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Dilma: afinal, como designa-la?

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OPINIÃO POLÍTICA

Presidente, presidenta, presidento

Ivan de Carvalho

Vamos combinar. Enquanto o governador Jaques Wagner vai se ocupando e à mídia nas escolhas que anda faltam para a composição do primeiro escalão de seu governo, creio que não vale a pena ficar aqui tentando dar informações que reduzam a ansiedade dos que esperam permanecer ou entrar, mas não sabem se conseguirão uma coisa ou outra. Eles que tomem diazepam ou, se forem naturebas, chá de camomila ou suco de abacaxi. Aliás, o abacaxi é uma fruta adequada ao momento.

Enquanto os aspirantes a ficantes ou entrantes (não creio que haja algum aspirante a sainte) se descabelam, vale abordar questão muito mais amena e, acredito, de muito mais relevância, pois diz respeito à própria natureza de nosso idioma, “última flor do Lacio, inculta e bela”.

Está rolando na Internet desde pelo menos a época da campanha para o segundo turno da eleição presidencial um escrito de José Bonés, filólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É que foi exatamente nesse período que, preocupada com a resistência das eleitoras – bem maior que a dos eleitores – à candidatura de Dilma Rousseff, decidiram Lula e o marketing da campanha que ela não mais seria candidata a presidente, mas a presidenta.

Palavrinha, melhor dizendo, palavrão estranho e feio, mas inventado com o óbvio propósito de adular (já que não se lhe poderia puxar o saco) as mulheres que integram o corpo eleitoral com um toque feminista. Um toque esquisito e errado, é verdade, mas supõe-se que de alguma utilidade, tanto que até hoje Dilma Rousseff se auto-qualifica de “presidenta”, ainda que ponha Luiz de Camões a revolver-se no túmulo. E não faltou nem falta ainda a militância petista a jurar em falso que estão certos ambos os termos, presidente e presidenta.

Não estão não. Presidente é palavra neutra. Serve há séculos para os dois gêneros. Presidenta é palavra feminina e, se insistem em usá-la, então que quando o ocupante do cargo for homem, distingam-no não com a forma correta e neutra, mas com a masculina, presidento. Apenas uma questão de equilíbrio. Burro, mas equilíbrio.

Mas vamos a parte do texto do filólogo José Bonés.

“Presidenta?

Mas, afinal, que palavra é essa?
Bem, vejamos:
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais.
Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, de cantar é cantante, de existir é existente, de mendicar é mendicante…
Qual é o particípio ativo do verbo ser?
O particípio ativo do verbo ser é ente.
Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa o verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”, independente do gênero, masculino ou feminino.
Se diz capela ardente e não capela “ardenta”; e diz estudante e não “estudanta”; se diz adolescente, e não “adolescenta”; se diz paciente, e não “pacienta”.
E completa José Bonés, com um parágrafo irônico, que tomo a liberdade de atualizar e reduzir a maldade, antecipando ao autor meu pedido de desculpas:
“A presidente se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para ser eleita representanta. Esperamos algum dia vê-la sorridenta, pois esta dirigenta política, como principal membra do governo brasileiro, não tem o direito de adotar atitudes barbarizantas contra o pobre idioma português só para ficar contenta”.

Pois é. Viram no que dá mexer indevidamente numa letrinha?

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 19 Janeiro, 2011 at 11:15 #

Caro Ivan de Carvalho

Crônica brilhante, ou como diria dona dilma, a “Geizel de saia”, segundo Carlos Chagas,: – BRILHANTA.

Em tempo:

A preferência por ANTA é óbvia, não é?


luiz alfredo motta fontana on 19 Janeiro, 2011 at 12:00 #

Retomando o ente

Desculpando-me pelo anta canhestro do comentário acima

Dilma mostra o que é, essa forçada de barra, ou de sufixo, é o mais do mesmo, Dilma continua apresentando-se como aquela que é especialista em não se sabe bem o que.

Sabe-se que é enérgica, embora os que se submetam à ela são os mesmo que se submetem à qualquer sombra de poder.

Sabe-se que é fiel, mas só aparentemente, Brizola que o diga.

Sabe-se enfim que não é doutora e nem Norma Benguell.

De resto, especula-se!

Afinal quem é Dilma????


Marco Lino on 19 Janeiro, 2011 at 13:28 #

Caro Carvalho,

É possível que o filólogo escolhido não tenha lido Machado de Assis. Ou, talvez, tenha lido e discordado. Normal. Há pessoas (como eu) que discordam até da própria sombra. Mas segue um pequeno fragmento do (agora apequenado) escritor brasileiro mais elogiado pelos literatos:

“Na verdade, um presidente, uma presidenta, um secretário era resolver as cousas de um modo administrativo” (Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas).

