jan
29
Posted on 29-01-2011
Filed Under (Newsletter) by vitor on 29-01-2011

Pelo menos 102 pessoas morreram desde o início da onda de contestação contra o regime do Presidente Osni Mubarak, que abala o Egito desde terça-feira, indicaram hoje fontes da segurança e médicas.

As mesmas fontes referiram que hoje (sábado,29) morreram 33 pessoas.

O anterior balanço dava conta de 92 vítimas mortais.

Nos últimos cinco dias, o Cairo e outras cidades egípcias têm sido palco de várias manifestações antigovernamentais, que exigem a saída de Mubarak, de 82 anos, no poder há 30 anos.

(Informações do portal europeu TSF, de Lisboa )


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A música da tarde vai para Fortaleza, onde está a passeio a jornalista e escritora carioca Cida Torneros, colaboradora e amiga da primeira hora deste site blog da cidade de Oxum que acaba de cair de amores pela terra de Iracema.

BOA TARDE!!!

(VHS)

jan
29
Posted on 29-01-2011
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OPINIÃO POLÍTICA

A crise no Egito e a paz

Ivan de Carvalho

O Egito, literalmente, pega fogo. Edifícios, veículos, especialmente veículos policiais. Mas o fogo principal está principalmente na mente das pessoas, as que protestam contra o regime do presidente Hosni Mubarak e as que integram sua estrutura de poder ou são a favor de seu governo.

Este segundo tipo de fogo alastra-se, além das fronteiras do Egito, para todo o Oriente Próximo, que as pessoas e os meios de comunicação insistem e continuam insistindo em chamar de Oriente Médio.

Até ontem, além do toque de recolher, o governo egípcio produziu o apagão dos celulares e da Internet (não havia o sinal nem para uma coisa nem para a outra) e proibiu a mídia clássica (jornais e emissoras de rádio e televisão). A intenção era a de não permitir a articulação dos protestos e impedir que a população tomasse conhecimento dos que acontecessem e de outros fatos incômodos ao governo. Assim, eliminou-se provisoriamente a possibilidade de liberdade de expressão – mas os protestos continuaram.

O regime chefiado pelo presidente Hosni Mubarak é autoritário e um dos mais estáveis da região. E o Egito é o alvo mais cobiçado dos radicais islâmicos. O discurso dos que desde a terça-feira protestam nas ruas contra o governo egípcio é o de exigirem, além de melhores condições econômicas, um regime democrático, em que a liberdade tenha o lugar que lhe cabe e haja justiça social.

O discurso é correto. É, aliás, aquele discurso ideal que algumas vezes é realizado em parte e raríssimas vezes no todo. E com certeza também é sincero da parte de muitos que o fazem. Mas não de todos ou, talvez, nem mesmo sequer da maioria. Os valores democráticos não são, infelizmente, um elemento relevante da cultura árabe, com exceção – há tempos atrás, hoje já não dá para dizer a mesma coisa, depois que a Síria violentou o país – do Líbano.

Grande parte da oposição a Mubarak é articulada por pessoas bem mais autoritárias do que ele e certamente muito mais mal intencionadas. Essas pessoas, usando a demogagia em suas várias facetas, inclusive e, no caso, com insistência, uma distorcida argumentação religiosa, conseguem atrair multidões e dominá-las, como ocorre hoje no Irã e como ocorreu há não muito tempo no Afeganistão dos talibãs, dois países muçulmanos, ainda que não árabes.

O que acontece agora no Egito é crucial para o curso e o desfecho do conflito entre Israel, de um lado, e os palestinos e outros nações árabes, do outro lado. O Egito de Mubarak tem sido – depois do acordo de paz que fez com os hebreus o então presidente egípcio Anwar el-Sadat, por isto assassinado, após a guerra árabe-israelense de 1973 e do qual participa ainda a Jordânia – uma âncora da paz na região, que a Síria, o Irã, o Hamas, o Hizbollah e outros atores tentam incendiar.

Fechando o dia, ontem, sob a irresistível pressão dos fatos, Mubarak fez um pronunciamento em que prometeu assegurar ao Egito mais democracia, melhorar a economia e começar tudo isso demitindo e substituindo todos os seus ministros. Será suficiente esta promessa?

