Ele teve passagens por PMDB (1986-1988), PSDB (1988-2001) e PPB (2001-2003), que virou Partido Progressista em 2003, ano em que Jaques Wagner assumiu o governo do Estado -no último pleito, já era seu aliado.
Negromonte refuta, porém, que tenha havido interferência do governador nas nomeações nas Cidades.
“A influência do governador Jaques Wagner [nas nomeações] foi zero. O governador nunca sugeriu um nome”, afirmou.
Sobre o ex-deputado Feu Rosa, o ministro afirmou que Rosa “já estava lá [no ministério] havia muito tempo”.

MAL-ENTENDIDO
Feu Rosa disse que seu envolvimento no esquema foi um “mal-entendido”. “Meus adversários políticos se aproveitaram disso”, afirmou.
“Eu fui citado por uma pessoa com quem nunca conversei na vida”, afirmou.


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