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Postado em 10-01-2011
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 10-01-2011 08:28


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OPINIÃO POLÍTICA

PMDB está sendo espancado

Ivan de Carvalho

Já existe alguma expectativa, no meio político, de que a forte tensão entre o PT e o PMDB por causa da composição da equipe do governo Dilma Rousseff possa vir a por em risco o acordo entre estes dois partidos para a presidência da Câmara. Não apenas como uma tentativa de retaliação do PMDB ao apetite por cargos de mando demonstrado pelo PT, enquanto este insiste em colar no seu principal aliado o rótulo de “partido fisiológico”.

A enunciação pela mídia, ou por intermédio dela, desse desagradável rótulo tem precedido, a cada vez, reduções dos espaços do PMDB (em comparação com os de que desfrutava no governo Lula) no ministério ou em postos de segundo e terceiro escalões. Como já assinalara no fim da semana passada neste espaço, o PMDB está apanhando. Na verdade, está sendo espancado política e moralmente.

O PT está conseguindo fazer humor negro com o PMDB. Faz que seja proclamado o caráter “fisiológico” do PMDB e o apetite voraz e irrefreável da legenda de Ulysses Guimarães por cargos e quem abocanha os cargos é o PT. O Partido dos Trabalhadores conquistou 17 ministérios, enquanto o PMDB ficou com seis.

Destes seis, no entanto, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, chegou ao cargo no governo Lula sem indicação do PMDB e permanece por sugestão ou pedido de Lula. E o partido não tem qualquer influência sobre ele ou seu ministério. A Secretaria de Assuntos Estratégicos é um espaço para pensar, meditar, estudar e só. A Previdência Social é um abacaxi, com orçamento comprometido, cheio de problemas e condenado à rotina. O Turismo, no Brasil, não é um ministério importante.

Valem os Ministérios de Minas e Energia (pelo setor elétrico, pois a Petrobrás está com o PT e tem autonomia) e de Agricultura. Em assuntos ministeriais, o PMDB estava melhor no ministério do ex-presidente Lula. E, como já se delineou, no segundo e terceiro escalões tende a perder espaço também, enquanto o PT avança com firmeza. Afinal, qual partido é mesmo fisiológico?

O PMDB poderá reagir quanto a isto? Começa, como assinalado, a existir uma expectativa de que sim, na eleição para presidente da Câmara, mas isto romperia o acordo entre PT e PMDB sobre o rodízio na presidência desta casa do Congresso. Se a bancada do PMDB embarcar na candidatura de Aldo Rabelo, do PC do B, a presidente da Câmara, o PT pode retaliar retirando o compromisso de apoiar um peemedebista para presidente da casa para o biênio 2013-2015. Além disso, o PMDB do Senado (Sarney, Renan Calheiros), embora não feliz, parece acomodado, indisposto para solidariedades ao PMDB da Câmara, muito menos para batalhas.

Pessoalmente, não acredito numa reação séria do PMDB na atual conjuntura política, de forte apoio popular à presidente Dilma e a seu governo, sem esquecer a popularidade da principal liderança petista, o ex-presidente Lula. Uma retaliação peemedebista, como sugeri na semana passada, pode acontecer se o quadro econômico e financeiro entrar em dificuldade e cair o apoio popular ao governo. O quadro já não é muito tranquilo. O ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, responsável pela implantação do Plano Real, diz em entrevista concedida à Rede Bandeirantes de Televisão, que “a inflação não vai voltar, já voltou”. Foram os gastos para minimizar no Brasil a crise econômica mundial e a gastança do ano eleitoral. Agora, Dilma tem que por o pé no freio – e isto não é simpático em lugar nenhum do mundo.

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Comentários

Marco Lino on 10 Janeiro, 2011 at 10:59 #

Ressuscitaram Rubens Ricúpero, aquele do “Eu não tenho escrúpulos: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”.

Com a troca de governo, Ricúpero certamente inverteu a máxima. Agora, numa reunião de trabalho com o casal 45 (por exemplo), a máxima provável deles seria: o que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente fatura.

Será que o Ricúpero recuperou (?!) os escrúpulos?

