Dilma Rosseff, Lula, Marisa, Michel e Marcela Temer
na cerimônia de posse em Brasília/TM

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Marcelo Semer
De São Paulo (SP)

Dia primeiro de janeiro de 2011, o país assistiu a cena até então inédita: uma mulher recebendo a faixa de presidente da República e passando em revista as tropas militares.

Enquanto o Brasil parava para ouvir o discurso de Dilma, parte dos twitteiros que acompanhavam plugados à cerimônia, se deliciava fazendo comentários irônicos e maldosos sobre a primeira vice-dama, Marcela Temer.

Loira, jovem e ex-miss, a esposa de Michel Temer virou imediatamente um trending topic.

Foi chamada de paquita, diminuída a seus atributos físicos e acusada de dar o golpe do baú no marido poderoso e provecto. Tudo baseado na consolidação de um enorme estereótipo: diante da diferença de idade que supera quatro décadas e uma distância descomunal de poder, influência e cultura, só poderia mesmo haver interesses.

Essa é uma pequena mostra do quanto Dilma deve sofrer para romper as barreiras atávicas do preconceito de gênero, ainda impregnadas na sociedade.

Se não fosse justamente pela superação dos estereótipos, aliás, Dilma jamais teria chegado aonde chegou.

Mulher. Divorciada. Guerrilheira. Ex-prisioneira. Quem diria que seria eleita para ser a chefe das Forças Armadas?

Superar estereótipos é o primeiro passo para romper preconceitos.

O exemplo de Lula mostrou, todavia, como sua tarefa não será fácil.

O país aprendeu a conviver com a sapiência de um iletrado retirante, mas os preconceitos regionais e o ódio de classe não se esvaziaram tão facilmente. A avalanche das “mensagens assassinas”, twitteiros implorando por um “atirador de elite” na posse, só comprova o resultado alcançado pelo terrorismo eleitoral.

Dilma sabe dos obstáculos a vencer e é por este motivo que iniciou seu discurso enfatizando o caráter histórico do momento que o país vivia, fazendo-se de exemplo para “que todas as mulheres brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher”.

Em dois discursos recheados de assertivas e recados, não faltou uma lembrança emocionada a seus companheiros de luta contra a ditadura, que tombaram pelo caminho.

Mais tarde, receberia pessoalmente suas ex-colegas de prisão. Não esqueceu das “adversidades mais extremas infligidas a quem teve a ousadia de enfrentar o arbítrio”. Não se arrependeu da luta, justificando-se nas palavras de Guimarães Rosa: a vida sempre nos cobra coragem.

Mas, mulher, adverte Dilma, não é só coragem, é também carinho.

É essa mulher, misto de coragem e carinho, que seu exemplo espera libertar do jugo de uma perene discriminação.

Discriminação que torna desiguais as oportunidades do mercado de trabalho, que funda a ideia de submissão, e que avoluma diariamente vítimas de violência doméstica, encontradas nos registros de agressões corriqueiras e no longo histórico de crimes ditos passionais, movidos na verdade por demonstrações explícitas de poder, orgulho e vaidade masculinas.

Temos um longo caminho pela frente na construção da igualdade de gênero.

Nossos tribunais de justiça são predominantemente masculinos, porque os cargos de juiz foram explícita ou implicitamente interditados às mulheres durante décadas. Houve quem justificasse o fato com as intempéries da menstruação e quem estipulasse que professora era o limite máximo para a vida profissional da mulher.

Nas guerras ou ditaduras, as mulheres além dos suplícios dos derrotados, ainda sofrem com freqüência violências sexuais, que simbolicamente representam a submissão que a vitória militar quer afirmar.

Mulheres são maioria nas visitas semanais de presos. Mas quando elas próprias são encarceradas, as filas nas penitenciárias se esvaziam. Com muito sofrimento e demora, sua luta é para garantir os direitos já conferidos a presos homens.

Sem esquecer as incontáveis mulheres de triplas jornadas, discriminadas pela condição quase servil de dona de casa, que se obrigam a cumular com suas tarefas profissionais e maternas.

Que a posse de Dilma ilumine esse horizonte ainda lúgubre de preconceito, no qual os estereótipos da mulher burra, submissa e instável, predominam na sociedade.

E que, enfim, possamos aprender, com as mulheres, a respeitar sua igualdade e suas diferenças.

