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OPINIÃO POLÍTICA

O NOVO SECRETARIADO

Ivan de Carvalho

O governador Jaques Wagner mandou anunciar a lista dos primeiros 15 secretários de Estado para o seu novo mandato. Desses, dez foram mantidos. A renovação, por enquanto de um terço, atingiu as secretarias de Turismo, Infraestrutura, Cultura, Planejamento e Segurança Pública. Nesta, a mudança de titular foi uma surpresa total.

O leitor encontrará a relação das nove secretarias que ainda não foram objeto de decisão, juntamente com a Procuradoria Geral do Estado. Isto posto, e com a exigüidade de informações causada pela mais completa ausência de informações do governo sobre os fundamentos tanto das mudanças quanto das permanências (apenas dá-se conta de que se buscou agregar qualificação técnica e capacidade política), vamos do mais simples ao mais complexo.

Uma novidade na estrutura administrativa é a recriação da Secretaria de Comunicação, que deixa de ser um apêndice da Casa Civil e continua sob o comando de Robinson Almeida. Sabe-se que o trabalho dele durante o primeiro mandato de Wagner é considerado excelente por este.

Na Secretaria do Turismo o retorno de Domingos Leonelli, do PSB, praticamente dispensa explicações. O PSB da Bahia tem duas lideranças principais. Uma delas, a Lídice da Mata, é agora senadora eleita. Leonelli era secretário de Turismo durante o primeiro mandato de Wagner e desincompatibilizou-se para concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados, casa legislativa que já integrou, com destaque, no passado. Não obteve desta vez êxito eleitoral e assim está de volta ao cargo de secretário do Turismo, onde vinha tendo bom desempenho.

O deputado federal Zezéu Ribeiro, petista da tendência “Construindo um Novo Brasil”, vai para a Secretaria do Planejamento, como estava previsto e onde sucederá ao excelente técnico Antonio Alberto Valença, que ocupava o cargo desde a desincompatibilização do deputado Walter Pinheiro.

O vice-governador Otto Alencar está escolhido para a importante Secretaria de Infraestrutura. Ele é do PP e há em setores do partido um certo, mas incompreensível receio de que ele, neste cargo, cresça demasiado politicamente, tonando-se força predominante no PP. Mas como? Primeiro, Otto entra para somar, não para dividir. Segundo, os demais líderes do PP da Bahia são o prestigiado deputado João Leão e o mais prestigiado ainda deputado Mário Negromonte, ministro das Cidades. Depois, não seria uma secretaria estadual, por mais importante que seja, que acrescentaria muito ao currículo político de quem já foi presidente da Assembléia Legislativa por dois anos, vice-governador duas vezes e governador titular por nove meses.

Surpresa na Cultura. Não por ter saído mesmo Márcio Meirelles. Mas por haver entrado Albino Rubim, de quem ninguém publicamente falara. É uma escolha considerada polêmica no meio cultural, assim como foi a anterior, de Meirelles. Não se discute sua bagagem acadêmica, cheia de cursos e títulos. Mas Rubim é um homem de gabinete, permanentemente dedicado à política acadêmica, canal pelo qual adquiriu a absoluta confiança do PT, ao qual é vinculado.

Resta a Secretaria da Segurança Pública. Dois aspectos.
Primeiro: sai o segundo delegado federal posto no cargo pelo governador, Cezar Nunes e entra o terceiro, Maurício Barbosa. O primeiro, como se recorda, foi Paulo Bezerra. A polícia estadual, especialmente a Civil, que tanto se tem esforçado para que um delegado estadual assuma o cargo de secretário, deve estar deprimida.

Segundo: o governador não estará deprimido. Se teve alguma razão desconhecida para trocar o comando, algum dia se saberá. Mas não precisava. A segurança continua em crise. Nessas situações, troca-se o comando e cria-se uma expectativa, obtém-se uma trégua com a opinião pública e a mídia, enquanto se tenta produzir alguma melhora. Detalhe: Maurício Barbosa já trabalhava na gestão de Cezar Nunes, chefiando o setor de Inteligência, que é vital no combate ao crime organizado fora e, eventualmente, dentro da polícia.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 18 Janeiro, 2011 at 10:13 #

Caro Ivan Carvalho

Em relação a este trecho:

“Resta a Secretaria da Segurança Pública. Dois aspectos.
Primeiro: sai o segundo delegado federal posto no cargo pelo governador, Cezar Nunes e entra o terceiro, Maurício Barbosa. O primeiro, como se recorda, foi Paulo Bezerra. A polícia estadual, especialmente a Civil, que tanto se tem esforçado para que um delegado estadual assuma o cargo de secretário, deve estar deprimida.”

Faz sentido a insistência em nomear Federais. A polícia estadual está, por definição e origem, sob as ordens do governador, já a Federal detém competência para investigar governadores.

Não deixa de ser uma medida caráter cautelar.


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