Ainda sobre o tema, segue, como contraponto ao “filólogo” da UFRJ, um artigo do Sírio Possenti, da Unicamp, que escreve regularmente (como o nosso VHS) para a revista eletrônica Terra Magazine:

“Se eu pudesse decidir, com base apenas no meu gosto, Dilma seria chamada de “presidente”. Mas quem disse que meu gosto é critério? E logo posso me acostumar. Porque língua funciona muito na base do costume.

Leio que ela voltou à carga. Que, tendo visto documentário com Pilar Del Rio, que insistia em ser chamada “presidenta” de uma fundação, avisou que quer esta forma de tratamento. Durante a campanha, as duas formas foram usadas, “presidente” e “presidenta”, por ela e por outros, às vezes no mesmo evento, e até na mesma fala.

A novidade não é a forma feminina. A novidade é uma mulher no cargo. Chamá-la de “presidente” ou de “presidenta” se tornou um pequeno dilema, que lembra um certo rebolado que os outros candidatos tinham que encarar, antigamente, com Lula entre eles, nos debates: chamá-lo de “você” poderia parecer preconceito; chamá-lo de “senhor” parecia inadequado, já que era um operário (hoje quase todos se chamam de “você”, mesmo se são doutores, e esta pode ter sido uma das consequências da popularização de certas candidaturas).

O principal argumento que tenho visto em favor da forma “presidenta” é seu registro nos dicionários. O argumento é que não está errado. Não só no Houaiss, bem recente, mas também no Aurélio e, pasmem, no Caldas Aulete. Digo “pasmem” não porque o registro da forma feminina nesse dicionário mais antigo seja de pasmar. Exclamo “pasmem” porque vi circular uma textinho, que teria sido baixado do Aulete digital, que ridicularizava a forma feminina de maneira francamente ridícula. O argumento era: se se diz “presidenta”, por que não “contenta”? Mas isso não era nada: acrescentava-se que então também se deveria dizer “presidento contento”.

Vejo na Internet que esse dicionário pode ser atualizado. Deduzo que o acréscimo em questão deve ter sido feito por um analfabeto. Pelo menos em morfologia e em lexicologia. Primeiro, porque os argumentos são elementarmente errados. Não é porque não se diz “gerenta” que não se diz “presidente” ou “parenta”. No domínio do léxico, as irregularidades são muitas. E as formas se fixam ou não se fixam em razão do que uma sociedade considera necessidades. Mas, principalmente, do fato de que se diga “presidenta” não decorre que se diga também “contenta” e, muito menos, que se diga “presidento”. Se todas as palavras masculinas devessem terminar em “o”, teríamos que dizer “dar tiros de revólvero”, “beber umas no baro”, servidos por um “garçono”, enquanto vemos um jogo de “futebolo”. Ora!

Línguas levam os fatos rigorosamente a sério. Só se usa o que se usa. Em segundo lugar, no Aulete de verdade (quer dizer, na edição atualizada por Hamilcar de Garcia, porque o original é bem anterior), a forma “presidenta” está registrada. A edição é de 1974, bem antes da eleição de Dilma Roussef. O que está lá é: “Presidenta, s.f. (fam.). 1. mulher que preside; esposa de um presidente. // F. presidente”. Esse “F” quer dizer “formação”, ou seja, informa sobre a origem da palavra. “fam.”

Se um argumento em favor da forma é seu registro em dicionários, é claro que o argumento contrário se valerá do mesmo critério de autoridade. Mas, como se vê pelo caso Aulete Digital, há autoridades bem questionáveis.

Outro argumento contrário ao uso de “presidenta” seria que se trata de um som horrível. Nossos ouvidos pedem “presidente”, alega-se. “Nossos” de quem, cara pálida? O argumento me lembra o de uma gaúcha de Erechim chamada Sheila que disse ter gostado de Harry Potter, mas não da dublagem carioca, porque tinha muitos “x”… como em Sheila e em Erechim (trata-se do som, é óbvio!). Também me lembra dos que riem do francês que “faz biquinho”, porque nunca se viram, ou nunca viram os outros, proferindo “oo” e “uu” em português.