Pois, como ensina Boaventura de Sousa Santos, elas, mais do que ninguém podem dizer: “Temos o direito a sermos iguais quando a diferença nos inferioriza. Temos o direito a sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza”.

Façamos, assim, de 2011, um ano mulher.

*Siga @marcelo_semer no Twitter

Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de “Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho” (LTr) e autor de “Crime Impossível” (Malheiros) e do romance “Certas Canções” (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.

Fale com Marcelo Semer: marcelo_semer@terra.com.br

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Comentários

Mariana Soares on 5 Janeiro, 2011 at 10:20 #

Beleza pura este artigo!
Chega de preconceito! Chega de separação! Vamos andar juntos e construir juntos, homens e mulheres, com muito amor, garra e competência, uma vida melhor para cada um de nós e para todos!


luiz alfredo motta fontana on 5 Janeiro, 2011 at 10:51 #

Acerta no título, o douto articulista, inicia com estilo, coleciona citações, mas…

Perde-se, no quase insuperável ímpeto, de tecer loas à presidente, mesmo que nada saibmos de seu governo, de seu passado, protegido por sigilo, e de seu presente, permeado de equívocos e desculpas, tais como: o doutorado, a foto na passeata, e sobretudo, Erenice, essa recém “perdoada” que desfilou em sua posse.

Esperemos que Dona Dilma governe, por hora, perde-se na faina de contentar “dedicados” aliados.


luiz alfredo motta fontana on 5 Janeiro, 2011 at 14:08 #

Aqui um dilema de outro “genero”

Deu na Tribuna da Imprensa:

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quarta-feira, 05 de janeiro de 2011 | 13:35
Alguém precisa dizer à presidente Dilma que a dívida externa não foi “superada” por Lula. E agora essa elevada conta vai cair no colo dela, assim como os R$ 2,3 trilhões da dívida interna.

Carlos Newton

Sempre atento ao lance, Helio Fernandes detectou no dia da posse um grave equívoco no longo e cansativo discurso da presidente Dilma Rousseff. Ao exaltar o governo de seu antecessor, ela passou da medida e acabou iludindo o respeitável público. Disse a chefe do governo:

“Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional. Milhões de empregos estão sendo criados. Nossa taxa de crescimento mais do que dobrou e encerramos um longo período de dependência do Fundo Monetário Internacional, ao mesmo tempo em que superamos a nossa dívida externa”.

Superamos a nossa dívida externa? O que pretendeu dizer com isso? Nos dicionários, há vários sinônimos para o verbo “superar”, mas todos dizendo a mesma coisa. Com essa frase, ela deu a entender que a dívida externa foi paga pelo governo Lula, e isso não é e nunca foi verdade, conforme Hélio Fernandes tem denunciado aqui no blog.

Ao redigir o discurso, seu ghost-writer pisou na bola. E a presidente Dilma, quando revisou o texto, não corrigiu o exagero. Na verdade, o governo Lula jamais tomou qualquer iniciativa para quitar efetivamente a dívida externa, que está em torno de 250 bilhões de dólares (R$ 425 bilhões), segundo o próprio Banco Central.

Lula apenas pagou em dezembro de 2005, de maneira antecipada, um empréstimo que sido contraído pelo governo FHC com o FMI, de US$ 15,57 bilhões. Este era o valor que restava ser pago em 2006 e 2007 de um total de US$ 41,75 bilhões, negociado com a entidade multilateral em 2002.

O pagamento antecipado ao FMI foi uma atitude política e simbólica. O governo não ganhou nada com isso. Pelo contrário, até perdeu, porque os juros cobrados pelo FMI são muito baixos, menores do que os praticados pelo sistema financeiro internacional. Teria sido melhor negócio quitar parte da dívida externa (ou interna), que paga maior taxa de juros, como os títulos atrelados à Selic (hoje, 10,75% ao ano).