O que vai acontecer no Egito e, também por causa disso, na região e no mundo? Em minha trevosa ignorância e sem saber o que prevê a CIA, melhor ir buscar informação na Bíblia, onde o Senhor, pelo profeta Isaías, fala ao povo de Israel: “De nada valerá buscardes o auxílio do Egito, porque não haverá paz; e Israel deve confiar apenas no Senhor”.

Meu Deus…


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Palace São Paulo
13 de abril de 1994

João Gilberto: Violão/Voz

Pra que discutir com Madame
J.de Almeida/ Haroldo Barbosa

Madame diz que a raça não melhora
Que a vida piora por causa do samba,
Madame diz o que samba tem pecado
Que o samba é coitado e devia acabar,
Madame diz que o samba tem cachaça, mistura de raça mistura de cor,
Madame diz que o samba democrata, é música barata sem nenhum valor,
Vamos acabar com o samba, madame não gosta que ninguém sambe
Vive dizendo que samba é vexame
Pra que discutir com madame.

No carnaval que vem também concorro
Meu bloco de morro vai cantar ópera
E na Avenida entre mil apertos
Vocês vão ver gente cantando concerto
Madame tem um parafuso a menos
Só fala veneno meu Deus que horror
O samba brasileiro democrata
Brasileiro na batata é que tem valor.
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BOM DIA!!!
(vhs)

João:silêncio para o violão do artista

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por Claudio Leal

Do Terra Magazine (Direto de São Paulo)

Companheira e mãe de uma filha de João Gilberto, a produtora Cláudia Faissol afirma que a ação de despejo contra o músico, num apartamento no Leblon, Rio de Janeiro, não vai prosseguir.

A proprietária do imóvel, a condessa Georgina de Faucigny Lucinge Brandolini d’Adda, se irritou com os hábitos excêntricos do inquilino, que não aceitou a entrada de pedreiros para realizar uma obra. Segundo Cláudia, uma das pessoas mais próximas a João Gilberto, o problema seria o barulho das britadeiras, incompatível com os ensaios musicais.

“A pessoa que toca violão não pode ficar com uma britadeira na cabeça”, diz a produtora a Terra Magazine. Questionada sobre o namoro com o lendário músico da Bossa Nova, ela esclarece: “Nossa relação é muito diferente de qualquer coisa que possa haver”.

Terra Magazine – Como está a situação de João Gilberto no apartamento? Vai ser resolvida?
Cláudia Faissol – Não confere essa informação. O advogado dele falou que não tem nada. Não é real. Liguei para o advogado, falei com ele. “Não, pode despreocupar, a pessoa queria fazer uma obra e agora já vai poder fazer”. É só uma questão de poder fazer essa obra.

De qualquer modo, ela abriu um processo, não é?
Foi, mas não continuou.

A princípio, ele disse que aceitaria sair, mas agora não mais?
Não, porque tem que fazer uma obra lá, ele se dispôs a fazer. Porque ele toca violão, é chato isso, entendeu? A pessoa que toca violão não pode ficar com uma britadeira na cabeça. Mas já está tudo resolvido.

Ele não está nervoso com essa situação?
Está. Ele ficou um pouco chateado de ter que fazer a obra. Porque ele toca violão…

Fonte: Terra Magazine

http://terramagazine.terra.com.br

jan
29
Posted on 29-01-2011
Filed Under (Charges) by vitor on 29-01-2011


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Humberto, hoje, no Jornal do Comércio (PE)


Fortaleza:descoberta de uma cidade
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CRÕNICA DE VIAGEM

Ceará: descobertas na chuva

Maria Aparecida Torneros

Pois não é que eu encontrei um Ceará no meio de muita chuva quando cheguei aqui, pela primeira vez na vida, em corpo presente, neste janeiro de 2011?

Vim para passar uma semana, tenho tido dias, de chuva e sol, se revezando, lugares lindos sendo visitados…a bem da verdade, minha a alma já esteve por aqui desde há muito… quando li Iracema, Senhora, a Pata da Gazela, entre outros, minhas paixões afloraram por José de Alencar e suas personagens fascinantes…Ao visitar o teatro José de Alencar, fiz-me cortesã dos anos 800, seu garbo, pompa e glória, a história do nordeste “in locu” revisitada…minha nossa, tenho lembrado muito da Raquel de Queirós, porque trabalhei nos anos 70 na mesma redação que ela, na revista O Cruzeiro, a autora de O Quinze, Memorial de Maria Moura, criatura tão inteligente, de presença tão forte, inesquecível acadêmica das letras brasileiras.