(riso sarcástico…)


Ivan de Carvalho on 10 Janeiro, 2011 at 17:36 #

Pois é, Marco Lino. Já disse aqui antes, respondendo a outro comentário seu, que você usa a velhíssima tática de rotular o autor de uma crítica para desqualificà-lo e à sua crítica sem precisar refutar esta última.
E isso acaba de acontecer de novo. Lembrando o envolvimento de Ricúpero no que ficou conhecido como “escândalo da parabólica”, você baixa o sarrafo nele e nem uma palavra de contestação à afirmação dele de que a inflação já voltou. Aliás, os índices estão aí, são do conhecimento geral. E aquele feio caso da parabólica não tem nada a ver com isso.
Não é uma inflação daquele tempo…


Marco Lino on 10 Janeiro, 2011 at 19:52 #

Pois é, Ivan. Certamente agora tens mais razão em tachar-me de falacioso. Da outra vez, NÃO! No comentário aludido eu escrevi que a crítica (sua) tinha validade, apesar da suspeição do crítico. Agora, de fato, questionei a autoridade do ancião Ricúpero.

Mas a minha galhofa, Carvalho, contra o Rubens, convenhamos, tem certo sentido, pois o rótulo de inescrupuloso foi auto-aplicado pelo ex-ministro e diplomata. Logo, solicito que seja diminuída minha culpa nesse cartório.

Sobre a inflação, nada a declarar – como não declarei. Os índices são oficiais. Aliás, compro feijão e carne e também senti literalmente no bolso.

Entretanto, e mesmo sabendo ser difícil achar político escrupuloso no Brasil, não poderia deixar de citar o Ricúpero como exemplo (segundo o próprio testemunho dele) de político que só diz o que é conveniente ao seu grêmio, ao seu grupo, ao seu ponto de vista, à sua ideologia. Político e crítico que agem assim me põem com a “pulga atrás da orelha” quando falam ou escrevem. Daí a falácia “ad hominem” vira uma tentação.

Um político conservador que faz críticas isentas é o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo. Dá gosto ler os artigos do cidadão. Outro também que eu gosto é um dos fundadores do PSDB, o também ex-ministro Bresser Pereira. É possível sim ser um crítico responsável (mesmo sendo uma crítica nietzschiana – hehehe).

Recomendo não levar-me muito a sério. Sou apenas um mobral atrevido, nada mais (risos).

Abraço e grande 2011 – apesar da volta do dragão inflacionário.


luiz alfredo motta fontana on 11 Janeiro, 2011 at 9:23 #

Tentando ver na escuridão

Caro Ivan, tarefa difícil, esta de prever a reação do PMDB.

Embora concorde, passa sem dúvida pelos tremores da política econômica. A mesma de FHC, seguida por Lula, este tercerizando, para Meirelles, e por um breve tempo com Palocci de coadjuvante, traduzindo, o “especilalista em nada”, oriundo da republiqueta de Ribeirão Preto, dava aval ao Meirelles e garantia a própria empáfia.

Já o PT! Ora o PT, nunca passou de um garoto emburrado na aula de economia, vide Mercadante, aquele que logrou depois de estourado o prazo por mais d euma década, tornar-se doutor. A Unicamp nunca mais será a mesma.

Lula segiu os passos de FHC, deixou a política para Sua Excelência O Mercado Financeiro, e fingiu-se de morto, ou melhor de “condutor cego”.

Dilma, ao que se sabe, e pouco se sabe, não tem opinião, apenas brada e dedilha os dedos no laptop, faz cena, mas não demonstra sequer conhecimento de onde está.

O PMDB tem faro, troca governabilidade por estabilidade, não aquela tal da economia cantada em preosa e versos pela tal base aliada e pela opsição saudosa, mas sim a de cargos e influência. Caso tudo termine errado, ainda assim o PMDB tem Temer na suplência.

Com esta equipe e esta comandante, é melhor rezar, escuridão costuma produzir arrepios.

A inflação está aí, como diz Ricúpero, e todas as donas de casa deste país varonil, mas os gastos do governo continuam inflados, afinal boquinha é boquinha e aparelhamento de Estado costuma custar caro.


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