Em junho de 2009, em mais uma iniciativa de marketing político-eleitoral, o governo decidiu emprestar US$ 10 bilhões ao FMI. Com isso, o presidente Lula tirou uma onda, deu múltiplas entrevistas e pela primeira vez posou como financiador do fundo, já que, apesar de integrar o grupo dos 47 países-credores, o Brasil ainda não havia feito empréstimos ao FMI fora de sua cota (hoje de US$ 4,7 bilhões). A generosidade foi tamanha que o governo nem se interessou em saber qual seria a remuneração que FMI fixaria para esse empréstimo. Mas país rico é assim mesmo…

Agora, voltando ao discurso de posse, fica feio para a presidente da República cometer um erro desses, logo em seu primeiro pronunciamento à Nação, especialmente porque, 10 dias antes, o próprio Banco Central havia divulgado o seguinte:

“A dívida externa total, estimada para o mês de novembro em US$ 247 bilhões, reduziu-se US$ 6,3 bilhões em relação à posição estimada de outubro, e US$ 671 milhões em relação à dívida apurada de setembro de 2010. A dívida externa de médio e longo prazos totalizou US$ 192 bilhões, com acréscimo de US$ 2,1 bilhões em relação à posição de setembro, enquanto a dívida de curto prazo, estimada em US$ 55,6 bilhões, apresentou redução de US$ 2,8 bilhões.Traduzindo: não houve “superação” da dívida externa. Dos 247 bilhões de dólares citados pelo BC, a responsabilidade direta do governo federal na verdade abrange apenas cerca de 100 bilhões de dólares, porque o restante são empréstimos feitos por estados, municípios, estatais e empresas privadas, especialmente bancos brasileiros, que pegam dinheiro barato no exterior e emprestam com altos juros aqui no mercado interno. Mas é sempre bom lembrar que o governo federal é avalista de expressiva parte desses outros 150 bilhões de dólares da dívida externa.

Quanto à dívida interna, que fechou o ano em cerca de 2,3 trilhões (os números finais ainda não estão disponíveis), Helio Fernandes também registrou que não houve qualquer menção a esse importante assunto econômico no longo e cansativo discurso de posse. Talvez fosse conveniente a presidente Dilma trocar de ghost-writer.


Cida Torneros on 5 Janeiro, 2011 at 17:35 #

Este artigo, escrito por um homem , lava a alma feminina acostumada a tantos preconceitos, principalmente nos que tangem beleza, inteligencia, capacidade de comandar algo alem de copa e cozinha, acesso a salarios dignos, exercicio de poder que nao se atrele a seducao, tenha ela o alicerse baseado em malhacao, cosmetologia, estetica, plasticas, etc, ou, ao novo tipo de poder, quase insuportavel para os pauperrimos espirituosos de plantao: a corajosa postura que as mulheres resolvidas assumem, tanto faz, ao exercerem seu papel de esposas, maes, filhas, namoradas, ou de parlamentares, tecnologas, ministras e presidentas, por que nao? Incomoda a um numero enorme de pessoas ( homens e mulheres, indistintamente) saber que a beleza fisica e a competencia profissional podem caminhar juntas, paralelas, e bem mais proximas de uma nova realidade brasileira. Marcela Temer tem o frescor da juventude, nao fez nenhuma declaracao, mas incomodou porque estava no seu legitimo papel de vice-primeira dama, reconhecidamente legal, incontestavelmente indubitavel.

Dilma Roussef, eleita democraticamente, esbanjou pioneirismo, colocando-se diante dos olhos de todos ( machos e femeas) como uma nova comandante-em-chefe nao so de militares e civis, mas tambem de preconceituosos e de atualizados, de homens capazes de respeitar suas proprias companheiras e admirar a caminhada feminina sem tomar atitudes insultuosas, os novos homens, privilegiados sere, com a personalidade formada por influencia de novas mulheres, maes modernas, namoradas de vida independente, esposas gerenciadoras de familias com feicao diferenciada. No Planalto, um matriarcado interessante se estabelece a partir de agora, Dilma , sua mae de 87 anos e sua tia, passam a ocupar a casa presidencial. No desfile em carro aberto, ao seu lado, a filha Paula, promotora, casada, mae do seu neto Gabriel. Mulheres no parlatorio, transmissao da faixa, a ex primeira dama emocionada, Lula cercado de poder feminino ascendente, Temer, compenetrado, e ao lado deste, a imagem da Miss, garantindo que o modelo de esposa e mae continua a ser tao importante em nossa sociedade, e nos da a dimensao multifacetada do quanto a mulher brasileira segue sua luta por reconhecimento apesar dos avancos, ainda ha muito que ultrapassar. Palmas para elas, afinal, os twiteiros que se encantaram com a beleza da esposa do Vice, devem ser os mesmos que tem dificuldade de engolir uma Chefe da Nacao, usando faixa presidencial, saias, perolas, saltos altos e distribuindo beijos. Viva o Brasil feminino! Este sim, encontra-se muito a frente e salva a Patria!! Amada Mae Genti, Patria amada, Brasil!
Cida Torneros, RJ


