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Postado em 12-01-2011
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 12-01-2011 22:56


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De seu observatório com vista para o Atlântico, no litoral norte de Salvador, o blogueiro Chico Bruno não deixa barato o absurdo da proibição das tradicionais carroças conduzidas por animais de carga no cortejo da lavagem das escadarias da basílica do Bonfim, já a partir de amanhã, dia de uma das mais belas e atraentes festas do calendário baiano.Chico fala com o conhecimento e a convicção de quem, há decadas, faz a caminhada entre a Conceição da Praia e a Colina Sagrada.

E então, marrom Alcione, como cantartemos agora os versos de uma de suas mais lindas interpretações na lavagem desta quinta-feira; “Aí de carroça andei, comadre”, “Aí de carroça andei, compadre!”
(Vitor Hugo Soares)
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Direto da Varanda: Chico Bruno

Lavagem do Bonfim, sem jegues, mas com políticos

O Brasil a cada dia que passa vai sendo povoado por fatos ridículos.
Neste inicio de 2011, mais uma vez alguns baianos nos brindam com um absurdo.
As Ongs Terra Verde Viva, Célula-Mãe, além da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA), ajuizaram ação solicitando da Justiça que proíba a participação de jegues no cortejo da Lavagem do Bonfim.
Pois, não é que o juiz da 6ª Vara da Fazenda, Rui Eduardo Brito, acatou o insólito pedido.
Amanhã (13), os jegues não participam da Lavagem do Bonfim.
Alegam os autores da vitoriosa ação e o Ministério Público que os animais são ridicularizados e maltratados, a ponto de serem obrigados a ingerir bebida alcoólica.
Vivo em Salvador desde 1975. Participo da lavagem desde então.
São 36 anos que vou a pé até a Colina Sagrada, pois tenho fé.
Sou do tempo em que faziam parte do cortejo os caminhões com famílias e amigos. Hoje proibidos sob alegação que atrapalhavam o cortejo.
Sinceramente nunca vi cavalos e jegues serem molestados.
Vejo sim, os políticos molestarem a tradição, se aproveitando do evento para fazer proselitismo.
O historiador Ubiratan Castro afirmou que a proibição é um excesso de zelo, fruto de modismo.
– É uma medida obscurantista e provocará um efeito ruim para a cultura baiana. É preciso, sim, regulamentar o uso dos animais na festa, terem um cuidado com eles, mas nunca suprimi-los, opina.
Ubiratan coloca os pingos nos “is” de maneira educada, cavalheiresca.
Como não tenho o perfil do Bira, digo com todas as letras, entre os jegues e os políticos no cortejo da Lavagem do Bonfim, fico com os primeiros.
Afinal os jegues chegaram muito antes dos políticos no cortejo da Lavagem do Bonfim.
Quaisquer dias desses, essas entidades vão querer excluir do cortejo às jarras de barro com água de cheiro que as baianas carregam na cabeça sob a alegação que pesam muito e fazem mal a postura das velhas senhoras.
Aos poucos o modismo, citado por Bira, vai exterminando a tradição cultural da Bahia.

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Comentários

Marco Lino on 12 Janeiro, 2011 at 23:56 #

Há jegues que de fato não deveriam participar da festa.

Só que proibiram os jegues errados…


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