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Postado em 12-01-2011
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 12-01-2011 13:22


João vira estorvo no PMDB
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OPINIÃO POLÍTICA

O PMDB e João Henrique

Ivan de Carvalho

O noticiário dá conta de que a Executiva Estadual do PMDB vai se reunir na semana que vem para discutir uma questão “muito desgastante para o partido”, na avaliação do presidente da legenda na Bahia, o deputado eleito Lúcio Vieira Lima.

Ainda segundo o noticiário, Lúcio reconhece que o prefeito não cometeu qualquer transgressão estatutária, mas será examinada uma forma de encarar o problema, “porque o nome do prefeito, sempre associado a fatos negativos, sai na imprensa como filiado ao PMDB”, acarretando, conforme o presidente peemedebista, prejuízo para a legenda.

Lúcio Vieira Lima lembra que o prefeito parou de ouvir “os técnicos e articuladores políticos” do PMDB e avalia que a partir daí a administração de João Henrique entrou em “queda livre”. Segundo Lúcio, uma decisão ainda não havia sido tomada porque a prefeitura de Salvador não estava “degringolando assustadoramente” como estaria agora. “Antes, o problema era político. Agora, o destaque é político-administrativo, inclusive por causa de casos que vêm à tona de dispensa de licitação”, disse o presidente do PMDB ao blog Por Escrito.

Bem, a direção do PMDB pode estar muito preocupada, mas as coisas provavelmente não são tão simples quanto se reunir e tomar uma decisão. Afinal, o que estaria profundamente preocupando o comando peemedebista seria o fato de a imagem do PMDB e a imagem da administração municipal de Salvador estarem coladas uma à outra. A direção peemedebista está interessada em separar as duas.

Políticos no PMDB e fora dele acreditam que o partido não conseguirá se desvincular facilmente da imagem do prefeito João Henrique. Quando a imagem dele estava bem ruim, na segunda metade do seu primeiro mandato na prefeitura, ele ingressou no PMDB e o partido trabalhou intensamente para mudar o quadro.

O PMDB participou da administração, deu vigoroso apoio a esta e à candidatura do prefeito à reeleição, e, reeleito João Henrique, o PMDB participou até recentemente de sua gestão, numa secretaria, embora nos últimos meses tenha sido afastado de outras secretarias e (como a da Saúde, onde o médico José Carlos Brito fazia uma excelente gestão) e mais alguns cargos.

O que faria o PMDB para apagar tudo isso da memória popular? Uma coisa seria efetiva, a proposta e aprovação do impeachment do prefeito. Mas o PMDB tem força para isso, tem os votos na Câmara Municipal para decretar o impeachment? Não tem.
Fora isto, o máximo a que poderia chegar seria expulsar o prefeito do PMDB. Mas talvez isso nem desgostasse o prefeito, que já anda procurando outra legenda. E em todo o caso, ele ainda poderia contestar judicialmente a expulsão. De resto, politicamente esta restaria incompleta, pois o PMDB conseguiria que sua bancada na Câmara Municipal deixasse de apoiar o prefeito? Tudo indica que não. E então expulsaria também os vereadores? Perderia sua estrutura, seus quadros na capital. Dificilmente o comando peemedebista acharia este caminho viável ou interessante.

Talvez o melhor caminho, sugerem dois peemedebistas com muita estrada no partido, seja o PMDB “esquecer” João Henrique e tocar a vida.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 12 Janeiro, 2011 at 14:33 #

Caro Ivan Carvalho

Este paulista distante, sem nenhuma intimidade com os sortilégios da política soteropolitana, talvez por essa razão, distraiu-se, ontém, enquanto lia um artigo no BP, sobre João Henrique, e percebeu que, há muito, prefeitos de salvador não alcançam o governo da Bahia.

Poderia ser engano, ou coisas de paulista sem o que pensar de útil, mas…

Consultando o tal Gooogle, veja a lista de alcaides após ACM em 1967/70:

Clériston Andrade, Jorge Hage Sobrinho, Raimundo Urbano, Fernando Wilson de Magalhães, David Mendes Pereira, Edvaldo Pereira de Brito, Mário Kertész, Renan Baleeiro, Manoel Figueiredo Castro, Mário Kertész, Fernando José Guimarães Rocha , Lídice da Mata, Antônio Imbassahy, João Henrique de Barradas Carneiro.