Jader Martins on 5 Janeiro, 2011 at 17:41 #

Sobre a Dona Marisa:

Hildegard Angel: Marisa Letícia Lula da Silva, palavras que precisavam ser ditas
por Hildegard Angel*, no R7, via Pastorador, sugestão do leitor Rios

Foram oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas. Jamais foi chamada de “a Cara” por ninguém, nem teve a imprensa internacional a lhe tecer elogios, muito menos admiradores políticos e partidários fizeram sua defesa. À “companheira” número 1 da República, muito osso, afagos poucos.

Dirão os de sempre, e as mordomias? As facilidades? O vidão? E eu rebaterei: E o fim da privacidade? A imprensa sempre de olho, botando lente de aumento pra encontrar defeito? E as hostilidades públicas? E as desfeitas? E a maneira desrespeitosa com que foi constantemente tratada, sem a menor cerimônia, por grande parte da mídia? Arremedando-a, desfeiteando-a, diminuindo-a? E as frequentes provas de desconfiança, daqui e dali? E – pior de tudo – os boatos infundados e maldosos, com o fim exclusivo e único de desagregar o casal, a família?

Ah, meus queridos, Marisa Letícia Lula da Silva precisou ter coragem e estômago para suportar esses oito anos de maledicências e ataques. E ela teve. Começaram criticando-a por estar sempre ao lado do marido nas solenidades. Como se acompanhar o parceiro não fosse o papel tradicional da mulher mãe de família em nossa sociedade.

Depois, implicaram com o silêncio dela, a “mudez”, a maneira quieta de ser. Na verdade, uma prova mais do que evidente de sua sabedoria. Falar o quê, quando, todos sabem, primeira-dama não é cargo, não é emprego, não é profissão?
Ah, mas tudo que “eles” queriam era ver dona Marisa Letícia se atrapalhar com as palavras para, mais uma vez, com aquela crueldade venenosa que lhes é peculiar, compará-la à antecessora, Ruth Cardoso, com seu colar pomposo de doutorados e mestrados.

Agora, me digam, quantas mulheres neste grande e pujante país podem se vangloriar de ter um doutorado? Assim como, por outro lado, não são tantas as mulheres no Brasil que conseguem manter em harmonia uma família discreta e reservada, como tem Marisa Letícia.

E não são também em grande número aquelas que contam, durante e depois de tantos anos de casamento, com o respeito implícito e explícito do marido, as boas ausências sempre feitas por Luís Inácio Lula da Silva a ela, o carinho frequentemente manifestado por ele. E isso não é um mérito? Não é um exemplo bom? Passemos agora às desfeitas ao que, no entanto, eu considero o mérito mais relevante de nossa ex-primeira-dama: a brasilidade.

Foi um apedrejamento sem trégua, quando Marisa Letícia, ao lado do marido presidente, decidiu abrir a Granja do Torto para as festas juninas. A mais singela de nossas festas populares, aquela com Brasil nas veias, celebrando os santos de nossas preferências, nossa culinária, os jogos e brincadeiras. Prestigiando o povo brasileiro no que tem de melhor: a simplicidade sábia dos Jecas Tatus, a convivência fraterna, o riso solto, a ingenuidade bonita da vida rural. Fizeram chacota por Lula colar bandeirinhas com dona Marisa, como se a cumplicidade do casal lhes causasse desconforto.

Imprensa colonizada e tola, metida a chique. Fazem lembrar “emergentes” metidos a sebo que jamais poderiam entender a beleza de um pau de sebo “arrodeado” de fitinhas coloridas. Jornalistas mais criteriosos saberiam que a devoção de Marisa pelo Santo Antônio, levado pelo presidente em estandarte nas procissões, não é aprendida, nem inventada. É legitimidade pura. Filha de um Antônio (Antônio João Casa), de família de agricultores italianos imigrantes, lombardos lá de Bérgamo, Marisa até os cinco de idade viveu num sítio com os dez irmãos, onde o avô paterno, Giovanni Casa, devotíssimo, construiu uma capela de Santo Antônio. Até hoje ela existe, está lá pra quem quiser conferir, no bairro que leva o nome da família de Marisa, Bairro dos Casa, onde antes foi o sítio de suas raízes, na periferia de São Bernardo do Campo. Os Casa, de Marisa Letícia, meus amores, foram tão imigrantes quanto os Matarazzo e outros tantos, que ajudaram a construir o Brasil.

