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Fortaleza:descoberta de uma cidade
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CRÕNICA DE VIAGEM

Ceará: descobertas na chuva

Maria Aparecida Torneros

Pois não é que eu encontrei um Ceará no meio de muita chuva quando cheguei aqui, pela primeira vez na vida, em corpo presente, neste janeiro de 2011?

Vim para passar uma semana, tenho tido dias, de chuva e sol, se revezando, lugares lindos sendo visitados…a bem da verdade, minha a alma já esteve por aqui desde há muito… quando li Iracema, Senhora, a Pata da Gazela, entre outros, minhas paixões afloraram por José de Alencar e suas personagens fascinantes…Ao visitar o teatro José de Alencar, fiz-me cortesã dos anos 800, seu garbo, pompa e glória, a história do nordeste “in locu” revisitada…minha nossa, tenho lembrado muito da Raquel de Queirós, porque trabalhei nos anos 70 na mesma redação que ela, na revista O Cruzeiro, a autora de O Quinze, Memorial de Maria Moura, criatura tão inteligente, de presença tão forte, inesquecível acadêmica das letras brasileiras.

Mas, o Ceará é muito mais. Mostra-se com sede de produção agrícola, muito verde de irrigação e plantação programada, margeando estradas que levam a pontos turísticos, atualmente explorados estratégica e inteligentemente, pelos investidores portugueses, entre tantos. Há uma Fortaleza histórica e uma cidade crescendo verticalmente. Modernidade a olhos vistos, peremeada de resquícios humanos característicos de povo bravo, lutador, tanto faz o jagunço que vem à cidade grande buscar melhores condições de vida, ou o letrado, com seu diploma debaixo do braço a pleitear um lugar ao sol no desenvolvimento.

Este é um estado que deu a volta na secura da terra, que encontrou soluções para seus problemas climáticos, e ainda o faz, com ganas de superar dificuldades, sangrando açudes ao ver o inverno de janeiro chegar com força acima da média, inundando e apresentando uma natureza que reverteu seu movimento, nos últimos tempos.

Tem um sabor de vitoriosa mudança com ares que me adentram as narinas e os olhos, mostrando-me um lugar aprazível, reorganizado, cheirando a novidades, apesar dos problemas normais de cidades e interiores, por cá se objetiva e se vence as agruras dos tempos da terra seca.

Os meninos da colônia de férias do Sesc em Caucaia me passaram uma alegria contagiante, são fruto de nova época, estão antenados, sabem do mundo novo, estão de olho no futuro de um Brasil melhor. Tiramos muitas fotos juntos, pude sentir sua vivacidade com reflexos de orgulho da sua terra natal.

Vim ao Ceará pela primeira vez, ficarei mais alguns dias, entre sol e chuvas, observo seu dia a dia, na capital e adjacências, fazendo passeios a cidades próximas, conhecendo sua gente, trocando gentilezas, comprando com as rendeiras o artesanato magnífico do lugar, bebendo cajuína geladinha, banhando-me em praias de águas mornas.

É tempo de avistar as jangadas dançando no horizonte, de parar para ouvir e dançar o forró e ainda degustar os pargos.

Um cheiro de cardume fresco sopra na brisa que embala a jangada ao longe…fico por aqui e me embriago de superação, admiro a bravura nordestina, dou um viva ao Ceará, rendo-me aos seus encantos, na arte da sua literatura, no esmero das suas rendeiras, no canto dos seus repentistas, descubro um mundo novo e molhado em contraponto a uma história antiga e seca…

No Ceará 2011, tem é muito desenvolvimento, e quando a gente descansa na rede, é para curtir a sombra da construção de um futuro pródigo, exemplar, pedacinho delicioso de um Brasil intenso e extenso, terra com “secura” de melhores dias para sua gente.

Como diz a canção, a vida aqui só é ruim quando não chove no chão…e deixar uma terra assim, mesmo no último pau-de-arara, já é mesmo coisa de um passado causticante, agora, tecnologia e natureza se uniram em prol de um Ceará que está dando nó em pingo dágua…de chuva ou de irrigação, ainda bem!

Aparecida Torneros é jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária.

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