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Postado em 04-01-2011
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 04-01-2011 09:39


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OPINIÃO POLÍTICA

Uma missão de Lula

Ivan de Carvalho

Os políticos mais habituados a uma visão estratégica de sua atividade já estão tirando conclusões a respeito de um dos principais papéis que o ex-presidente Lula deverá desempenhar durante o governo da presidente Dilma Rousseff.

De fato, todo mundo sabe que, depois de livrar-se, em grande parte pela omissão das oposições, da crise do mensalão, o ex-presidente navegou em mar de almirante, com um crescimento da economia mundial que foi extremamente favorável ao desempenho econômico brasileiro.

Houve apenas, em 2009, uma crise financeira internacional para a qual o Brasil se preparara durante o governo Fernando Henrique e o governo Lula até ali e que por isto não atingiu a economia e o Estado brasileiros com o impacto que teve nos Estados Unidos, onde se originou, e na Europa.

E há de se reconhecer que Lula, pressionado pela aproximação das eleições de outubro último, adotou a opção correta de enfrentamento da “marola”, com medidas de incentivo econômico – por intermédio da expansão e facilitação do crédito e por desonerações fiscais – que evitaram uma situação muito grave. O crescimento econômico foi paralisado durante o ano de 2009, havendo inclusive crises setoriais, mas foram evitados trambolhões descontrolados.

Por isto, em 2010 o crescimento foi retomado, até com intensidade superior à desejada pelo próprio governo, que no entanto deixou correr solto – apesar do surgimento de uma ameaça inflacionária importante – porque se tratava de um ano eleitoral. Agora, cabe a Dilma a missão ingrata de repor a economia nos trilhos e a primeira medida de contenção foi adotada ainda por Lula, às vésperas de deixar a presidência – o esquálido reajuste do salário mínimo.

Além das medidas de contenção de gastos e de alguma compressão da economia para fazer retroceder a inflação, a presidente da República vai depender da economia mundial. Aí, duas coisas são as mais importantes. Uma é o andamento dessa guerra cambial em curso, na qual estão envolvidos principalmente os Estados Unidos da América e a China continental, embora não só, e que prejudica seriamente as exportações brasileiras. A outra é o preço das comodities, que estiveram ascendentes e no alto durante o governo Lula (uma razão fundamental para o êxito da economia no período). Dilma, que desde a campanha eleitoral é católica, deve rezar para que as comodities continuem em alta.

Mas outros problemas estão postos: dívida pública de R$ 2 trilhões, dívida externa federal de R$ 100 bilhões (Lula chegara a dizer que o Brasil era “credor”, mas logo ficou claro que se tratava de uma pilhéria). E há sempre o fantasma de escândalos de corrupção no governo.

Aí é que entram as conclusões dos estrategistas a que nos referimos nas primeiras linhas. Lula, com a sua imensa popularidade, está aí para intimidar uma oposição que, pelos próprios resultados das urnas, já está muito frágil. Se Dilma estiver bem, popularmente, no último ano de governo, ela pode ser candidata à reeleição. Mas se não estiver seria ainda pior – as oposições teriam de enfrentar nas urnas a candidatura do mitológico Lula. E este é o pior dos mundos para as oposições. Para evitá-lo, as oposições, raciocinam os políticos que pensam estrategicamente, estarão dispostas a serem muito gentis com Dilma Rousseff. Forçar este fenômeno seria um dos principais papéis de Lula.

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Comentários

Marco Lino on 4 Janeiro, 2011 at 10:34 #

Ivan,

A crise foi em 2008.

A pilhéria da era feagaceana foi de ter quebrado o Brasil em todas as crises internacionais do período, mas ter preparado o mesmo Brasil para as crises posteriores – inclusive a maior desde a de 1929.

O nosso príncipe mudou (como ele mesmo diz) o Brasil. Mas o sapo ficou com o bônus.

FHC é o Midas tupiniquim – só que o efeito de seu toque é retardado…

Aliás, convenhamos, o Brasil é um país retardado.


danilo on 4 Janeiro, 2011 at 16:30 #

Marco Lino:

que bom ouvir de você que o Brasil é um país retardado. isso porque até uns dias atrás você afirmava, categoricamente, que o Patropi era “o” gigante das maravilhas entre os gigantes do planeta.

parece que a saída de Lullla da presidência fez clarear sua mente.

Feliz 2011, meu caro amigo stalinista. hehehe


Marco Lino on 4 Janeiro, 2011 at 21:30 #

Olá, Danilo!!!

Estou ficando velho e, talvez por isto, não lembro de tal assertiva.

Mas o Brasil sempre teve sim (quase) tudo para ser um gigante no mundo. Clima favorável, riquezas naturais sem fim e um povo alegre e trabalhador.

Entretanto, tem uma elite dirigente que é um zero à esquerda.

Aliás, desde Cabral e Colombo tem sido assim. O que os ibéricos fizeram com toda a riqueza extraída do dito “Novo Mundo”?! Patrocinaram o desenvolvimento da Europa e continuaram pobres.

Foi essa elite que foi transplantada para cá. E assim continua.

Abraço e grande 2011 para todos nós (nada a ver com a propaganda da terra de todos nós).


danilo on 4 Janeiro, 2011 at 22:20 #

pô, Marco Lino, a continuar assim o Jáder vai dizer q tú virou conservador e neoliberal…


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