Outro traço brasileiro dela, que acho lindo, é o prestígio às cores nacionais, sempre reverenciadas em suas roupas no Dia da Pátria. Obras de costureiros nossos, nomes brasileiros, sem os abstracionismos fashion de quem gosta de copiar a moda estrangeira. Eram os coletes de crochê, os bordados artesanais, as rendas nossas de cada dia. Isso sim é ser chique, o resto é conversa fiada.

No poder, ao lado do marido, ela claramente se empenhou em fazer bonito nas viagens, nas visitas oficiais, nas cerimônias protocolares. Qualquer olhar atento percebe que, a partir do momento em que se vestir bem passou a ser uma preocupação, Marisa Letícia evoluiu a cada dia, refinou-se, depurou o gosto, dando um olé geral em sua última aparição como primeira-dama do Brasil, na cerimônia de sábado passado, no Palácio do Planalto, quando, desculpem-me as demais, era seguramente a presença feminina mais elegante. Evoluiu no corte do cabelo, no penteado, na maquiagem e, até, nos tão criticados reparos estéticos, que a fizeram mais jovem e bonita.

Atire a primeira pedra a mulher que, em posição de grande visibilidade, não fez uma plástica, não deu uma puxadinha leve, não aplicou uma injeçãozinha básica de botox, mesmo que light, ou não recorreu aos cremes noturnos. Ora essa, façam-me o favor! Cobraram de Marisa Letícia um “trabalho social nacional”, um projeto amplo nos moldes do Comunidade Solidária de Ruth Cardoso. Pura malícia de quem queria vê-la cair na armadilha e se enrascar numa das mais difíceis, delicadas e técnicas esferas de atuação: a área social.

Inteligente, Marisa Letícia dedicou-se ao que ela sempre melhor soube fazer: ser esteio do marido, ser seu regaço, seu sossego. Escutá-lo e, se necessário, opinar. Transmitir-lhe confiança e firmeza. E isso, segundo declarações dadas por ele, ela sempre fez. Foi quem saiu às ruas em passeata, mobilizando centenas de mulheres, quando os maridos delas, sindicalistas, estavam na prisão. Foi quem costurou a primeira bandeira do PT. E, corajosa, arriscou a pele, franqueando sua casa às reuniões dos metalúrgicos, quando a ditadura proibiu os sindicatos. Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo.

Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou e forma, com Lula, um verdadeiro casal. Daqueles que, infelizmente, cada vez mais escasseiam. Este é o meu reconhecimento ao papel muito bem desempenhado por Marisa Letícia Lula da Silva nesses oito anos.

Tivesse dito tudo isso antes, eu seria chamada de bajuladora. Esperei-a deixar o poder para lhe fazer a Justiça que merece.

*Hidegard Angel é colunista social no Rio de Janeiro, filha da estilista Zuzu Angel e irmã do ex-militante político Stuart Angel Jones; trabalhou como atriz no cinema e na televisão na década de 1970, dedicou-se ao colunismo social no jornal O Globo e desde 2003 no Jornal do Brasil.


Daniel on 5 Janeiro, 2011 at 21:37 #

Certamente o nome do ilustríssimo escritor deste texto foi alçado á lista de “cumpenhêrus” domesticados do PT.


luiz alfredo motta fontana on 6 Janeiro, 2011 at 12:50 #

Enquanto apressadinhos prestam loas, Dilma desgoverna

aqui Tribuna da Imprensa:

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quinta-feira, 06 de janeiro de 2011 | 12:01
Romero Jucá (ele, sempre ele) torna-se líder do governo Dilma, justamente quando está sendo alvejado por uma nova série de denúncias em Roraima.

Carlos Newton

A pretexto de evitar que as insatisfações no PMDB prejudiquem a eleição do deputado Marco Maia (PT-RS) à presidência da Câmara, em fevereiro, a presidente Dilma Rousseff decidiu manter o senador Romero Jucá (PMDB-RR) na liderança do governo no Senado, e a permanência do peemedebista já foi até “aprovada” por seu partido, como se o PMDB tivesse que aprovar uma escolha da Presidência da República, seja ela qual for.