Feminismo exagerado? Tem sido outro argumento. Apesar da antiguidade do Aulete, talvez valesse a pena chamar o velho Sigmund e perguntar-lhe se não há, escondida, alguma resistência às mulheres no comando, ou a uma mulher em particular. Pode ser tucanismo enrustido, pode ser ojeriza da política como tem sido feita. Razões nobres. Mas que se culpem os sons! Aposto que os que acham o som de “presidenta” horrível não têm nada contra “magenta”, “setenta”, “sedenta” ou mesmo “purulenta” e “polenta”.
________________________________________________________

PS – Parece que o Possenti está mais para anti-tucano do que para “lulo-petista”.

PS2: Também parece que o nome do cidadão é José Bones – o dos bonés é o cara lá da Veja…

Abraços!


luiz alfredo motta fontana on 19 Janeiro, 2011 at 14:06 #

mas…

Mesmo que sem rogar a Saussere

Quem é Dilma?????


regina on 19 Janeiro, 2011 at 15:12 #

Senhores/as, bom dia, o meu só agora começa… Ah, a língua portuguesa, tão complicada, cheia de acentos e nuances…fico pensando nas vezes que a “assassinei” nos meus comentários e textos, aqui publicados, vai o pedido de clemência…. são muitos anos sem usa-la com tamanha regularidade.
Em fim, gosto mais do termo: A presidente do Brasil, Dilma Russeff…. Por que queira o poeta, ou não, ela é! E o amigo Lino, soltou o verbo hoje, sem travas…GOSTEI!!!!


regina on 19 Janeiro, 2011 at 15:19 #

Dilma Rousseff, quero dizer.


Marco Lino on 19 Janeiro, 2011 at 15:30 #

Caríssima Regina,

Não escrevi a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e nada! Este verão nordestino (apesar do dia ameno de hoje) me deixa com uma preguiça danada…Estou à base de control c, control v.

Mesmo porque nada tenho a falar sobre nossa língua pois sou, como disse outro dia ao Ivan, um mobral inveterado.

Abs e bom inverno (?) aí no norte do continente.


Ivan de Carvalho on 19 Janeiro, 2011 at 22:42 #

1. Fontana, a preferência por ANTA é óbvia. Tão óbvia quanto BRILHANTA.

2. Marco Lino,
Que alentado tratado, amigo… uma presidenta não vale tanto…
Mas, indo adiante.

a) O autor do libelo filológico contra a palavra presidenta é, como você supôs, José Bones e não Bonés, como eu distraidamente escrevi, meio em dúvida, mas não tive paciência de voltar ao email em que estava a estória para conferir.

b) Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 e morreu em 29 de setembro de 1908. E considerado o maior nome da literatura nacional, de modo que quando ele (ou alguém como ele) usa uma palavra, ela, se já não existia antes, passa automaticamente a existir no meio acadêmico. Ele usou presidenta. Admira-me que não haja usado também presidento, devia ter algum preconceiro de gênero, o que naquele tempo não era politicamente incorreto. Não é de admirar que, tendo ele usado presidenta, o dicionário Caldas Aulete, cuja primeira edição no Brasil ocorreu em 1958, haja papagaiado o celebrado escritor. Na base do “ele escreveu, tá escrito”.
Depois vieram o Houiss e o Aurélio e seguiram a mesma trilha, aí com a justificativa adicional de que a presidenta já estava, além de em Machado de Assis, no Caldas Aulete.
Mas eu diria que a palavra inventada ou recepcionada por Machado e pelos três dicionários não foi recepcionada pelo povo, que é quem cria e confirma a língua pelo uso.
Quem, antes de Dilma e sua campanha, foi chamada de presidenta? Nunca ouvi essa droga de palavra, que finge pretensão feminista, mas tem real sentido de marketing político, como assinalei no artigo que você comentou.

c) Com Sigmund ou sem ele, a questão da resistência a mulheres (ou a uma mulher) no comando não seria minha. A resistência detectada o foi por pesquisas eleitorais compulsadas àvidamente pela equipe de marketing políticao da campanha da candidata e hoje presidente. Verificou-se (mencionei isso no artigo) que a rejeição à candidatura dela era maior entre as mulheres que entre os homens. Aí bolaram umas maneiras de tentar conquistar das mulheres-eleitoras mentes e corações. E PRESIDENTA foi um dos mais evidentes estratagemas.

d) Não convém invocar Sigmund nessa história. Deixa a alma (psiqué) dele em paz. É melhor…


Ivan de Carvalho on 19 Janeiro, 2011 at 22:48 #

Corrigindo: Houaiss – e não Houiss.
O pai do filólogo complicou demais o nome dele. E como está na capa do dicionário, não tem jeito, existe e ninguém muda.