Salvo engano, ou fonte equivocada, nenhum conseguiu realizar o sonho tão comum de um prefeito de capital, ou seja, tornar-se governador.

Fica a pergunta:

Existe alguma “caveira de burro” no porão da Prefeitura de Salvador?

Perguntei ontém ao VHS mas ele parece não ter lido.

Abraços!


Ivan de Carvalho on 13 Janeiro, 2011 at 0:42 #

Luiz Fontana,

Poeta, não seja poeta a ponto de ser tão condescendente. Se nenhum prefeito chega a governador, a culpa não é da “caveira de burro”, mas do burro mesmo. Sacou, não é?
Agora, deixemos a maledicência de lado e façamos uma migalha de história.
Clériston Andrade tentou ser governador, com ajuda de ACM. Na primeira tentativa, sua aspiração foi preterida pelo poder federal em benefício de Roberto Santos.
Fernando Wilson Magalhães, por quem tenho respeito e admiração e com quem tive a honra e o prazer de trabalhar como “secretário extraordinário de Informação e Divulgação” – nome pomposo para função tão humilde e com humildade exercida – sonhou ser governador, mas não dispunha dos intrumentos políticos para isto. Saiu da prefeitura para conquistar mais um mandato de deputado federal. Mário Kertész insistiu em manter uma aspiração ao governo que rivalizava com a de Clériston Andrade e por isto foi exonerado por ACM. Antonio Imbassahy não foi governador por ser prefeito, mas foi governador eleito pela Assembléia Legislativa, que presidia, para governar a Bahia por nove meses (para completar um mandato de ACM, que renunciou para candidatar-se ao Senado).
Se, pela cabeça de mais algum ex-prefeito passou a idéia de ser governador, ninguém ficou sabendo.
Quanto ao atual prefeito, ele teve uma boa chance de ser candidato das oposições e talvez vencer em 2006. Preferiu não ser candidato, inclusive a família o desaconselhou, argumentando que deveria deixar para 2010.
Acontece que, com a recusa de João Henrique, Jaques Wagner foi candidato e venceu em 2006. Aí tudo mudou.
Já passou 2010.
E 2014 não chegou. Não vamos escrever a história antes de ela acontecer. Não é recomendável fazer concorrência à Bíblia, que acerta cem por cento.


luiz alfredo motta fontana on 13 Janeiro, 2011 at 3:42 #

Grato Caro Ivan Carvalho

Tua generosidade não poderia deixar sem resposta minha indagação.

Como afirmei antes, sou, para dizer o mínimo, neófito em relação aos sortilégios da política soteropolitana, tanto que nem mesmo ousei separar joio de trigo, se é que existe trigo, ou até mesmo joio, neste peculiar universo político.

Mas… que soa estranho para o observador distante, isto soa!

Salvador elege prefeitos sem futuro, exceção feita aos sempre bem vindos “cargos de indicação”, com que “homenagens” são, amiúde e incompreensívelmente, feitas.

Se o caso é da “caveira” ou de “burros” em desfile não tenho idéia, mas que merece atenção, lá isto merece!

Abraços!

Renovo aqui minha gratidão por ter ao menos me lido.


odilon cardoso on 13 Janeiro, 2011 at 10:20 #

Não poderia deixar de dar minha opinião sobre tais comportamentos político na Bahia e no Brasil; a vaidade e o egoismo, imperam sobre a maioria dos legisladores que preferem fazer politicagem a fazer política séria que venha trazer benefício para sua sociedade. Entendo que são necessário o comprometimento político, a compatibilidade de idéias políticas antes das eleições. após eleitos a linguagem predominante são melhorias e crescimento dos Estados como um todo.
A bandone o egoismo, sentem na mesa para discutir o que há de melhor para beneficiar a sociedade, o qual foram escolhidos para representa-los e não discutir idéias quem ou qual partido sairá fortalecido para ganhar as próximas eleições ou os cargos que irão ocupar, esquecendo que sua energia ficam comprometidas.


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