Mas, o Ceará é muito mais. Mostra-se com sede de produção agrícola, muito verde de irrigação e plantação programada, margeando estradas que levam a pontos turísticos, atualmente explorados estratégica e inteligentemente, pelos investidores portugueses, entre tantos. Há uma Fortaleza histórica e uma cidade crescendo verticalmente. Modernidade a olhos vistos, peremeada de resquícios humanos característicos de povo bravo, lutador, tanto faz o jagunço que vem à cidade grande buscar melhores condições de vida, ou o letrado, com seu diploma debaixo do braço a pleitear um lugar ao sol no desenvolvimento.

Este é um estado que deu a volta na secura da terra, que encontrou soluções para seus problemas climáticos, e ainda o faz, com ganas de superar dificuldades, sangrando açudes ao ver o inverno de janeiro chegar com força acima da média, inundando e apresentando uma natureza que reverteu seu movimento, nos últimos tempos.

Tem um sabor de vitoriosa mudança com ares que me adentram as narinas e os olhos, mostrando-me um lugar aprazível, reorganizado, cheirando a novidades, apesar dos problemas normais de cidades e interiores, por cá se objetiva e se vence as agruras dos tempos da terra seca.

Os meninos da colônia de férias do Sesc em Caucaia me passaram uma alegria contagiante, são fruto de nova época, estão antenados, sabem do mundo novo, estão de olho no futuro de um Brasil melhor. Tiramos muitas fotos juntos, pude sentir sua vivacidade com reflexos de orgulho da sua terra natal.

Vim ao Ceará pela primeira vez, ficarei mais alguns dias, entre sol e chuvas, observo seu dia a dia, na capital e adjacências, fazendo passeios a cidades próximas, conhecendo sua gente, trocando gentilezas, comprando com as rendeiras o artesanato magnífico do lugar, bebendo cajuína geladinha, banhando-me em praias de águas mornas.

É tempo de avistar as jangadas dançando no horizonte, de parar para ouvir e dançar o forró e ainda degustar os pargos.

Um cheiro de cardume fresco sopra na brisa que embala a jangada ao longe…fico por aqui e me embriago de superação, admiro a bravura nordestina, dou um viva ao Ceará, rendo-me aos seus encantos, na arte da sua literatura, no esmero das suas rendeiras, no canto dos seus repentistas, descubro um mundo novo e molhado em contraponto a uma história antiga e seca…

No Ceará 2011, tem é muito desenvolvimento, e quando a gente descansa na rede, é para curtir a sombra da construção de um futuro pródigo, exemplar, pedacinho delicioso de um Brasil intenso e extenso, terra com “secura” de melhores dias para sua gente.

Como diz a canção, a vida aqui só é ruim quando não chove no chão…e deixar uma terra assim, mesmo no último pau-de-arara, já é mesmo coisa de um passado causticante, agora, tecnologia e natureza se uniram em prol de um Ceará que está dando nó em pingo dágua…de chuva ou de irrigação, ainda bem!

Aparecida Torneros é jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária.


Gil: entrevista para ler e guardar /Fernando Vivas/MUITO
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ARTIGO DA SEMANA

Simone de Beauvoir e Gil: Arte de envelhecer

Vitor Hugo Soares

Há alguns anos recebi de presente de aniversário o livro “A Velhice”, de Simone de Beauvoir, mais importante e referencial ensaio contemporâneo que conheço sobre as condições de vida dos idosos. O regalo – como dizem os portenhos – veio de uma querida irmã jornalista – fã de carteirinha da escritora francesa, mas preocupada, também, com o avançar da idade do mano. A obra, publicada em 1970, segue mais atual do que nunca, principalmente no País de pouco cuidado – para não dizer desprezo escancarado – com os seus velhos.

Mas o jornalístico e factual nesse “nariz de cera” é a oportunidade de dizer que desde então não lembro de ter lido mais nada tão interessante e revelador sobre o envelhecer, que as reflexões do artista Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura do Brasil, esta semana em Salvador.
Estão na entrevista concedida pelo cantor e compositor de 68 anos à jovem repórter Emanuela Sombra, publicada como matéria de capa de “MUITO”, a revista da edição dominical do jornal A Tarde.

