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Postado em 08-01-2011
Arquivado em (Artigos, Vitor) por vitor em 08-01-2011 00:29

Discurso da ministra Maria do Rosário…

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…não bate com o do general Elito

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ARTIGO DA SEMANA

Trancos e Barrancos do novo governo

Vitor Hugo Soares

O ex-presidente da República na base militar próxima da bela praia paulista de Guarujá – em silêncio, mas provocado praticamente todos os dias por antigos e novos críticos, cada vez mais numerosos, apressados e inclementes nas cobranças. Nada escapa dos olhares curiosos e dos pedidos veementes de “investigação rigorosa”, nem as tralhas da mudança da família Lula da Silva.

Enquanto isso, a presidenta Dilma Rousseff vai instalando “aos trancos e barrancos” – como na velha canção popular – o novo-velho circo do poder em Brasília. Em geral, bafejada por opiniões positivas, acenos compreensivos e palavras carinhosas dos mais duros e impiedosos analistas e adversários políticos até a oficialização dos resultados do pleito presidencial de outubro de 2010.

“O poder é isso, sempre foi e sempre será assim”, repetem gregos, mineiros e baianos há muito tempo. Ou como sintetizou a nova presidente na sua primeira fala à Nação depois de empossada no Congresso, direto do Parlatório do Palácio do Planalto, depois do temporal no normalmente seco planalto central do país. Em raro momento de brilho misturado com emoção genuína, a mineira e ex-combatente guerrilheira nas lutas contra a ditadura militar, que alcançou pelo voto democrático o posto de mando mais elevado do País, surpreendeu de fato.

No discurso, depois de passar em revista as formações militares sob seu comando, Dilma Rousseff recorreu “a um poeta da minha terra”, na verdade o escritor e ex-diplomata Guimarães Rosa, em citação retirada de capítulo notável do romance “Grande Sertão: Veredas”.

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”, disse a ex-presa política duramente torturada em sua passagem pelo cárcere político.

Belas e bem escolhidas palavras, pronunciadas com voz embargada, sob os olhares atentos e testemunhais de meia centena de líderes políticos estrangeiros – de Hugo Chavez a Hillary Clinton – e aplausos da multidão presente na festa da Esplanada, sem falar nos milhões de brasileiros de olhos e ouvidos ligados nas transmissões das redes de rádio e televisão Brasil afora. Resta saber como a nova presidente honrará de fato durante seu mandato as citações de seu discurso de posse, ou se as deixará à deriva do tempo e do vento.

É cedo ainda para ter respostas, mas é sempre recomendável – principalmente para quem pensa e faz jornalismo -, ficar atento ao movimento dos ventos e das velas. Por exemplo: a volta repentina dos gestos significantemente expressivos da ex-ministra Erenice Guerra, em seus passos aparentemente seguros sobre os tapetes macios e silenciosos do Palácio do Planalto.

Não custa lembrar: depois de pintar e bordar no pedaço – até dedo na cara de ministro ela botou no governo Lula -, Erenice foi afastada do comando da Casa Civil no bojo do maior escândalo da recente disputa presidencial, que abalou severamente os principais pilares em que se sustentava a campanha de Dilma, como reconheceu em entrevista recente à Folha de S. Paulo o publicitário baiano João Santana.

Vale ficar atento igualmente ao conteúdo das entrevistas e discursos notoriamente divergentes quanto a intenções e rumos pretendidos, de antigos e novos integrantes do núcleo mais fechado do poder que se instala em Brasília.

Novo comandante do Gabinete de Segurança Institucional do governo petista – antigo passageiro das hostes do governo tucano do presidente Fernando Henrique Cardoso -, o general José Elito Carvalho Siqueira disse ao tomar posse do cargo que não se deve “ficar vendo situações do passado”, ao falar sobre sobre a possibilidade de criação da Comissão da Verdade para investigar a violação de direitos humanos ocorrida durante o período da ditadura militar (1964-1985).

Na manhã do dia seguinte, ao assumir seu posto no governo Dilma, a nova ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário, defendeu a criação da Comissão da Verdade o mais rápido possível. E foi incisiva na argumentação: “É mais do que chegada a hora do Estado brasileiro prestar esclarecimentos”.

