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Neto: liderança reforçada no DEM

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OPINIÃO POLÍTICA

ACM Neto e a liderança

Ivan de Carvalho

A eleição, no final da tarde de ontem, do deputado baiano ACM Neto para a função de líder do Democratas na Câmara dos Deputados, por 27 votos contra 16 dados ao paranaense Eduardo Sciarra foi um marco importante – ainda que não possa ser, por enquanto, considerado decisivo – na luta que está sendo travada pelo controle do partido.

Esta não é uma luta ruim para o DEM, seja qual for seu resultado, mas tornou-se inevitável e a esta altura é considerada irreversível. Caso não haja muita competência e bom senso de ambas as partes, o resultado último poderá ser a extinção do Democratas, formalmente, porém bem mais provavelmente na prática.

Se as coisas chegarem a esse estágio, o Democratas terá feito o que o ex-presidento Lula pediu às vésperas das eleições e o povo não fez. Lula dissera aos eleitores que o DEM precisava ser “extirpado”.

Encolheu, por conta do papel que há anos escolhera de coadjuvante do PSDB (da mesma forma que o PMDB vem encolhendo por haver escolhido ser coadjuvante do PT, coisa de que muitos peemedebistas já estão se arrependendo), mas não foi extirpado, saindo das eleições ainda como o quarto maior partido brasileiro. A disputa interna, no entanto, pode fazer o que o eleitorado não fez.

A vitória de ACM Neto na batalha pela liderança democrata na Câmara dos Deputados aproxima o grupo liderado por políticos como o próprio ACM Neto, o senador José Agripino, os deputados Rodrigo Maia (atual presidente nacional do DEM), Ronaldo Caiado e o baiano José Carlos Aleluia (um dos vice-presidentes) de outra vitória, pelo comando do partido. Nesse grupo também está Rosalba Carlini, governadora do Rio Grande do Norte.

No outro lado estão, principalmente, o presidente de honra do DEM, ex-senador Jorge Bornhausen, o outro governador do DEM, Raimundo Colombo, de Santa Catarina, o ex-líder Paulo Bornhausen, filho de Jorge, a senadora Kátia Abreu e o ex-senador Marco Maciel, ex-vice-presidente da República. E, claro, o prefeito de São Paulo, Jorge Kassab, que pode ser considerado, em grande medida, o pivô dessa disputa no DEM.

Kassab, ligado ao tucano José Serra, quer ser candidato a governador de São Paulo em 2014 e para isto sua estratégia passa por atrair o PMDB paulista, cujo quase eterno controlador, Orestes Quércia, morreu há pouco tempo de câncer. Mas Kassab quer ter a seu serviço tanto o PMDB (para onde poderá acabar migrando) quanto o Democratas. A vitória de ACM Neto, ontem, é uma pedra em seu caminho, pois, entre outras coisas, sugere fortemente que o grupo simpático a Kassab no DEM está em desvantagem na batalha pelo controle da legenda.

Claro que a escolha de ACM Neto para a liderança do Democratas na Câmara dos Deputados e a perspectiva de que o grupo partidário em que se inscreve (e que tem mais ligações com o tucano Aécio Neves que com o tucano José Serra) assuma o controle nacional democrata dá algum oxigênio à seção baiana do DEM e reforça a liderança pessoal de Neto na Bahia. Também de Aleluia, se o grupo em que está vencer a luta pelo comando nacional do DEM.

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