Não recordo igualmente de ter lido nada melhor nos jornais e revistas nacionais nesses últimos dias. Sei que afirmativas como essas são perigosas e incomodam muita gente do meio. Mexem com vaidades e ciumeiras tolas do cada dia mais estranho e egocêntrico modo de pensar e fazer jornalismo, ultimamente.

Devo acrescentar, a bem da verdade e da qualidade da informação, nestas linhas, que a entrevista do ex-ministro da Cultura do Brasil não é mais um daqueles tratados insuportáveis sobre velhice, cheios de obviedades e lições hipócritas e “politicamente corretas” de como vencer achaques e limitações.

Gil faz um balanço quase completo da carreira. Fala da vida, da juventude, dos atritos durante sua atuação no ministério do governo Lula (a polêmica demissão do ator Antonio Grassi, que acaba de voltar com Ana de Holanda no governo Dilma, por exemplo). Conversa livre e abertamente, também, sobre amores passados e presentes, da mãe Claudina (a “negra baiana cem por cento” da maravilhosa canção na volta do exílio), da relação com Flora e Sandra (Drão) – mulheres para as quais compôs duas de suas músicas mais belas e expressivas -, dos filhos, netos e amigos. E, obviamente, do show do CD “Fé na Festa”, que ele apresenta domingo (amanhã,30) , na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador.

Já se vê por esta “palinha” que a conversa do autor de “Parabolicamará” com a repórter baiana não é coisa de velho saudosista – como alguns apressadamente podem pensar – maldosamente (ou não) – mesmo que a saudade atravesse as palavras do artista de vez em quando, mas quase sempre daquele jeito bom de que falava o genial sanfoneiro e cantor pernambucano, Luiz Gonzaga, em seu baião antológico.
Mas o forte e eloquente da entrevista é mesmo o jeito original e marcante de Gilberto Gil encarar a velhice, na atual etapa de sua vida e de seu trabalho. Aproximando-se dos 70, o artista não esconde nem evita falar sobre as limitações dos anos nas costas, mas ensina com doçura e realismo como essas limitações estão sendo transformadas por ele numa nova juventude.

Ah! Antes que esqueça por uma traição da memória: As fotos, da capa com o título “Tempo Rei”, e das páginas internas são assinadas por Fernando Vivas (de tantas jornadas ao lado de Bob Fernandes e Ricardo Noblat, pela Bahia e país afora, as vezes também deste que vos escreve, no tempo da sucursal da Veja ). Imagens que impactam, encantam, informam e fazem pensar nessa matéria quase completa em termos de bom jornalismo.

Gil com a palavra, sobre as limitações do envelhecer e seu jeito de encarar o passar do tempo:
“Muda o sentido de atenção, de cuidado. O desempenho físico é outro, as tarefas, os afazeres são afetados. E isso também afeta o desempenho psíquico. A memória é uma coisa que é afetada drasticamente, ela começa a ter menos resposta do que antes. Envelhecer implica uma outra maneira de viver, uma outra arte de viver, novas autorresponsabilidades. Você passa a ter que responder a si próprio de maneira diferente, a dizer sim de maneira diferente, a dizer não mais severo, com mais intensidade, mais frequência. Passa a aceitar o sentimento de renúncia com mais resignação”.

Um pouco mais de um dos motores mais vibrantes da revolucionária Tropicália na entrevista a Muito, quando a repórter pede que ele explique melhor: “Renuncia a muita coisa que você não pode fazer mais, como subir uma escada, que era um ato inconsciente e irresponsável. Hoje em dia envolve todo um desempenho e um empenho, um cuidado ao subir ou descer uma escada que me obriga a renunciar a tudo aquilo, à espontaneidade, ao desleixo, a uma impetuosidade”. Subir em um trio elétrico no Carnaval de Salvador, para passar horas como no passado, também é algo impensável atualmente, confessa Gil.

Tem mais, muito mais na entrevista para ler e guardar. Como o livro que Simone de Beauvoir escreveu nos anos 70 para rasgar o véu de hipocrisia e “quebrar a conspiração do silêncio” em relação à velhice, assunto que aparece para os homens e para a sociedade como uma espécie de “segredo vergonhoso”.
Grande Simone! Bravo Gil!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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Gil canta Não Tenho Medo da Morte, canção que faz parte do CD Banda Larga Cordel, durante a apresentação em Washington.

BOA NOITE!!!

(VHS)

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