Claudio Leal

Da Redação de Terra Magazine(SP)

Considerado um dos piores gestores das capitais brasileiras, com taxa de reprovação de 50% na mais recente pesquisa Datafolha, o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), enfrenta contundentes ataques a seu mandato. Na internet, uma petição com cerca de 1.600 assinaturas pede o “impeachment” de Carneiro, “por incapacidade de gestão, falta de transparências na utilização de recursos públicos, falta de prestação de contas das relações de Trancons, créditos tributários, compras e contratações em licitações, e por desequilíbrio da ordem pública”.

A prefeitura da capital baiana se defende de casos de corrupção. A ex-secretária de Planejamento Kátia Carmelo relatou a existência de uma “máfia da Transcon”, as permissões para obras na orla marítima de Salvador. O esquema, que envolveria empreiteiros e funcionários públicos, pode ter provocado prejuízos de R$ 500 milhões para o erário.

Terra Magazine apurou que o prefeito não responderá à petição, pois aponta o blogueiro João Andrade Neto, do “Pura Política”, como o autor do abaixo-assinado. Andrade foi preso pela Polícia Civil, em agosto de 2010, por tentativa de extorsão de um empresário, com flagrante do Centro de Operações Especiais (COE). As críticas também partem de vários setores da sociedade e são manifestadas em redes sociais como Facebook e Twitter.

“Esse processo de coleta de assinaturas partiu de uma pessoa que não tem credibilidade nenhuma, tem interesses escusos que não passam pelos interesses públicos”, diz o secretário de comunicação, Diogo Tavares. A Secom afirma que, nos últimos meses, não houve pedido de anúncio por parte do blogueiro. Uma reportagem do site avisava: “Vinte e três pessoas já assinaram o pedido de Impeachment contra o prefeito de Salvador, apresentado pelo diretor do Pura Política, João Andrade Neto”.

João Henrique é criticado pela liberação desordenada de construções na cidade, invadida por anúncios imbiliários desde o início do novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), que alterou o perfil histórico da primeira capital do Brasil, em 2007. O prefeito não se defendeu publicamente do pedido de “impeachment”, que ganha força nas redes sociais. Sob o pretexto de adequar a capital para a Copa do Mundo de 2014, a prefeitura estuda alterações no PDDU, para expandir o setor hoteleiro.

“A gente está buscando uma correção dos gabaritos nas áreas com atividade preferencialmente hoteleira”, declarou o secretário de Desenvolvimento, Habitação e Meio Ambiente, Paulo Damasceno, em entrevista ao jornal “A Tarde”. Os bairros cobiçados pelas empreiteiras são os litorâneos Stella Maris, Piatã, Ribeira, Ondina, Rio Vermelho, Armação e Pituaçu. De perfil residencial, a Ribeira nunca teve espigões.

“O pedido é o sumário afastamento do prefeito João Henrique pela falta de assistência à população soteropolitana, cidades cheias de buracos, lixo nas ruas, falta de transparências no contrato de coleta de lixo, das contratações emergências (sic) desnecessárias, e com contratações na modalidade de inelegibilidade, inexistência de responsabilidade e compromissos com os funcionários públicos, atrasos de salários, calotes a fornecedores, benefícios políticos de ordem estrutural da maquina pública para eleição da sua esposa, a deputada e primeira dama Maria Luiza Orge Carneiro, e pela liberação irregular de alvarás de postos de gasolina”, diz o texto da petição.

Após o anúncio do aumento da tarifa do ônibus, de R$ 2,30 para R$ 2,50, um movimento de protesto começou a ser articulado na internet. Em 2003, a “Revolta do Buzu” paralisou as principais avenidas da cidade.

Terra Magazine – http://terramagazine.terra.com.br/

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