Sergio com Wagner:antes da largada
=====================================================

OPINIÃO POLÍTICA

Uma lista muito restrita

Ivan de Carvalho

O prefeito Luiz Caetano elegeu-se ontem presidento da União dos Municípios da Bahia (UPB, sigla em memória do tempo em que a entidade tinha a denominação de União dos Prefeitos da Bahia e, depois, de União das Prefeituras da Bahia, até chegar-se à conclusão de que seria mais “republicana” a nomenclatura atual).

O governo Wagner e o PT, nos últimos dois anos, quando a UPB foi conquistada e sua presidência ficou sob o controle do PMDB comandado pelo deputado Geddel Vieira Lima, aprenderam que a entidade tem significação política. Vitorioso nas eleições de outubro último para o governo estadual, Congresso Nacional (bancadas baianas) e Assembléia Legislativa, o governismo baiano tratou de incluir em seu patrimônio político também a UPB.

Caetano, se precisou brigar para chegar ao cargo, foi bem antes de alcançá-lo. Na fase final das articulações, porque não houve propriamente campanha, tornou-se notória a circunstância de que ele e sua base de sustentação política eram suficientes para afastar a hipótese de um competidor à altura, razão pela qual empreendeu-se a caminhada para uma chapa única.

Claro que uma chapa única, sem litigantes, reduz o interesse na votação. E a composição da chapa, especialmente se realizada sem cuidados extremos, deixa descontentes. Terá sido por estes dois motivos, provavelmente mais pelo segundo que pelo primeiro, que houve uma grande abstenção. Na eleição anterior para a direção da UPB, houve apenas 25 abstenções. Na eleição de ontem, 90 das 417 prefeituras baianas não votaram.

Cumpre uma observação. O novo presidento da UPB é prefeito reeleito de uma das mais importantes cidades da Bahia, Camaçari, é do PT e foi o coordenador geral da campanha do governador Jaques Wagner à reeleição. Com a eleição de ontem, Caetano dá mais um passo para confirmar sua presença, ainda que por enquanto muito discreta, na restrita lista de possíveis candidatos à sucessão de Wagner nas eleições de 2014.

Partindo da premissa de que o candidato do PT, do governo e de Wagner (que a partir de abril de 2014 poderá já não estar no cargo, mas preparando-se para disputar a cadeira de senador que estará em jogo) seja necessariamente alguém filiado ao PT – que detesta abrir mão dessas coisas – há dois nomes em posições bem menos discretas que a de Caetano na lista de possíveis candidatos ao governo.

No momento, o primeiro, com mais destaque, digamos, na pole position, é José Sérgio Gabrielli, eficiente presidento da Petrobrás em todos os sentidos. Na verdade, é até tentador fazer uma “lista” somente com o nome dele. Mas como isso não seria uma lista e como, também – como dizia o carrancudo ex-ministro da Justiça do ex-presidento Ernesto Geisel, Armando Falcão, “o futuro a Deus pertence” – pode-se, ao lado de Caetano, inscrever também o senador eleito Walter Pinheiro.

Be Sociable, Share!

Comentários

luiz alfredo motta fontana on 28 Janeiro, 2011 at 10:53 #

Caro Ivan de Carvalho

Para este paulista distraído entender:

Você está dizendo que Gabrielli é a “Dilma” do Wagner?


danilo on 28 Janeiro, 2011 at 14:26 #

crêindeuspái… valêimianossenhóra…


Ivan de Carvalho on 28 Janeiro, 2011 at 17:14 #

Fontana,

Não, não estou dizendo que Gabrielli é a Dilma do Wagner. É bem diferente. Gabrielle é militante do PT desde político criancinha, fundador do PT. Eu o conheci bem, como pessoa e em inteligência e caráter, durante um tempo em que, jovem economista iniciante, e já militante político, o tive como colega na redação da Tribuna da Bahia, aqui em Salvador. Ele esteve depois muito tempo empenhado em suas atividades de economista, mas sem nunca afastar-se da participação política como militante do PT, no qual desfrutou sempre de excelente conceito, que extrapolava o partido. Quando este foi vitorioso na Bahia e Lula reelegeu-se, o PT baiano (com o aval do Wagner, claro) incluiu Gabrielli entre suas indicações para o governo federal. Ele tem ido bem na Petrobrás e se em alguma coisa a empresa perdeu sob sua gestão (penso no caso Bolívia) não perdeu por causa da opinião de Gabrielli, mas de posições (que achei erradas, mas quem as adotava não era eu nem o Gabrielli) da política externa brasileira para os bons-maus vizinhos da América do Sul.
Na Bahia, se é isso que você pergunta, o Gabrielli não é uma invenção política.


Ivan de Carvalho on 28 Janeiro, 2011 at 17:23 #

Danilo

Eu também creio em Deus Pai. E Estou convicto de que, independente do caso baiano, mas por cenários mais amplos, vamos precisar muito que Nossa Senhora nos valha. E com uma certa urgência.
Abs


luiz alfredo motta fontana on 28 Janeiro, 2011 at 17:30 #

Caro Ivan

Por outro lado, posso pensar e arriscar te contradizer, posto que Gabrielli é jejuno em votos. portanto em embates democráticos, sendo certo que dirigir uma empresa, por maior que seja, face à comezinha indicação, indicaçãp esta que permeia a tradição e busca do PT em aparelhar o estado, é diverso de qualquer capital político eleitoral.

Sendo assim, para este paulista. Gabrielli assemelha ser a “Dilma” de Wagner.

Ao mais, respeito tuas relações de cunho pessoal, sobre as quais não devo, nem posso, tecer qualquer comentário.


luiz alfredo motta fontana on 28 Janeiro, 2011 at 18:32 #

A administração da Petrobrás é uma zona cinzenta, também apelidada na mídia de “caixa preta”, o que em muito colide com a gestão de uma empresa moderna, que detém tanto os interesses da “viúva”, por ser estatal, como também os de seu expressivo corpo de acionistas, aqui e lá fora.

Gabrielli, descendo ao campo de batalha eleitoral, colocará, por certo, a administração dos últimos anos sob o foco de embates, o que poderá causar alguma turbulência neste mercado tão sensível.

Será, contudo, no mínimo didático observar a desenvoltura do candidato Gabrielli, especialmente no que diz respeito à surpreendente e prematura exposição, justo agora, após ter sido habilmente reconduzido à presidência da estatal, tendo adiado o sonho de tornar-se senador, ao menos era o que se ventilava na mídia em 2010.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • Janeiro 2011
    S T Q Q S S D
    « dez   fev »
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    24252627282930
    31