Tem mais, muito mais, e como alertava o personagem vivido por Jô Soares na antiga chanchada do cinema nacional do começo dos anos 60: “Vai dar bode!”. Por enquanto, porém, fiquemos por aqui neste complicado começo de ano e de governo.
Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 8 Janeiro, 2011 at 5:59 #

Caro VHS

O velho e bom faro do jornalista que testemunhou tantas voltas, além das consequentes reviravoltas, se faz presente em teu artigo. Ressalta-se o brilho do estilo, marca registrada, eivado da delicadeza costumeira

Antecipa e inaugura, assim, com maestria, o esperado nos balanços de 100 dias, de cada novo governo, como que aceitando o destino reservado aos sonhos e esperanças dos que atenderam aos apelos de Lula, sufragando a então candidata.

Dillma revela-se exatamente como é, incógnita quanto aos avanços, óbvia quanto aos recuos, alivanhando discursos e atos, mesmo que meras omissões.

Discursa citando Rosa, omite-se quanto aos descaminhos de dois ministros, ignorando assim a malversação de dinheiro público, mesmo que os flagrados tenham, muito de esforço, devolvido o butim às burras da viúva.

Inaugura a figura de “pito” em general, mas o mantém no posto, despertando interesse, ao menos acadêmico, sob a consistência e definição do que seria o tal “pito ao general”.

Mas…Guimarães Rosa sempre é bem vindo, mesmo que em trecho já proferido por, pura ironia, José Serra, em discurso assemelhado. Reconheça-se contudo, nela adquiriu ares de naturalidade, que nele seria tarefa impossível.

Resta assim as imagens que buscam lavar a alma, como a revista da tropa, belíssimo quadro em que a outrora inimiga do regime militar, é objeto da reverência protocolar e fardada. Mesmo aqui, contudo, fica a sensação do falta algo, facilmente identificado com a ausência forçada de registros sob sua tão propalada, ao mesmo tempo que desconhecida, ação nos anos de chumbo. Desconhecimento fruto, de novo a ironia, do manto protetor de sigilo sob as bençãos do STM.

Caro VHS, somente tua pena leve e precisa, para desanuviar, um pouco, este quadro carregado de “deja vu”.

Tim Tim!


Claudio on 8 Janeiro, 2011 at 9:55 #

Como muitos por ai e por aqui que se dizem jornalistas, carregam a nuvem negra por onde passam. Esse papo de “jornalistaa vivido” e outros blas, só podem convencer quem apenas le um jornal..ja dizia meu avô “pior que não ler jornal é ler apenas um”. Como sigo ao pé da letra essas palavras de vovô, percebo que, a maioria dos ditos jornalistas tem partido politico e torcem por candidatos, inclusive omitindo graves falhas de quem apoia e engrandecendo pequenas falhas de quem detesta. O que se vê neste comentario, não sei de quem pois não acompanho, uma tremenda vontade de que o governo Dilma não de certo, tanto que “parece” desconhecer que nada ela poderia fazer contra as lutas por cargos. Ela não interferindo mostra clarissimamente para a sociedade quem são os bandidos da historia. Quanto ao fato desse mesmo cronista dizer que ainda é cedo para dizer qualquer coisa, isso vale pra que? a primeira coisa que fez ao abrir o palavreado foi criticar o governo!!!
Para criticas não é cedo certo? E pare de ficar dizendo que jornalista tem que ficar esperto..jornalista tem é que ficar jornalista na acepção da palavra e deixar definitivamente de lado seus amores partidários.


Jader Martins on 8 Janeiro, 2011 at 10:48 #

Claidio , Gostei muitíssimo de seu comentário . Parabens!! . Seu avô era uma sábio.
Espero ver mais contribuições sua neste blog .


Graça Azevedo on 8 Janeiro, 2011 at 21:42 #

Que dupla boa de se ler para aprender: Vitor e Claudio.
Obrigada aos dois!


Claudio Leal on 9 Janeiro, 2011 at 1:47 #

Só um esclarecimento, Gal: não sou o Claudio do comentário aí de cima. Nem sei de quem se trata. abração, Claudio.


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