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OPINIÃO POLÍTICA

Serra cobra oposição

Ivan de Carvalho

A configuração de poder no Brasil para o futuro em médio prazo – até 2014, para quando estão previstas as próximas eleições federais e estaduais – é francamente desfavorável às oposições.

Há algumas dificuldades também na situação, mas, vistas de agora as coisas, são pouco relevantes quando comparadas às dificuldades oposicionistas.

O governo da presidente Dilma Rousseff enfrenta problemas na área financeira. Está delineada faz já algum tempo uma crise cambial, que não é exclusiva do Brasil, mas nos atinge severamente e tende a se agravar. O Banco Central está encontrando cada vez maior dificuldade para conter a apreciação do real frente ao dólar e isto prejudica as exportações e estimula as importações.

Não fosse o excelente desempenho das comodities – principalmente alimentos – e a balança comercial já estaria em crise total. Uma outra ajuda que o país tem recebido é a oferta “generosa” de investimentos estrangeiros, especulativos, muitos, direcionados à produção ou ao comércio e serviços, outros. Isso está ajudando a manter sem traumas o balanço de pagamentos.

Mas o governo Dilma enfrenta a ainda moderada, mas perigosíssima (por causa da tradição brasileira) herança maldita da inflação deixada pelo último ano do mandato de Lula, o ano eleitoral, da gastança eleitoreira sem censura. Inflação agravada pelo progressivo inchaço da máquina de poder federal durante os oito anos de mandato do ex-presidente.

Por conta dessa inflação, o Copom acaba de inverter a tendência de queda de juros, elevando em 0,5 por cento a taxa básica de juros (Selic). O reajuste real do salário mínimo será de 0,16 por cento ao dia. Cortes profundos estão sendo planejados para os orçamentos setoriais, inclusive no setor da Saúde, no qual, em relação direta, quando se cortam reais, cortam-se vidas. Uma maldade inominável.

E o governo também enfrenta problemas políticos. Os principais, por enquanto, relacionam-se com a insatisfação contida, mas não vencida, do PMDB com a posição subalterna reservada ao grande e fundamental aliado pelo novo governo petista.

Mas pior estão as coisas nas oposições. Vejamos apenas, ligeiramente, os dois maiores partidos. O Democratas está empenhado numa luta fratricida entre duas facções por causa de um prefeito, Gilberto Kassab, de São Paulo, que ninguém sabe (talvez nem ele mesmo saiba ainda) se ficará no DEM ou passa para o PMDB. E o DEM, ou boa parte dele, já vê com maus olhos seu papel tradicional de coadjuvante do PSDB.

Enquanto isso, no PSDB, o maior partido oposicionista, os dois principais políticos militantes, José Serra e Aécio Neves, treinam para o embate que sabem inevitável, já que nenhum deles se dispõe a deixar de concorrer a presidente (Serra pela terceira vez) da República em 2014. Serra luta para manter-se à tona, trabalhando para ser eleito presidente nacional da legenda. E, pasmem, pede ao partido que faça oposição de verdade (ele que nem no governo paulista e nem mesmo na campanha eleitoral para presidente fez isso). Aécio lutará com armas que ainda não exibe. Sua postura de oposicionista ante o governo Dilma espera por definição. E seu trabalho de atração do PMDB tem que esperar que surjam a oportunidade e o momento certos.

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