A decisão veio confirmar uma piada-gozação feita no início de outubro pelo senador Pedro Simon, e que à época foi registrada por Helio Fernandes aqui no blog. Simon estava discursando da tribuna quando Romero Jucá entrou no plenário. O senador gaúcho aproveitou para cumprimentá-lo por ter sido reeleito em Roraima e alfinetou: “Agora, vamos aguardar o segundo turno entre Dilma e Serra. Aliás, qualquer um que for o ganhador, vossa excelência será o líder do governo nessa Casa…”

Não deu outra. Líder dos governos FHC e Lula, o “camaleão” Jucá foi convidado por Dilma mesmo sendo novamente alvo de denúncias de graves irregularidades em Roraima – onde controla a política local e um império de comunicações, comandado por aliados e parentes.

Segundo o lobista Geraldo Magela da Rocha, que se apresenta como “ex-laranja de Jucá”, o senador fraudou documentos e assinaturas para viabilizar a outorga da concessão da TV Caburaí, concedida à Fundação de Promoção Social e Cultural de Roraima em março de 1990, e transferida para a Buritis Comunicações, controlada por Rodrigo Jucá (filho do senador). O “ex-laranja” explica que a outorga foi feita por José Sarney em 1989, no penúltimo dia como presidente da República.

No âmbito estadual, o promotor de Justiça Luiz Carlos de Lima investiga há sete meses as acusações de irregularidades na cessão da outorga, que foi confirmada por portaria assinada pelo então ministro das Comunicações Hélio Costa em dezembro de 2009.

Investigações do Ministério Público estadual apontam o senador como proprietário indireto também da TV Imperial, da Record, bem como da Rádio Equatorial 93,3 FM.

Para driblar a legislação (deputados e senadores são expressamente proibidos de possuírem rádios e televisões), nenhuma das emissoras está em nome de Jucá. O controle legal da TV Imperial e da Rádio Equatorial, por exemplo, pertence ao radialista Emílio Surita, do programa “Pânico” da Rádio Jovem Pan e RedeTV!, irmão de Teresa Jucá, ex-mulher do senador e que em 2010 foi a quarta deputada federal mais votada do país, proporcionalmente.

Um dos maiores adversários de Jucá é o deputado estadual Mecias de Jesus (PR), presidente da Assembleia Legislativa. Ele garante que as duas emissoras não só pertencem ao senador, como também funcionam no mesmo endereço, antiga residência de Jucá na capital, Boa Vista.

As denúncias são graves porque a hegemonia do clã Jucá em Roraima explica-se, principalmente, pelo controle dos meios de comunicação. Sua afiliada da Rede Bandeirantes está presente em 8 dos 15 municípios do Estado, enquanto a TV Imperial/Record chega aos lares de 65% da população do Estado, ou seja, as 300 mil pessoas que vivem na capital.

O “ex-laranja” Magela esteve à frente da TV Caburaí até 2003 (embora, no papel, tenha figurado como gestor até 2009). Depois disso, a emissora à propriedade de Rodrigo Jucá, que detém 95% das cotas sociais da Buritis Comunicações Ltda. Magela contesta a legalidade dessa transação, alvo de investigação do MP estadual.

Embora a Buritis tenha sido criada em 2001, a empresa não aparece na declaração de bens de Rodrigo Jucá à Justiça Eleitoral – documento essencial para validar a candidatura dele nas eleições de outubro, quando foi eleito deputado estadual.

O Ministério Público Estadual também apura a falsificação de documentos, através do confronto das assinaturas do ex-presidente da Fundação de Promoção Social e Cultural, Getúlio de Souza Oliveira, em duas atas da entidade. A discrepância entre elas é flagrante, e o “ex-laranja” Magela acusa Jucá de fraudar os documentos, que indicam Márcio Oliveira, filho de Getúlio, como sucessor no comando da entidade.

Apesar de todas essas denúncias e de muitas outras em seu nebuloso passado político, Romero Jucá está confirmado como líder do Governo. Mas será que não existe no PMDB nenhum senador de antecedentes mais adequados? Ou será Jucá um inigualável Super-Homem da política, sempre pronto a defender qualquer governo, seja qual for?


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