Marco Lino on 20 Janeiro, 2011 at 14:38 #

Pois é, Ivan

Também não gosto da palavra presidenta, mas defendo seu uso (e existência).

Só lembrando: o artigo é do professor Sírio Possenti.

Abraços


Jader Martins on 20 Janeiro, 2011 at 20:12 #

Marcos Bagno: É presidenta, sim!

O Brasil ainda está longe da feminização da lín-gua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma “presidenta”, que assim seja chamada.
Se uma mulher e seu cachorro estão atraves-sando a rua e um motorista embriagado atinge essa senhora e seu cão, o que vamos encontrar no noticiário é o seguinte: “Mulher e cachorro são atropelados por motorista bêbado”. Não é impressionante? Basta um cachorro para fazer sumir a especificidade feminina de uma mulher e jogá-la dentro da forma supostamente “neutra” do masculino. Se alguém tem um filho e oito filhas, vai dizer que tem nove filhos. Quer dizer que a língua é machista? Não, a língua não é machista, porque a língua não existe: o que existe são falantes da língua, gente de carne e osso que determina os destinos do idioma. E como os destinos do idioma, e da sociedade, têm sido determinados desde a pré-história pelos homens, não admira que a marca desse predomínio masculino tenha sido inscrustada na gramática das línguas.
Somente no século 20 as mulheres puderam começar a lutar por seus direitos e a exigir, inclusive, que fossem adotadas formas novas em diferentes línguas para acabar com a discriminação multimilenar. Em francês, as profissões, que sempre tiveram forma exclusivamente masculina, passaram a ter seu correspondente feminino, principalmente no francês do Canadá, país incomparavelmente mais democrático e moderno do que a França. Em muitas sociedades desapareceu a distinção entre “senhorita” e “senhora”, já que nunca houve forma específica para o homem não casado, como se o casamento fosse o destino único e possível para todas as mulheres. É claro que isso não aconteceu em todo o mundo, e muitos judeus continuam hoje em dia a rezar a oração que diz “obrigado, Senhor, por eu não ter nascido mulher”.
Agora que temos uma mulher na Presidência da República, e não o tucano com cara de vampiro que se tornou o apóstolo da direita mais conservadora, vemos que o Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada. Mas o que faz a nossa “grande imprensa”? Por decisão própria, com raríssimas exceções, como CartaCapital, decide usar única e exclusivamente presidente. E chovem as perguntas das pessoas que têm preguiça de abrir um dicionário ou uma boa gramática: é certo ou é errado? Os dicionários e as gramáticas trazem, preto no branco, a forma presidenta. Mas ainda que não trouxessem, ela estaria perfeitamente de acordo com as regras de formação de palavras da língua.
Assim procederam os chilenos com a presidenta Bachelet, os nicaraguenses com a presidenta Violeta Chamorro, assim procedem os argentinos com a presidenta Cristina K. e os costarricenses com a presidenta Laura Chinchilla Miranda. Mas aqui no Brasil, a “grande mídia” se recusa terminantemente a reconhecer que uma mulher na Presidência é um fato extraordinário e que, justamente por isso, merece ser designado por uma forma marcadamente distinta, que é presidenta. O bobo-alegre que desorienta a Folha de S.Paulo em questões de língua declarou que a forma presidenta ia causar “estranheza nos leitores”. Desde quando ele conhece a opinião de todos os leitores do jornal? E por que causaria estranheza aos leitores se aos eleitores não causou estranheza votar na presidenta?
Como diria nosso herói Macunaíma: “Ai, que preguiça…” Mas de uma coisa eu tenho sérias desconfianças: se fosse uma candidata do PSDB que tivesse sido eleita e pedisse para ser chamada de presidenta, a nossa “grande mídia” conservadora decerto não hesitaria em atender a essa solicitação. Ou quem sabe até mesmo a candidata verde por fora e azul por dentro, defensora de tantas ideias retrógradas, seria agraciada com esse obséquio se o pedisse. Estranheza? Nenhuma, diante do que essa mesma imprensa fez durante a campanha. É a exasperação da mídia, umbilicalmente ligada às camadas dominantes, que tenta, nem que seja por um simples – e no lugar de um –a, continuar sua torpe missão de desinformação e distorção da opinião pública.
Marcos Bagno é professor de Linguística na Universidade de Brasília.
Via CartaCapital


Ivan de Carvalho on 21 Janeiro, 2011 at 17:46 #

Jader Martins,

Entendo sua posição. E que você não fez um comentário sobre o assunto. Você fez uma REIVINDICAÇÃO.
Como assim é, que seja.
Abs, Ivan


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